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LATAM Stage

13/08 · 15h30–16h1040 min de sessãoresumo em 5 min

Colômbia sem lei própria: como o ecossistema cresce mesmo assim

Cinco milhões de colombianos já usam cripto sem nenhuma lei própria — e foi aí que a mesa mostrou onde a conta não fecha.

Camila SuffiottiCarolina FrancoKaren Nieves

O essencial

Contexto

Painel do LATAM Stage com Carolina Franco (Hookloop) e Karen Nieves (KN Agency), moderado por Camila Suffiotti (Decrypto). O tema era a Colômbia sem marco cripto próprio, e a conversa não ficou na promessa: adoção medida em milhões de usuários, empreendedor barrado na porta do banco e uma lista concreta do que pedir ao regulador e ao Congresso.

A sessão em detalhe

Abertura

Um país sem lei própria e cinco milhões de usuários

O painel abriu com uma constatação e uma dúvida: a Colômbia ainda não tem regulação cripto própria, e a pergunta inicial foi se isso trava o ecossistema ou se dá mais espaço para inovar. A resposta veio dividida, e logo em seguida os dados entraram na mesa — o retrato saiu de conversas com vários founders colombianos feitas antes do evento, justamente para trazer o retorno de primeira mão dos builders.

Fricção para quem começa, vantagem para quem chega

A falta de marco cria atrito para as empresas novas, mas vira vantagem para as que já têm quatro ou cinco anos de mercado e para as estrangeiras que chegam para tomar fatia.

Cinco milhões de usuários e US$ 6 bilhões

São 5 milhões de pessoas usando cripto na Colômbia em 2026 e cerca de 6 bilhões de dólares transacionados, tudo sem regulação explícita: existe mercado e existe apetite.

Quase todo esse número tem um dono só

Ficou dito na mesa que o dado dos 5 milhões vem essencialmente da Binance, algo perto de 10% da população — e que a exchange nunca passou por nenhuma regulação no país.

Como dissemos, a Colômbia ainda não tem uma regulação. Está freando o ecossistema? Tecnologicamente está dando mais espaço para inovar? O que vocês pensam?

Definição

Alegal, não ilegal: o peso da palavra cripto

A meta não é ensinar blockchain a ninguém

O ponto levantado é outro: o usuário não precisa entender a tecnologia, precisa parar de chamar de cripto tudo o que é pagamento digital, porque a confusão é o que gera medo.

A herança de fraude ainda cobra pedágio

A América Latina viveu um boom de empresas que usaram mal o tema dos pagamentos digitais e deixaram uma atmosfera de golpe e negatividade. A atividade é alegal, não ilegal.

Dinheiro em espécie entrando pela wallet

Empresas de fora já plugaram gateways de pagamento locais, e uma companhia colombiana com muitos pontos físicos e operação em dinheiro incorporou a própria wallet.

A opção não é que as pessoas entendam blockchain. Se não, que as pessoas parem de chamar de cripto tudo.

Em produção

O que já roda: remessas, dólar digital e cross-border

Cobrados os casos de uso reais, a mesa listou três, em ordem de peso, com o aviso de que o país não é o México em volume de remessas. Mesmo assim, é ali que o uso de stablecoin aparece primeiro.

Remessa bancária custa de 5% a 10%

No corredor Estados Unidos–Colômbia, mandar dinheiro para um familiar pela via bancária pode custar entre 5% e 10% da transação — e a stablecoin entra justamente para baixar esse número.

Dólar digital para quem não tem conta em dólar

Na Colômbia, ao contrário do Brasil, nem todo banco abre conta em dólar. O varejo recorre ao dólar digital para se proteger e guardar valor numa moeda mais forte.

O volume está no cross-border

É onde está a maioria dos empreendedores fintech: exportador e importador usam stablecoin para fechar contrato lá fora. O crescimento citado na mesa para esse volume foi de 175% em relação ao ano anterior.

O que trava

A porta do banco e a retenção de 2%

A segunda pergunta era prática: o que uma empresa cripto precisa hoje para operar na Colômbia, se não existe lei específica? A resposta veio em duas camadas. A primeira, de compliance: oficial de cumprimento, KYC, KYT e prevenção à lavagem. A segunda, jurídica, mapeada com escritório de advogados especializado em cripto — e foi essa que a mesa abriu em detalhe.

Exchange e wallet cabem numa sociedade local

Comprar e vender ativo é comercialização, e a Superintendência Financeira não considera isso atividade que exija licença. A wallet opera pela figura do mandato do cliente.

Captação massiva tem de morar fora

Quem emite ou faz captação precisa de licença de ativos digitais tirada em outra jurisdição — Bermudas foi o exemplo citado. A comercialização segue rodando dentro do país.

