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GOV Stage

13/08 · 14h00–14h45Regulation Rocks - FENASBAC45 min de sessãoresumo em 6 min

Dados abertos para o mercado de capitais: desafios e oportunidades na fronteira da jornada do investidor

A mesa parou no mesmo ponto da jornada do investidor — o suitability — e discutiu preenchê-lo uma vez só.

Danielle TeixeiraGustavo TufaileClaudio Maes

O essencial

Contexto

Painel da trilha Regulation Rocks, da Fenasbac, no GOV Stage, com Cláudio Maes (CVM) e Gustavo Tufaile (Bradesco Asset Management) e mediação de Sarah Oliveira. A pergunta de entrada — que atrito você tiraria hoje da jornada do investidor? — levou a mesa ao mesmo procedimento, o suitability, por dois caminhos diferentes. Dali em diante discutiu-se um perfil preenchido uma única vez, quem responde pelo dado quando ele circula entre todos e o que a inteligência artificial pode assumir.

A sessão em detalhe

Abertura

A mesa abriu escolhendo um atrito para eliminar

A tarde do GOV Stage abriu com uma pergunta fechada: se você pudesse eliminar um único atrito da jornada do investidor hoje, qual seria? As duas respostas foram parar no mesmo procedimento por caminhos diferentes — o suitability, com a matriz única de um lado e a forma das perguntas do outro. Regulador e gestora, sentados lado a lado na trilha da Fenasbac, escolheram o mesmo ponto da jornada para atacar.

Quem sentou na mesa e de onde fala

Do lado da CVM, mais de 20 anos de casa e, desde abril, a área que lida com a supervisão de fundos. Do lado do Bradesco Asset, a liderança de estratégia de inovação e inteligência artificial.

O laboratório onde o OpenSuitability nasceu

A Fenasbac é parceira da CVM em um laboratório de experimentação, aprendizagem e prototipagem, onde projetos são gestados e incubados. Um deles, o OpenSuitability, tinha participante na mesa — viés declarado logo na abertura.

A tese

Um suitability para a indústria inteira, preenchido uma vez

O ganho está em aproveitar os procedimentos de onboarding do mercado de capitais a partir de uma única matriz. Hoje, ficou dito, o suitability é percebido por todo mundo — investidores e participantes de mercado — como mera etapa formal desse procedimento, e o que é feito por formalidade não funciona. A virada descrita é transformá-lo em serviço prestado ao investidor, capaz de gerar percepção de valor.

Uma única entrada, consumida por todos

O desenho é um perfil gerado uma só vez, cujos dados qualquer agente plugado consome. A base foi chamada de bureau de suitability, com a ressalva de que é só um modo de dizer.

No cenário ideal, sem o Estado na construção

A montagem sairia de autorreguladores e associações. Preenchida a matriz, a informação é repassada a qualquer agente do mercado; para intermediários e participantes sobra eficiência, menos custo e menos atrito.

O regulador também quer enxergar o efeito

Com algo centralizado, fica mais fácil acompanhar como a regra e a tecnologia estão sendo aplicadas e que benefício elas geram no mercado — interesse do próprio regulador, e não só do mercado.

Suitability único para toda a indústria. Uma única entrada, gerando dados que possam ser consumidos por todos os agentes.

A ruptura

Não pergunte no que ele investiu; pergunte o que ele quer

O outro ponto atacado foi a forma como as perguntas são feitas. A sensação relatada é que o questionário de hoje é mais proteção jurídica para a instituição do que geração de valor para quem investe. A proposta é entender o objetivo de vida da pessoa — para que ela quer guardar dinheiro e como — movendo o processo do produtocentrismo para o cliente-centrismo.

Um perfil por objetivo, não um por pessoa

Casar no ano que vem e aposentar no fim da vida não pedem o mesmo risco, e são a mesma pessoa. A sugestão levada ao projeto é um perfil diferente para cada objetivo.

