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Stablecoin Stage

13/08 · 14h20–14h40StableCon Brazil20 min de sessãoresumo em 5 min

Como as stablecoins estão transformando as finanças no Brasil

Uma palestra solo reduziu o mercado global a três números e mostrou que 80% do volume cripto declarado no Brasil já é stablecoin.

ISRAEL BUZAYM

O essencial

Contexto

Palestra solo no Stablecoin Stage, na volta do almoço, com Israel Buzaym, da KAST — um neobank que se apresenta como global e nasceu sobre stablecoins. Sem propaganda, os 20 minutos foram divididos em três blocos: o papel do Brasil no contexto global, o momento do mercado e as tendências à frente. O fecho foi um pedido à plateia: usar, trabalhar ou empreender no setor.

A sessão em detalhe

Abertura

Um neobank que nasceu global abre a tarde

A palestra abriu o Stablecoin Stage na volta do almoço com a promessa de não fazer propaganda demais e um roteiro anunciado para os 20 minutos: o papel do Brasil no contexto global, o momento em que o mercado está e para onde isso caminha. A KAST, empresa apresentada ali, se define como um neobank global construído sobre stablecoins.

Nasceu global, não foi horizontalizado depois

A diferença apontada em relação aos outros players: a operação não começou num país para se espalhar depois. Hoje são mais de 170 países atendidos, com conta, pagamentos e cartão.

Mais de 30 moedas para pagar na local

Fiat, DeFi, stablecoins e cripto em geral circulam na mesma plataforma, em países e moedas diferentes: são mais de 30 moedas para pagar na local com o cartão, e há IA embarcada no suporte.

A tese

O Brasil tem o trilho; a stablecoin é o combustível

A primeira das frases de efeito prometidas na abertura: o país já tem, há muitos anos, uma infraestrutura de fintech e de tecnologia financeira muito boa — e as stablecoins são o que acelera essa base para a fase seguinte.

Tecnologia, não uma nova forma de dinheiro

Reconhecer a stablecoin como tecnologia é, na leitura apresentada, o que aproxima o mercado de um ambiente regulatório mais claro, para os players e para quem usa na ponta.

Tecnologia adotada não volta atrás

O argumento repetido no fecho: depois de adotada, uma tecnologia não retrocede, só melhora. O paralelo puxado em cima do palco é o que se viu acontecer com a IA.

Crença no Bitcoin, mas o caso de uso é a stablecoin

Ficou dito que o Bitcoin segue valendo como reserva de valor no longo prazo, mas que seis anos de mercado desfizeram a expectativa de que tudo mudaria em meses — e hoje a stablecoin é tratada como o melhor caso de uso.

As stablecoins são o combustível para a gente acelerar para o próximo nível.

Os números

Tirado o trading, sobram US$ 6 trilhões

De 104 trilhões a 6, em três degraus

O volume total do mercado cripto aparece em 104 trilhões; só de stablecoins, 33 trilhões; tirado o trading da equação e mantido só o cross-border, sobram 6 trilhões de dólares.

A Latam cresce acima da média e o Brasil lidera

Dentro desse recorte cross-border, a região aparece crescendo mais do que a média das outras, com o Brasil à frente do bloco latino-americano.

Prova de campo

No Brasil, 80% do volume declarado é stablecoin

R$ 500 bilhões, e quatro quintos em stablecoin

O dado escolhido foi o volume declarado, do Banco Central e de outros players: R$ 500 bilhões, dos quais 80% em stablecoin, contra uma média de 60% em outras regiões.

A demanda cresceu 130% no primeiro semestre

É o ritmo que sustenta a leitura de que a adoção brasileira não é só grande, é acelerada, e de que o país lidera dentro da região.

A conversa do ano virou compliance

No ano passado ainda havia a pegada da corretora centralizada fazendo o que quisesse no Brasil. Agora, ficou dito, quem quer continuar servindo o país precisa ser compliant.

Definição

Criptodolarização, o caso de uso que puxa o Brasil

Criptodolarização, no vocabulário da palestra, é dolarizar parte do patrimônio pela stablecoin — e é o caso de uso posto à frente de todos no Brasil. Antes já se fazia por ação, BDR, câmbio ou dólar debaixo do colchão; a razão de fundo é a mesma, o risco cambial e a perda de poder de compra do real.

Pix na entrada, dólar digital na saída

Nas plataformas do tipo, o depósito entra por Pix e a conversão já é automática — uma forma de dolarizar parte do patrimônio sem sair do aplicativo.

O PJ que trabalha para fora já recebe assim

O insight que a palestra destacou: o brasileiro com CNPJ contratado por empresa estrangeira já é pago em stablecoin, de fora para cá — caso de uso de quem trabalha para empresas de fora.

Ponte de mão dupla para as empresas

O mesmo trilho serve nos dois sentidos: receber de clientes e de fornecedores estrangeiros e pagar fornecedores e funcionários lá fora, num fluxo bilateral.

