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GOV Stage

12/08 · 16h50–17h35Regulation Rocks - FENASBAC45 min de sessãoresumo em 5 min

O Futuro dos Laboratórios de Inovação e Sandbox no SFN

A CVM separa o que o LEAP testa do que o sandbox autoriza — e a lição do primeiro ciclo ficou assumida: sandbox tem que ser temático.

Danielle TeixeiraAntonio Carlos Berwanger

O essencial

Contexto

Sessão da trilha Regulation Rocks, da Fenasbac, no GOV Stage, com Antonio Carlos Berwanger, superintendente da SDM da CVM, e Danielle Teixeira, da Fenasbac. A conversa mostra por que um regulador monta laboratório e como a autarquia separa o experimento em dois ambientes: o LEAP, de protótipo, e o sandbox, de operação real com cliente. Depois vêm as métricas e o que muda no próximo ciclo.

A sessão em detalhe

A tese

O laboratório entrou na régua da qualidade regulatória

A sessão começou pelo porquê: inovação é o grande propulsor de desenvolvimento econômico, e no mercado financeiro — ambiente muito regulado, de barreiras de entrada altas — o contato direto entre regulador e inovador se faz ainda mais importante. De um lado, segurança jurídica para quem empreende; do outro, entendimento do que está sendo proposto.

A IOSCO recomenda; não é escolha de estilo

A organização internacional das comissões de valores mobiliários tem recomendação específica para que os reguladores desenvolvam estruturas de apoio à inovação financeira, laboratórios inclusive.

O alvo declarado é competição e inclusão

Derrubar barreiras de entrada, estimular a entrada de novos players e democratizar o acesso a produtos e serviços, com a inclusão financeira da população como ponto de chegada.

A escada começou na consulta pública

Depois vieram a análise de impacto regulatório, a avaliação de resultado e a divulgação da agenda regulatória, que dá previsibilidade ao mercado. O laboratório é o degrau seguinte.

O estímulo à inovação não é apenas um fetiche. Os laboratórios são parte integrante da regulação.

Definição

A caixa é transparente, mas continua sendo uma caixa

De fora, o regulador vê o que acontece dentro

O desenho projetado é uma caixinha transparente: identificar, verificar e monitorar o que se passa lá dentro é a razão de ser da parede de vidro.

As paredes são salvaguardas, não decoração

Elas limitam o alcance do experimento e cuidam da proteção do investidor, incluindo a reparação de eventual prejuízo ocorrido dentro do ambiente controlado.

O experimento pode falhar, e isso está previsto

A primeira pergunta do ciclo é se aquela tecnologia funciona de verdade. Nem tudo o que entra precisa dar certo — e o aprendizado volta como norma, flexibilizando exigências que ficaram obsoletas.

Em produção

LEAP e sandbox: protótipo de um lado, cliente do outro

A CVM opera dois ambientes com lógicas opostas. No LEAP — Laboratório de Experimentação, Aprendizado e Prototipagem — parte-se de um problema levantado pelas áreas técnicas, e o ciclo é curto, de protótipo e prova de conceito. No sandbox, o participante recebe autorização para exercer uma atividade regulada de verdade, com dispensas pontuais e cliente real.

O problema vem da mesa de quem supervisiona

As áreas de fiscalização e monitoramento mapeiam dificuldades do dia a dia; a CVM publica o desafio quase como um hackathon e desenvolve a solução junto com quem levantou o problema.

O resultado do ciclo vira relatório público

O aprendizado é mútuo, do desenvolvedor e do regulador, e o que sai de cada ciclo é publicado em relatório pela CVM e pela Fenasbac.

Operação real muda o jogo do participante

No sandbox é preciso atrair cliente e parceiro e sustentar relações comerciais e financeiras de verdade — daí a questão concorrencial e a vantagem de quem chega primeiro.

Prova de campo

Dois protótipos de suitability e uma norma em consulta

Na CVM, o problema era conhecido: o investidor que negocia numa única plataforma só tem relação com aquela plataforma, e integrar essa informação entre plataformas é um desafio que só a tecnologia resolve. Dois projetos de agente integrador entraram no ciclo, e os dois entregaram.

Os dois entregaram os dados combinados

São protótipos, e protótipos não dão todas as respostas. Ainda assim, mostraram um caminho para identificar o investidor quando ele chega de plataformas diferentes.

O desdobramento tem nome: Open Suitability

A lógica é aproveitar as informações de perfil já coletadas em outras interações, reduzindo fricção e abrindo espaço para o investimento por objetivos. Aparece na conversa como em consulta pública.

O laboratório encurta a assimetria de informação

Quando o ciclo chegou à tokenização, o mercado já estava adiante: entrou proposta de exchange descentralizado, tema que ninguém havia levado ao regulador até então.

No fim do dia, a gente quer evitar o risco de a gente regular alguma coisa sem conhecer, até conhecer ao fundo como aquilo funciona.

Os números

Como se mede um laboratório, dentro e depois do ciclo

Os indicadores se separam em dois tempos. Os intraciclo são os mais intuitivos e fáceis de monitorar: quantos dos projetos admitidos chegam ao fim entregando o protótipo que se esperava deles. Os pós-ciclo são os que dizem se o laboratório valeu, e só aparecem depois que o ciclo acabou.

Pós-ciclo: o mercado usou aquela solução?

Se a área que levantou o problema adota o protótipo e quer seguir com ele, o laboratório resolveu o que se propôs a resolver. É a régua mais direta do depois.

Funding e norma completam a conta

Os britânicos mediram quantos projetos ficaram aptos a captar recursos e virar produto; a outra régua é a conexão do aprendizado com a agenda regulatória.

