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Stablecoin Stage

13/08 · 17h30–17h50StableCon Brazil20 min de sessãoresumo em 5 min

A privatização do dinheiro e a desintermediação bancária

A tese levada ao Stablecoin Stage: a stablecoin já é um ativo mais seguro que o depósito bancário — e o crédito vai atrás.

Carlos Russo

O essencial

Contexto

Palestra solo de Carlos Russo, da Bloquo, no Stablecoin Stage, dentro do StableCon Brazil. O tempo foi usado para separar o que o banco central e a indústria bancária empacotaram como uma coisa só: conta, moeda e crédito. A sessão partiu do tamanho do mercado de stablecoins, voltou ao free banking de mais de 200 anos atrás e terminou na operação de crédito de importação que a Bloquo já liquida on-chain.

A sessão em detalhe

Os números

Um dinheiro privado que já move mais que os cartões

A abertura foi pelo tamanho. As estimativas apresentadas põem a stablecoin não como nicho de cripto, mas como um novo tipo de moeda — e como uma das maiores oportunidades abertas hoje no mercado financeiro.

O cenário base do Citi é US$ 1,9 trilhão

As estimativas do Citibank para a emissão de stablecoins no mundo inteiro trabalham com esse cenário base. Na conta feita no palco, isso põe a stablecoin no top 10 das moedas em circulação.

Visa e Mastercard somadas não alcançam

As transações com stablecoins já passam de 15 trilhões de dólares, volume que as duas bandeiras juntas não atingem. É um mercado que cresce pelo menos dois dígitos todos os anos.

No câmbio, 3% hoje e mais de 50% em poucos anos

A participação das stablecoins no mercado de câmbio é estimada em 3% e deve chegar a mais de 50% em poucos anos. A comparação de tamanho feita no palco foi com a revolução de players como o Nubank.

Dois privados dominam a emissão

O mercado é dominado pela iniciativa privada, com dois players: a Circle, empresa americana, e a Tether, hoje uma empresa de El Salvador.

Definição

Free banking: dinheiro privado tem mais de 200 anos

O tema do dinheiro privado não é novo. É um modelo que existiu há mais de 200 anos, com exemplos nos Estados Unidos: a era do free banking, em que o lastro era ouro e cada banco tinha a possibilidade de criar a sua própria moeda privada.

A Escócia é o caso de sucesso citado

O modelo também existiu na Escócia, permitido pelos próprios bancos e sem a intermediação de um banco central. No período, a economia escocesa era muito mais estável, sem banco central por trás.

O que o banco central empacotou junto

O ponto central da apresentação é separar o que o banco central e a indústria bancária empacotaram: hoje, o cidadão que quer uma conta em real só a tem por depósito bancário ou conta de pagamento.

A tese

Mais segura que o depósito, mesmo sem regulação

Depósitos carregam risco independentemente da existência de um regulador, e o risco vem do descasamento no passivo do banco. A inovação que apareceu do outro lado do balcão, na tese da palestra, é mais segura do que aquilo que o correntista já tem.

Lastro em título público, risco zero

A stablecoin é lastreada majoritariamente em título público, com risco zero, e pode ser usada como token de pagamento — mesmo sem ser um mercado 100% regulado.

Ter conta corrente não é mais suficiente

O recado ao mercado é que a conta em banco deixou de bastar. O produto que responde à necessidade passa a ser outro, e ele não é passivo de instituição financeira.

Duas moedas, e a convergência para o juro

Ter stablecoin privada e depósito bancário tokenizado ao mesmo tempo produz competição. E a convergência apontada é a yield bearing stablecoin, a stablecoin que carrega juros.

O relógio

É questão de tempo: a conta que paga zero acaba

Toda stablecoin vai pagar a taxa livre de risco

Num futuro próximo, na projeção apresentada, toda stablecoin paga a taxa livre de risco: CDI no Brasil, Fed rate nos Estados Unidos. Esse vira o piso do token de pagamento.

Tokenizar o depósito obriga o banco a pagar mais

Se um banco quiser tokenizar o seu depósito bancário, não vai poder pagar o CDI: vai ter que pagar mais, porque o correntista passa a entender que aquele investimento carrega risco.

O CDB de 80% do CDI perde a disputa

Contra um CDB que paga 80% do CDI, entra uma stablecoin pagando 100% — e já há várias no mercado brasileiro oferecendo isso. O termo usado no palco para o efeito foi fuga bancária.

A ideia de que você vai ter uma conta numa instituição financeira brasileira pagando zero, uma conta no Banco do Brasil, no Bradesco, pagando zero, isso vai acabar.

Em aberto

Se todos comprarem stablecoin, e o crédito?

O crédito nasce do depósito, e é isso que muda

Hoje o crédito é criado de uma forma: o correntista deposita em conta ou em CDB, o banco pega esse dinheiro e transforma em empréstimo, e a economia gira em cima disso.

Título público não vira empréstimo a empresa

Se o dinheiro sai do banco e vai para uma stablecoin lastreada em título público, o funding do crédito muda de destino. É o debate que corre no mundo sobre desintermediação bancária.

