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GOV Stage

12/08 · 16h05–16h50Regulation Rocks - FENASBAC45 min de sessãoresumo em 6 min

O Impacto dos golpes digitais no sistema financeiro Brasileiro: A cadeia de ataque de golpes e fraudes

Fenasbac e Mercado Bitcoin abriram a cadeia do golpe: R$ 99 bilhões perdidos num ano, e nenhum elo enxerga mais que um trecho dela.

Sara OliveiraFabricio Tota

O essencial

Contexto

Sessão da faixa Regulation Rocks, no GOV Stage, em dois tempos. Primeiro uma apresentação de abertura, com Sara Oliveira, da Fenasbac, sobre o relatório que a casa produziu com a GASA — a Global Anti-Scam Alliance, que está entrando no Brasil — e a cadeia de três etapas do golpe. Depois uma conversa a dois com Fabricio Tota, do Mercado Bitcoin, coautor de um artigo do relatório, sobre de quem é a responsabilidade quando o dinheiro chega na última milha.

A sessão em detalhe

Abertura

A caixa de sapato que ninguém entregaria na rua

A abertura avisou que o foco do palco ia mudar um pouco: o impacto dos golpes digitais no sistema financeiro, com um olho no mercado cripto e blockchain. Antes de entrar no relatório, veio a pergunta de quem ali não conhecia a Fenasbac — subiram muitas mãos, e a casa foi apresentada: uma instituição que se descreve como principal catalisadora da inovação no Brasil.

A Fenasbac se apresenta como catalisadora

Instituição que conecta reguladores, instituições financeiras, startups, academia e cooperativas, com a tese de que tecnologia, regulação e modelo de negócio só funcionam juntos.

A GASA está entrando no Brasil agora

A Global Anti-Scam Alliance é forte nos Estados Unidos, na Ásia e na Europa, e tem Visa, Mastercard, Google e Amazon entre os membros globais que agora olham para golpes e fraudes.

O relatório juntou regulador, banco, nuvem e telecom

O Mercado Bitcoin assina um dos artigos. Também contribuíram Aristides Cavalcante, do Banco Central, Rafael Miele, pela FEBRABAN, Ulisses Pacheco, da AWS, e Lucas Gallitto, da GSMA.

Vamos ali no banco sacar 5 mil reais, botar numa caixa de sapato, entregar para alguém na rua. Quem faria isso hoje em dia?

Os números

R$ 99 bilhões, quase 1% do PIB, evaporando

Os números são do levantamento da GASA referente a 2025, e vieram em perspectiva de país: quase 1% do PIB brasileiro evaporando em um ano com golpes e fraudes. A conta não é de um banco nem de uma plataforma — é do Brasil inteiro.

Metade dos adultos foi vítima em 12 meses

Na mesma estimativa, 50% dos adultos ouvidos disseram ter sido vítimas de golpe pelo menos uma vez nos últimos doze meses.

São 152 tentativas por pessoa a cada ano

A média dá cinco abordagens por semana para cada adulto. E três em cada quatro disseram que sabiam o que estava acontecendo — e caíram assim mesmo.

A tese

O golpe não começa no banco, mas termina nele

O primeiro mito que o relatório quis desmontar é o de que o golpe nasce na instituição financeira. A sessão saiu em defesa do sistema financeiro brasileiro — Pix e Open Finance como motivo de orgulho — para dizer que o ataque começa muito antes, numa cadeia de três etapas, e que o dinheiro só passa pelo banco ou pela exchange na última delas.

Etapa 1: montar a ficha da vítima

Com dados já vazados, o golpista monta a ficha de quem a pessoa é: onde ela se loga, o que está exposto, o que dá para usar depois. É a fase que o relatório chama de descoberta e direcionamento.

Etapa 2: engenharia social no elo mais fraco

Ele não ataca o core bancário nem o firewall: ataca a pessoa, de quem já sabe localização, família e filhos. Setenta por cento das perdas dos R$ 99 bilhões nascem aí — o WhatsApp clonado é o exemplo.

Etapa 3: a última milha, onde o dinheiro sai

É onde entram a instituição financeira e o mercado cripto. O golpe não começou ali, mas é ali que ele se encerra — e é ali que está o setor reunido neste evento.

O que trava

Cada elo enxerga um trechinho e fica na defensiva

A conversa começou pelo que o Mercado Bitcoin consegue ver: transações Pix, comportamento do cliente na plataforma, o momento em que o golpe já virou valor. É um trecho substancial da cadeia, mas ainda um trechinho de um crime que começou num telefonema, numa mensagem de WhatsApp ou numa rede social.

Colaborar esbarra em recurso e em lei

Os recursos são escassos, e nem sempre dá para abrir informação: legislação e regulação limitam o que se troca, e abrir pode expor a plataforma e a própria vítima.