Do lado da Fenasbac, o número é o investimento

Do lado da Fenasbac, o acompanhamento é dos dados públicos de investimento nos projetos que passam pelos laboratórios: são milhões de reais, sinal de que o mercado olha as soluções com bons olhos.

O que trava

A provocação: licenciar um player não cria mercado

O sandbox autoriza um, e em escala reduzida

A provocação do dia anterior voltou à mesa: com todas as virtudes do sandbox, a licença vai para aquele player, naquela escala, e a visão de criação de mercado se perde.

Competitividade não se testa com um só

Se vários estivessem fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo, o efeito sobre o desenvolvimento daqueles produtos ao longo do tempo seria diferente.

O sandbox está dando licença para aquele player, para aquela determinada escala reduzida, e você acaba perdendo um pouco de criação de mercado.

O recado

A lição do primeiro ciclo: sandboxes temáticos

O diagnóstico foi aceito na mesa, com a explicação de por que a CVM não conseguiu o que a provocação sugere. O sandbox foi aberto sem restrição de tema, e o perímetro da autarquia reúne atividades completamente diferentes entre si. Mesmo com a maioria das propostas girando em torno de tokenização, não havia duas iguais: mudavam o ativo, a autorização pleiteada e a dispensa pedida.

Escolher a atividade antes de abrir a porta

Num sandbox temático a autorização, as dispensas e os limites já saem desenhados — e aí é possível admitir vários participantes com a mesma proposta ao mesmo tempo.

Os britânicos acabaram com a coorte

Em vez de selecionar um lote de propostas, passaram a operar sandbox contínuo: o regulador define o que quer ver testado, o interessado se inscreve e, cumprido o pré-requisito, entra.

Admitir e monitorar vinte é outro problema

Um sandbox temático cheio exige gente para admitir e acompanhar cada participante. O desafio passa a ser operacional, e a aposta citada para dar escala é IA e supervisão em blockchain.

O que se quer ver no próximo ciclo

Tokenização e o novo mercado tokenizado seguem na pauta da autarquia; e a inteligência artificial deve pesar cada vez mais na supervisão, para antecipar e identificar red flags.

A lição aqui é escolher atividade, fazer sandboxes temáticos.

O que ficou

Assentado

  • A CVM opera dois ambientes distintos: o LEAP, de protótipo e prova de conceito, e o sandbox, com autorização e cliente real.
  • Os dois projetos de agente integrador entregaram protótipos e apontaram um caminho para o suitability entre plataformas.
  • Na ponderação declarada pelo regulador, a gestão do risco sistêmico vem antes do time to market dos projetos.
  • A lição assumida do sandbox aberto é migrar para sandboxes temáticos, com dispensas e limites desenhados antes.

Em aberto

  • Como sincronizar o fim de uma autorização de sandbox com a edição da norma que permitiria ao participante continuar.
  • Quem admite e monitora um sandbox temático com muitos participantes: o desafio citado é operacional e de gente.
  • A coordenação com outros reguladores em temas transversais como tokenização, que envolve liquidação no Banco Central.
  • Se a definição pública de problemas de interesse, hoje usada no laboratório, chega também ao sandbox.

Termos citados

LEAP
Laboratório de Experimentação, Aprendizado e Prototipagem da CVM, de ciclos curtos e prova de conceito.
Ambiente sem autorização nem cliente real, ao contrário do sandbox.
Sandbox regulatório
Autorização temporária para exercer uma atividade regulada de verdade, com cliente real e dispensas de regra.
É o ambiente em que a saída, e não a entrada, é o ponto crítico.
IOSCO
Organização internacional que reúne as comissões de valores mobiliários.
Recomenda que reguladores criem estruturas de apoio à inovação financeira, laboratórios inclusive.
Suitability
Processo de verificar se um produto financeiro é adequado ao perfil daquele investidor.
O desafio levado ao laboratório foi fazer isso funcionar entre plataformas diferentes.
Open Suitability
Ideia de aproveitar entre plataformas as informações de perfil já coletadas do investidor.
Citado como desdobramento normativo dos dois protótipos, já em consulta pública.
Análise de impacto regulatório
Estudo prévio do efeito de uma norma, adotado como etapa de qualidade regulatória.
Degrau intermediário entre a consulta pública e os laboratórios.
Time to market
Tempo entre a ideia e a chegada do produto ao mercado.
Fica sempre atrás da gestão do risco sistêmico na ponderação do regulador.
Risco sistêmico
Risco de um problema individual contaminar o sistema financeiro inteiro.
O princípio que o regulador diz preservar antes de qualquer pressa.
Coorte
Lote de propostas selecionadas de uma vez para entrar no sandbox.
Modelo abandonado pelos britânicos em favor de um sandbox contínuo.
Agenda regulatória
Lista pública do que o regulador pretende normatizar no período.
Três projetos do ciclo conversavam com temas dessa agenda.
Marcos citados
  1. 2016-2017A CVM começa por uma iniciativa multilateral de laboratório, com grupos temáticos e estudos tornados públicos.
  2. 2020-2021No Brasil, reguladores como o Banco Central lançam suas próprias iniciativas de experimentação regulatória.
  3. Ano passadoA Fenasbac passa a apoiar e executar o laboratório de inovação da CVM.
  4. OntemUma provocação feita no evento expõe o limite de licenciar um único player dentro do sandbox.

Citados na sessãoCVM·Fenasbac·IOSCO·Banco Central·João Accioly·Open Suitability·Regulation Rocks

TemasRegulação·Sandbox regulatório·CVM·Inovação financeira·Tokenização

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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