O cadastro escrito filtra por escolaridade

Perguntas escritas sobre mercado financeiro viram barreira. Responder por áudio entrega a mesma informação sem exigir letramento, e ajudaria o assessor a entender a necessidade e recomendar melhor.

Open Finance derruba a quantidade de perguntas

Com consentimento — opcional, frisou-se —, o histórico e o comportamento financeiro já disponíveis permitem inferir coerência entre o que a pessoa declara e o que faz, cortando o formulário.

Todo mundo manda áudio no WhatsApp. Todo mundo sabe fazer isso, eu não preciso ser escolarizado.

Em aberto

Dado aberto para cada um usar, ou perfil padronizado?

Um caso concreto entrou na mesa: um mesmo investidor com perfis de risco diferentes em instituições diferentes, e o perfil usado para cripto sem relação com o da corretora tradicional. A dúvida já tinha aparecido nas primeiras tratativas com agentes de mercado, e não há clareza sobre o melhor caminho.

Modelo 1: informação aberta, conclusão de cada um

Disponibilizar o dado para os agentes consumirem, cada um chegando à sua conclusão, no espírito do Open Finance. É o desenho mais flexível, e o que traz incerteza sobre onde o investidor está.

Modelo 2: perfil único e objetivo declarado

Um perfil só, um objetivo declarado, e todo mundo que consome opera dentro dele. Dá mais segurança sobre a alocação e, em compensação, menos flexibilidade. Nenhum dos dois é melhor por natureza.

O intermediário não sai de cena

Nos dois desenhos alguém ainda precisa conhecer a pessoa e entrar no detalhe das características dela para arbitrar a recomendação. Fugir disso, ficou dito, é muito difícil.

O que trava

Se der problema, alguém vai ter que refazer a trilha

Com o dado atravessando distribuidor, emissor, plataforma e regulador, cada um com responsabilidade diferente na supervisão, a pergunta foi onde essa responsabilidade se delimita. A resposta veio em duas palavras: governança e regra bem escrita — com a lembrança de que regra da CVM não nasce de construção interna, e sim de diálogo com o mercado.

A cada etapa, um responsável pelo dado

Precisa estar estabelecido, fase a fase, a quem se atribui a responsabilidade sobre o dado. Havendo problema, é preciso refazer a trilha e entender o que aconteceu naquela operação.

Botar o arranjo de pé não é banal

A avaliação é que ele tende a acontecer porque é bom para todo mundo, inclusive para intermediários e agentes de mercado, mas exige todos esses agentes em torno da mesma ideia.

O carimbo de tempo é o que permite auditar

A tecnologia registra requisição, transação e horário, e isso entrou na mesa como resposta. Com tudo gravado, definir quem foi responsável e em que momento fica mais rápido na hora de auditar.

Onde concordaram

A IA hiperpersonaliza, mas não assume a decisão

Sobre inteligência artificial, a mesa foi direta: a hiperpersonalização — recomendação instantânea, na palma da mão — não se faz sem ela. Veio junto o alerta do corte geracional, marcado por volta dos 32 anos: os mais jovens confiam plenamente na IA e saem executando. E modelo treinado com dados enviesados responde diferente conforme a origem, ocidental ou oriental.

O papel da IA é preparar o dado, não decidir

Ela deve ajudar a adquirir e a apresentar dados de maneira fácil de consumir, para que a pessoa — investidor ou assessor — decida com precisão. Deixar a decisão com a IA viraria bagunça.

A IA não é responsabilizável

O risco incide sobre quem responde pela atividade. Se a ferramenta for usada para fazer bobagem, quem responde é a pessoa, e isso não muda: é ferramenta poderosa, mas ainda ferramenta.

No Bradesco, o tema está em estudo

Há estudos e projetos complexos na casa, tocados com calma e cuidado. E a regulação sobre quem responde pelo controle da inteligência artificial ainda não está bem definida.