A retenção de 2% não sobrevive ao on-chain

No tributário existe uma retenção de 2% sobre a comercialização. Num negócio que cobra transação a transação, drenar esse percentual não fecha, e a estrutura acaba montada fora.

A porta que não abre é a do banco

O provedor de ativos virtuais bate na porta da entidade regulada e ouve que é zona cinza. Contas são fechadas por não caberem em categoria nenhuma, e a escala anda com freio de mão.

Há um monte de acrobacias. Inventamos e conseguimos fazer isso sem regulação. Mas isso não é sustentável a longo prazo.

Onde concordaram

Sem lei, quem ganha é quem já estava dentro

Contas fechadas, produto do banco semanas depois

O caso citado: contas de criptofundadores colombianos foram encerradas e, poucas semanas depois, o braço cripto do Bancolombia apareceu no mercado, favorecido pela mesma regra ausente.

Compliance de 13 a 15 pessoas dobra a operação

Se a régua vier alta, só o time de risco e compliance fica em 13 a 15 pessoas: é quase dobrar a operação e sair para captar de novo, com perda de competitividade e risco de oligopólio.

O banco quer entrar, mas não sabe construir

Bancos colombianos passaram a dizer que estão abertos a trabalhar com empresas de ativos digitais. Como não desenvolvem a tecnologia, o caminho é o B2B com quem já opera.

O recado

Revogar as normas da Superintendência e ouvir o gremio

Primeiro passo: revogar as normas em vigor

A recomendação de curto prazo não depende do Congresso: derrogar as normas que fazem a entidade regulada fechar a porta ao provedor de ativos virtuais por ser zona cinza.

Três anos de sandbox renderam um artigo de jornal

A arenera regulatória consumiu três anos, tempo e dinheiro, não registrou alerta nem risco e terminou sem norma: o que saiu de lá foi, literalmente, um artigo de imprensa.

O gremio comprou a capa do jornal no dia da posse

Em 7 de agosto, posse do novo presidente, a Colombia Fintech comprou uma capa falsa no jornal de maior circulação do país, El Tiempo, com a primeira página que gostaria de ver.

O modelo apontado está no Brasil

O fecho pediu ouvir o gremio, que absorve a curva de aprendizado do país, e apontou o Brasil: banca, regulador e criptofundador sentados no mesmo lugar, o que ainda não acontece lá.

O que ficou

Assentado

  • A Colômbia chegou a 5 milhões de usuários de cripto sem ter regulação própria, segundo os dados apresentados na mesa.
  • Comprar e vender ativo não é atividade vigiada pela Superintendência Financeira; captação massiva exige licença tirada fora.
  • A mesa convergiu num ponto: sem regra, quem se beneficia é o banco que já estava dentro, não o empreendedor local.
  • O sandbox regulatório consumiu três anos e terminou sem norma — o que saiu dele foi, literalmente, um artigo de imprensa.

Em aberto

  • Não há data para o Congresso retomar o debate da lei cripto; o pedido foi que venha logo e com baixo risco.
  • As normas que levam a entidade regulada a fechar a porta ao provedor de ativos virtuais seguem em vigor.
  • Qual régua de capital a Colômbia vai adotar, e se copiará a do Brasil, ficou sem resposta na sessão.
  • O corredor Colômbia–Brasil e a troca de boas práticas ficaram como pedido, sem forma nem prazo.

Termos citados

Comercialização
Compra e venda de ativos digitais por conta do cliente, no vocabulário regulatório colombiano.
A Superintendência Financeira não a trata como atividade que exija licença.
Captação massiva
Recolher recursos do público em volume, atividade reservada a quem tem licença para isso.
É a linha que obriga o emissor a buscar licença fora da Colômbia.
Mandato
Figura pela qual o cliente autoriza a plataforma a comprar e vender o ativo em seu nome.
Apresentada como o caminho para operar uma wallet dentro do país.
Provedor de serviços de ativos virtuais
Empresa que troca, guarda ou transfere ativos digitais para terceiros.
É a categoria que a entidade regulada evita por considerar zona cinza.
Gremio
Associação que representa o setor diante do legislador e do regulador.
Na Colômbia, a Colombia Fintech, citada como quem documentou o processo.
Arenera
Sandbox regulatório: ambiente em que a empresa testa o produto sob observação do regulador.
O colombiano durou três anos e não gerou norma nenhuma.
Dólar digital
Stablecoin em dólar usada como reserva de valor por quem não tem conta em moeda forte.
Na Colômbia, nem todo banco abre conta em dólar para o varejo.
KYT
Controle que acompanha a transação, além da identificação do cliente feita no KYC.
Citado ao lado de KYC e prevenção à lavagem como o mínimo de compliance.

Citados na sessãoColombia Fintech·Superintendencia Financiera·Bancolombia·Binance·Bitso·El Tiempo·Bermudas·Delaware

TemasColômbia·Regulação·Stablecoins·Remessas·Fintech

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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