A perda do poder de compra que a gente tem tido no real nos últimos anos é gigante, isso é conhecido de todos. Por isso a gente sempre busca uma alternativa em moeda forte.

A ruptura

Três gerações de banco e o 1% do 1%

O mapa tem três movimentos. Primeiro os bancos tradicionais se digitalizando, a ponto de hoje se resolver quase tudo pelo aplicativo. Depois a onda dos neobanks, com Nubank e Inter. Agora a terceira geração, dos neobanks cripto nativos — chamada no palco de segunda geração de neobank, e a KAST se coloca à frente dela.

Cem milhões de clientes validaram a segunda onda

O Nubank passou de 100 milhões de clientes alguns meses atrás, número usado como validação de que o brasileiro quer esse tipo de alternativa.

Um por cento de um JPMorgan, e 1% disso

Neobanks como Nubank e Inter valem cerca de 1% de um banco como o JPMorgan em valor de mercado, e os cripto neobanks são 1% dessa geração.

Dinheiro analógico não roda em mundo digital

A conversão no bancão ainda perde 10% de spread e o SWIFT ainda faz esperar três dias. E a aposta posta na mesa é que os agentes de IA, quando pagarem, vão pagar em digital.

1% do 1%, a gente está muito no início. Ainda tem muita coisa para ser comprovado.

O recado

Usar, trabalhar ou empreender: o convite final

Não tem dono de ideia; o que separa é execução

Os concorrentes entraram no slide e a tese foi posta como pública: qualquer um pode tentar montar um global neobank agora. O que decide, pela conta apresentada, é a execução.

Multitrilhos na entrada e na saída

A promessa de produto é achar o melhor caminho para levar o dinheiro do ponto A ao ponto B, com a menor taxa e a liquidação mais rápida, sem o usuário escolher o trilho.

O apelo não foi comprar, foi entrar

Com 1% de 1% de mercado, o pedido à plateia foi se envolver com stablecoin de algum jeito: usando, trabalhando — há vagas abertas no Brasil — ou empreendendo agora.

O nosso CEO falou ontem numa palestra que era exatamente esse título: não existe bear market em stablecoins.

O que ficou

Assentado

  • O Brasil concentra em stablecoin 80% do volume cripto declarado, contra uma média de 60% em outras regiões.
  • A demanda brasileira por stablecoin cresceu 130% no primeiro semestre, sobre R$ 500 bilhões declarados.
  • A conversa do mercado migrou para regulação: quem quiser seguir servindo o Brasil precisa ser compliant.
  • Criptodolarizar patrimônio é o caso de uso que puxa a adoção no país, com o Pix como porta de entrada.

Em aberto

  • Quanto os cripto neobanks vão crescer: hoje são 1% de um setor que já é 1% do banco tradicional.
  • Se os agentes de IA vão mesmo pagar em stablecoin — a pergunta ficou no ar, sem número nem prazo.
  • Quando o ambiente regulatório brasileiro fica claro; o reconhecimento como tecnologia ainda está em curso.

Termos citados

Stablecoin
Criptomoeda com valor atrelado a uma moeda forte, usada para mover dinheiro em trilhos de blockchain.
Apresentada na palestra como tecnologia, e não como uma nova forma de dinheiro.
Criptodolarização
Converter parte do patrimônio em dólar digital, via stablecoin, dentro da própria plataforma.
Apontada como o principal caso de uso de cripto no Brasil, por causa do risco cambial.
Cross-border
Dinheiro que atravessa fronteiras entre pessoas e empresas, fora das operações de trading.
O recorte de US$ 6 trilhões usado para dimensionar a oportunidade.
Volume declarado
Volume que passa por empresa registrada e é reportado, em vez de estimado por fora.
Base do dado brasileiro de R$ 500 bilhões, tirado do Banco Central e de outros players.
Global neobank
Banco digital que já nasce operando em vários países, em vez de crescer a partir de um mercado.
Como a KAST se apresenta, hoje com mais de 170 países atendidos.
Cripto neobank
Segunda geração de banco digital, construída sobre stablecoins e trilhos de cripto.
A onda em que a KAST se coloca à frente, com 1% do tamanho da geração anterior.
Trilhos
Caminhos por onde o dinheiro entra e sai de uma plataforma, cada um com taxa e tempo próprios.
A KAST diz montar multitrilhos e escolher o melhor caminho no lugar do usuário.
Bear market
Período longo de queda de preços, o inverso do ciclo de alta do mercado cripto.
A frase de fecho da palestra: em stablecoin esse ciclo não existe.

Citados na sessãoKAST·Nubank·Banco Inter·JPMorgan·Tether·Banco Central·Pix·SWIFT·Bitcoin

TemasStablecoins·Criptodolarização·Neobanks·Cross-border·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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