O relógio

Em três anos: mais barato, comparável e 24/7

A rodada de fechamento pediu uma projeção de três anos para a experiência do investidor. O retrato que saiu: produtos mais baratos e mais fáceis de compreender, mais ferramentas para entrar, sair e comparar produtos e instituições, e um mercado de tokens já desenvolvido, com penetração global. E o horário entrou na conta: além de global, 24 por 7.

Mais oportunidade e mais risco no mesmo pacote

O mesmo mundo que permite alocações mais eficientes amplia o risco de se perder na informação e de se iludir. Feita a ressalva, o benefício projetado à frente ainda é maior que o custo.

Mercado aberto de madrugada cobra quem atende

A projeção é de gente cuidando das finanças fora do horário comercial, sem ninguém do outro lado. Ou o serviço passa a ser prestado nesse horário, ou o investidor se autoatende.

A falta que o fechamento apontou

Junto com a tecnologia, o pedido foi de mais conhecimento para o próprio investidor. E ficou o incômodo concreto: sacar dinheiro que está num fundo depois do fechamento significa esperar o outro dia.

Eu sinto falta do mercado depois das 17, na verdade. Não é nem 23 horas de noite, mas das 17, 18, aquele pedacinho.

O que ficou

Assentado

  • As duas respostas foram parar no mesmo procedimento da jornada: o suitability, uma pela matriz única, outra pela forma das perguntas.
  • O desenho de uma única entrada de perfil, com dados consumidos por todos os agentes, foi descrito sem contestação.
  • A responsabilidade pela decisão não migra para a IA: quem responde pela atividade continua respondendo por ela.
  • Mesmo com dado compartilhado, alguém precisa conhecer a pessoa em detalhe — e fugir disso, ficou dito, é difícil.

Em aberto

  • Perfil único padronizado ou dado aberto interpretado por cada instituição: não há clareza sobre o melhor caminho.
  • O projeto normativo citado na sessão ainda vai à consulta pública, e até lá o desenho é meramente tentativo.
  • Delimitar a responsabilidade pelo dado em cada etapa foi dito necessário, mas nenhuma repartição foi apresentada.
  • O conflito de interesse de quem recomenda, com comissão maior em um produto, segue como questão a endereçar.

Termos citados

Suitability
Procedimento em que a instituição verifica se o produto é adequado ao perfil e ao objetivo do investidor.
O procedimento eleito na mesa como o ponto a mudar na jornada do investidor.
OpenSuitability
Projeto incubado no laboratório da Fenasbac para repensar o formulário de perfil do investidor.
Citado na sessão como um dos projetos do laboratório, e com participante na própria mesa.
Bureau de suitability
Base única em que o perfil é gerado uma vez e fica disponível a todos os agentes plugados.
Expressão usada na sessão, com a ressalva de ser apenas um modo de dizer.
Open Finance
Compartilhamento de dados financeiros do cliente entre instituições, mediante consentimento dele.
A proposta na mesa foi usar hábito e comportamento financeiro para cortar perguntas do formulário.
Cliente-centrismo
Desenho do serviço a partir do objetivo do cliente, e não do produto que a instituição quer vender.
Termo usado na sessão para descrever a troca de lógica defendida no formulário de perfil.
Hiperpersonalização
Recomendação individualizada e instantânea para cada investidor, apoiada em muito dado.
Ficou dito na sessão que não seria possível fazê-la sem inteligência artificial.
Consulta pública
Etapa em que o regulador submete a minuta da norma ao mercado antes de editá-la.
O projeto normativo citado na sessão ainda passará por ela; até lá, o desenho é tentativo.
Tokenização
Representação de ativos em rede blockchain, para negociação e liquidação digitais.
A sessão citou o piloto da Anbima, com a Fenasbac, que ainda não chega à ponta do investidor.

Citados na sessãoCVM·Fenasbac·Bradesco Asset Management·Anbima·Banco Central·Open Finance·Gov.br·WhatsApp

TemasMercado de Capitais·Dados Abertos·Regulação·Suitability·Inteligência Artificial

Quem falou

Também na programaçãoDanielle Teixeira

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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