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LATAM Stage

13/08 · 16h15–16h3520 min de sessãoresumo em 5 min

Panamá: a confiança é o novo sucesso dos mercados

No LATAM Stage, a tese de que confiança vale mais que tecnologia — e o retrato de um Panamá que tokeniza antes de ter regulação.

Franklyn ChangCamila Suffiotti

O essencial

Contexto

O painel do Panamá no LATAM Stage, em formato de entrevista: Franklyn Chang, CEO e fundador da Panama Future — empresa institucional de tokenização de ativos reais —, com condução de Camila Suffiotti, da Decrypto. A conversa começa pela entrada no setor aos 17 anos e só depois volta à frase do título. Do meio para o fim vem o retrato do mercado panamenho: metade institucional, com prefeitura aceitando cripto e sem regulação aprovada.

A sessão em detalhe

Abertura

Aos 17 anos, entre o Bitcoin e a OneCoin

Antes de virar tese, a conversa virou biografia. Uma mudança de família para a Alemanha no começo do ciclo cripto, e ali a entrada no que havia: Bitcoin e OneCoin — esta última, um caso que ficou conhecido no mundo inteiro. Hoje o episódio é descrito como talvez a melhor decisão possível naquele momento, porque foi o que obrigou a estudar.

Aprender KYC e KYB veio antes do negócio

O início no setor foi o que levou ao estudo do que eram KYC, KYB, antilavagem e due diligence — e ao hábito de perguntar às pessoas como e onde investem, porque o dinheiro digital entra e some de vista.

Um país pequeno com posições grandes

A infraestrutura operativa citada é o Canal do Panamá e a Zona Livre de Colón. Era o que havia para sair da caixa: um país pequeno, mas com posições grandes.

Da empresa privada à mesa das instituições

A Panama Future se apresenta como empresa institucional de tokenização de ativos reais, hoje conectada a governos e a instituições financeiras — e a Superintendência do Mercado de Valores foi citada em agradecimento.

Naquela época eu tinha 17 anos. Era um jovem que estava tentando sair da caixa do Panamá.

A tese

A confiança vale mais que a melhor tecnologia

O título da sessão vem de uma resposta simples: confiança é o que o ser humano precisa, e na era da inteligência artificial já não se sabe com quem se está falando. Daí a ligação com o jeito latino-americano de fechar negócio — pela relação, pela amizade — e a cobrança do passivo do setor: blockchain e criptomoeda deixaram má fama, e sem trabalhar a comunidade o ecossistema não se desenvolve.

Na era da IA, não se sabe com quem se fala

O ponto de partida da tese é esse: a confiança é o que o humano precisa justamente quando a inteligência artificial embaralha a identidade de quem está do outro lado da conversa.

O latino fecha pela relação, não pelo produto

O latino-americano aparece descrito como alguém de confiança, de estrutura, de amizade — e é essa relação, e não a demonstração técnica, que leva ao bom relacionamento e aos grandes negócios.

A má fama é o passivo que o setor carrega

Blockchain e criptomoeda sofreram muitos baques e deixaram má fama — e é por isso que potencializar a comunidade aparece como condição para o ecossistema se desenvolver melhor.

Não é só ter a melhor tecnologia [...] é a confiança que nós transmitimos, tudo bem estruturado, bases claras, e isso vai levar a que possamos fazer grandes coisas.

Prova de campo

Quando a BlackRock entrou, o varejo ganhou onde olhar

De uma sala de 15 pessoas à entrada da BlackRock

A lembrança é de um grupo de 15 pessoas discutindo ativos digitais numa sala onde ninguém entendia o que estava acontecendo. Quando BlackRock e Fidelity entraram, o Bitcoin disparou.

Antes era carteira fria, e um hack levava tudo

O contraste traçado para o varejo: antes o dinheiro ficava parado numa carteira fria e bastava um ataque para sumir com tudo. Hoje há instituição que ajuda, avaliza e assiste.

Agora dá para perguntar onde está o dinheiro

Com fundos de investimento e tokenização, há a quem recorrer e o que apontar: o varejo precisa ver algo seguro, algo que se possa tocar, antes de confiar.

Em produção

Metade institucional, prefeitura aceitando stablecoin

Metade da adoção passa por instituição

À pergunta se o mercado panamenho é mais institucional ou de varejo, a resposta foi 50% institucional: bancos locais como a Caja de Ahorros impulsionam a adoção, sob a Superintendência de Bancos.

A prefeitura aceitou cripto no pagamento de taxas

Foi na Panama Blockchain Week, feita no ano passado em abril, que o município do Panamá passou a aceitar stablecoins, Bitcoin e Ethereum para o pagamento de taxas.

Binance e OKX já passaram pelo país

Do lado do varejo, a presença de exchanges como Binance e OKX no Panamá e os eventos do setor realizados por lá entram como sinal de que o movimento não é só institucional.

O que trava

Inovar sem regulação: dois projetos em circulação

O Panamá faz coisas inovadoras convivendo com a falta que é não ter regulação. Há duas propostas em circulação — uma do deputado Gabriel Solís e outra vinda da banca privada, feita entre três pessoas — e a conversa corre por Assembleia, instituições e câmaras de comércio. A régua a seguir já existe: a criação do MiCA foi acompanhada de perto, e ficou dito que não é caso de reinventar a roda.