Se todo correntista passa a comprar stablecoin... para onde vai o crédito?

A ruptura

No novo modelo, o poupador é quem escolhe o risco

A resposta apresentada para a desintermediação chama-se tokenized finance: um ambiente em que pagamentos e crédito passam a ser partes de um mesmo sistema, e em que os dois modelos coexistem em vez de um substituir o outro.

Antes o banco emprestava, agora ele compra risco

Antes, o poupador depositava no banco e o banco emprestava. No modelo descrito, ele compra o risco: depósito bancário tokenizado, token lastreado em recebível, em trade finance ou em bitcoin.

A stablecoin financia o governo; o token, a empresa

Como é lastreada em título público, a stablecoin financia o governo. O dinheiro tokenizado bancário financia a iniciativa privada: capital de giro de empresa, cheque especial, recebível.

O yield farming deixa de ser só cripto

Hoje o yield farmer põe stablecoin numa exchange de finanças descentralizadas para render. O cenário apresentado é o dessa liquidez passar a financiar a economia real.

Então, o poupador do futuro ele passa a escolher o risco que ele quer. E o mínimo que ele tem é a taxa livre de risco.

Em produção

Na Bloquo, o crédito de importação já sai on-chain

A casa se apresenta como fintech não bancária que entrega crédito cripto nesse novo mundo: provê pagamentos internacionais e também crédito para as empresas que fazem esses pagamentos. O ponto de partida é o importador ou exportador que precisa pagar fora e muitas vezes não tem capital nem crédito no banco.

O recebível da importação vira token

A empresa abre conta na fintech orquestradora e emite um direito creditório tokenizado, lastreado no próprio recebível da operação. O token vai a investidores e paga mais que o CDI, porque tem risco.

Liquidação on-chain, aberta ao institucional

O token vai para um ambiente de finanças descentralizadas em que qualquer um pode entrar, inclusive players institucionais. Pagamento on-chain e crédito on-chain, na descrição feita no palco.

Operações no Brasil, na Europa e nos EUA

A Bloquo já fez operações desse tipo no Brasil, em toda a América Latina, na Europa e nos Estados Unidos. O regulador está olhando para isso, e o movimento tende a acelerar.

O mercado financeiro tá mudando... os bancos, eles vão deixar de ser da maneira que a gente conhece.

O que ficou

Assentado

  • As transações com stablecoins já passam de 15 trilhões de dólares, volume que Visa e Mastercard somadas não alcançam.
  • O mercado é de dois emissores privados: a Circle, americana, e a Tether, hoje uma empresa de El Salvador.
  • Já há stablecoins no mercado brasileiro oferecendo rendimento ao portador, contra CDBs que pagam 80% do CDI.
  • A Bloquo já fez operações de crédito tokenizado no Brasil, na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos.

Em aberto

  • Para onde vai o crédito se o correntista trocar o depósito por stablecoin lastreada em título público.
  • O salto de 3% para mais de 50% do mercado de câmbio foi apresentado como projeção, sem data e sem método.
  • Nenhuma regra brasileira foi citada: ficou dito apenas que o regulador está olhando para o tema.

Termos citados

Stablecoin
Moeda digital emitida por um ente privado e lastreada em ativos, usada como token de pagamento.
No desenho descrito, o lastro é majoritariamente título público.
Yield bearing stablecoin
Stablecoin que repassa juros a quem a carrega, em vez de reter o rendimento do lastro.
A convergência apontada: toda stablecoin pagando a taxa livre de risco.
Free banking
Regime em que cada banco emite a própria moeda, sem banco central intermediando.
Existiu nos Estados Unidos e na Escócia há mais de 200 anos.
Desintermediação bancária
Perda do papel do banco como ponte entre quem poupa e quem toma crédito.
O tema final da palestra: se o depósito migra, o crédito precisa de outro trilho.
Descasamento
Diferença de prazo e de risco entre o que o banco deve e o que ele tem a receber.
A razão pela qual o depósito foi apresentado como mais arriscado que a stablecoin.
Taxa livre de risco
Rendimento do título público, tomado como piso de remuneração de qualquer aplicação.
CDI no Brasil e Fed rate nos Estados Unidos, na comparação feita.
Direito creditório tokenizado
Recebível transformado em token e vendido a investidores no lugar do crédito bancário.
Emitido pelo importador na operação descrita pela Bloquo.
Yield farming
Prática de depositar stablecoin numa exchange descentralizada para obter rendimento.
O cenário previsto é essa liquidez passar a financiar a economia real.
Tokenized finance
Ambiente em que pagamentos e crédito passam a ser partes de um mesmo sistema tokenizado.
Apresentada como a fronteira atual do mercado de blockchain.
Trade finance
Crédito ligado a operações de importação e exportação.
Boa parte do crédito no Brasil, segundo a palestra, e o alvo da Bloquo.

Citados na sessãoCitibank·Circle·Tether·Visa·Mastercard·Nubank·Banco do Brasil·Bradesco·Bloquo·Banco Central·Escócia·El Salvador

TemasStablecoins·Desintermediação bancária·Tokenização·Crédito·DeFi

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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