Regulação boa é a que não espanta o varejo

O cuidado repetido é não criar uma infraestrutura de alta gama que faça o varejo recuar; o desenho tem de vir com incentivos para panamenhos e para quem vem de fora.

GAFI e OFAC estão no retrovisor

O escrutínio aparece como compreensível: chega muito dinheiro de fora à economia panamenha, e as réguas citadas para não sair da linha são o GAFI e o OFAC, nos Estados Unidos.

A ruptura

Crédito fechado: a brecha que a tokenização ocupa

Euforia no topo, crédito fechado embaixo

O diagnóstico posto na mesa: os bancos não emprestam hoje, e índices como o Nasdaq estão num pico de euforia que pode desaguar em recessão — os bancos estudam o quadro e recuam.

Só se investe no que dá para ver

É aí que a tokenização se encaixa: em vez de pôr dinheiro no que não se enxerga, o investidor passa a ver o ativo, a estrutura do negócio e o retorno que pode esperar.

Vocês perceberam? Os bancos não emprestam dinheiro hoje em dia.

O recado

Do dólar no colchão às universidades do Panamá

Dólar debaixo do colchão também encolhe

O retrato que entrou na mesa: guarda-se dólar embaixo do colchão e perde-se oportunidade de empreender. E dólar parado encolhe — ano após ano compra-se menos com o mesmo dinheiro.

Cripto no TikTok não é educação financeira

A reclamação é sobre o que circula: desliza-se o TikTok e há muito cripto, mas literalmente nada de produtivo. A resposta da empresa é levar blockchain para dentro das universidades.

Três universidades e um convite ao país

Universidade Tecnológica do Panamá, Santa María La Antigua e Universidade do Panamá entraram na conta. No fecho, o convite para conhecer o país, com abertura de conta fácil e stopover gratuito.

A plataforma ainda vai ser lançada

No encerramento, ficou o anúncio da plataforma da Panama Future para investir em projetos, commodities e equities com estruturas operativas no Panamá, de forma institucional e segura.

Eu quero fazer meu país crescer. E quero que amanhã o Panamá seja impulsionado pela tecnologia.

O que ficou

Assentado

  • A prefeitura do Panamá passou a aceitar stablecoins, Bitcoin e Ethereum no pagamento de taxas municipais.
  • O país ainda não tem regulação cripto: há dois projetos, um de deputado e outro vindo da banca privada.
  • Metade da adoção cripto panamenha é institucional, com bancos locais impulsionando, pela conta apresentada na sessão.
  • A entrada de BlackRock e Fidelity foi apontada como o momento em que o Bitcoin começou a disparar.

Em aberto

  • Nenhum dos dois projetos de lei tem prazo: quando o Panamá terá regulação cripto não foi respondido.
  • O lançamento da plataforma da Panama Future veio sem data, sem lista de ativos e sem ticket mínimo.
  • Fora das universidades, como chegar a quem só encontra cripto no TikTok ficou sem resposta na mesa.
  • A projeção de US$ 3 trilhões para o mercado cripto em 2030 foi dita sem fonte, recorte ou metodologia.

Termos citados

Tokenização
Representar um ativo real em rede blockchain para que ele possa ser fracionado e negociado.
É o negócio da Panama Future, apresentada como empresa institucional de tokenização.
KYC
Procedimento de identificação do cliente antes de aceitar seu dinheiro em uma operação.
Um dos controles estudados depois da estreia em cripto, aos 17 anos.
KYB
Mesma verificação do KYC aplicada a empresas, e não a pessoas físicas.
Citado ao lado de KYC, antilavagem e due diligence na lista do que foi aprendido.
Due diligence
Checagem prévia de com quem e em que se está investindo, antes de mover o dinheiro.
O que se cobra de quem investe, porque o dinheiro digital entra e some de vista.
OneCoin
Criptomoeda dos primeiros anos do mercado, lembrada na sessão como caso de repercussão mundial.
Onde a família entrou, junto com Bitcoin, no começo dessa história.
Zona Livre de Colón
Zona franca panamenha citada, ao lado do Canal, como a infraestrutura operativa do país.
A base física usada para explicar por que o Panamá joga acima do próprio tamanho.
Stablecoin
Criptomoeda desenhada para manter valor estável, usada como meio de pagamento.
Aceita, com Bitcoin e Ethereum, pela prefeitura do Panamá no pagamento de taxas.
Carteira fria
Custódia de cripto fora da internet, sem instituição por trás de quem guarda as chaves.
O antes do retrato traçado: bastava um hack e o dinheiro do varejo desaparecia.
MiCA
Marco regulatório europeu de criptoativos, citado como referência já pronta a copiar.
Sua criação foi acompanhada de perto, e o resumo é direto: não é caso de reinventar a roda.
GAFI
Organismo internacional de padrões antilavagem citado como régua a ser respeitada.
Aparece com o OFAC na explicação do escrutínio sobre a economia panamenha.

Citados na sessãoPanama Future·Bitcoin·OneCoin·Ethereum·BlackRock·Fidelity·Binance·OKX·Caja de Ahorros·Panama Blockchain Week·Gabriel Solís·MiCA·GAFI·OFAC·Nasdaq·Canal do Panamá·Zona Livre de Colón·Superintendencia del Mercado de Valores·Superintendencia de Bancos·Universidad Tecnológica de Panamá·Santa María La Antigua·Universidad de Panamá·TikTok·Alemanha

TemasPanamá·Tokenização·Confiança·Regulação·Educação Financeira

Quem falou

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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