O criminoso não tem esse problema

Precisa de cem contas laranja e combina com outro criminoso, que já as tem. Não assina nada, não precisa de contrato. Do outro lado, o ambiente institucional é lento e cheio de regra.

Ele vai combinar com outro criminoso também, e vai usar as contas laranjas que esse cara já tem.

Prova de campo

Bloqueou milhões e virou fraudador na lista do banco

Vieram então os casos concretos, os bons e os ruins. Nos episódios de fraude em massa no Pix, os controles próprios do Mercado Bitcoin — implementados antes mesmo da regulação cripto — identificaram comportamento atípico e seguraram alguns milhões de reais.

O bom exemplo é barrar e ligar de volta

Cliente que tipicamente não movimenta aquele volume aciona o alerta: a transação é barrada e a plataforma volta para checar se está tudo certo. Se estiver, segue.

A conta da fricção sobra para quem é legítimo

Um envio de stablecoin feito em viagem, fora do padrão de uso do cliente, acabou bloqueado — e exigiu todo o processo de desbloqueio para concluir uma transação legítima.

Ajudou num caso de fraude e virou fraudador

Um banco foi fraudado, parte do valor caiu na plataforma e só uma parte deu para bloquear. Ao colaborar para recuperar o resto, foi incluído como se fosse parte da fraude.

Cara, eu vou resolver o meu problema, eu não tô muito preocupado com o problema sistêmico. Então, quando a gente tem esse tipo de abordagem pro problema, acho que todo mundo perde.

A ruptura

Cripto deixa rastro, e o rastro é o que prende

A sensação corrente é a de que, quando o dinheiro vira cripto, acabou. Na mesa, a leitura foi o contrário: o rastro fica, e cada passagem por um gatekeeper entre cripto e moeda fiduciária é uma chance de identificar quem está do outro lado. A colaboração com polícias e com o Judiciário já acontece há algum tempo.

A ordem judicial chega pelo endereço e volta com CPF

A plataforma já recebeu pedido para bloquear uma carteira sem que o Judiciário soubesse de quem era. Bloqueada, devolveu CPF e CNPJ, e a investigação seguiu a partir dali.

Ross Ulbricht caiu por um e-mail e uma biblioteca

O mercado da deep web foi desmontado quando um vacilo ligou uma mensagem a uma conta de e-mail e a um computador de biblioteca pública. Duas prisões perpétuas, e um perdão recente de Donald Trump.

Bitcoin parado por anos e um vale-presente

Fundos congelados por quatro ou cinco anos se moveram numa compra pequena num 7-Eleven do interior dos Estados Unidos. Câmera, registro, e o casal foi preso — dezenas de milhões de dólares.

No Pix, todo mundo identificado — e todos laranjas

Num golpe Pix relatado na sessão, havia nome e CPF de quem recebeu, mas eram laranjas, e não deu em nada. A diferença de tratamento entre os dois mundos precisa ser equiparada.

O recado

Fraude não é um diferencial competitivo

O fim juntou as duas partes. De um lado, a crítica às travas que promovem atrito sem resolver — a orientação de 24 horas do Banco Central tinha saído na sexta anterior. De outro, a volta à caixa de sapato: todo mundo riu e disse que não entregaria, mas é o que acontece todo dia pelo celular. Se o crime aprendeu a transitar nas novas tecnologias, as instituições precisam trabalhar juntas. Não existe vitória solo.

A regra das 24 horas e a habitualidade do cliente

A orientação do Banco Central da última sexta entrou na conversa: cripto acima de US$ 10 mil espera 24 horas, com prerrogativa do prestador de liberar quem tem padrão conhecido há meses.

Com IA, a montagem grotesca virou foto perfeita

Quatro anos atrás dava para bater o olho numa identificação falsa. Hoje é extremamente complexo: uma campanha de marketing que explodiu no quarto dia era, na verdade, tentativa de fraude.

O risco de deixar tudo menos eficiente

Limitar por limitar promove atrito na operação de quem é legítimo, e a conta sobra no cliente. No limite, é pôr todas as ruas a 20 por hora — e até o Porsche anda a 20.

A gente tem que caminhar junto. Fraude não é um diferencial competitivo.

O que ficou

Assentado

  • O golpe não nasce na instituição financeira: começa em dado vazado e engenharia social, e só termina no banco ou na exchange.
  • Fenasbac e GASA publicaram o relatório com artigos de Banco Central, FEBRABAN, AWS, GSMA e Mercado Bitcoin.
  • Os controles próprios do Mercado Bitcoin seguraram alguns milhões de reais em fraudes Pix, antes da regulação cripto.
  • A sessão fechou num ponto só: fraude não é diferencial competitivo e não existe vitória solo na cadeia.

Em aberto

  • Quem responde pelo prejuízo — telefonia, rede social, banco, instituição de pagamento ou cripto — segue sem desenho.
  • Trocar informação entre os elos esbarra em legislação e no risco de expor cliente e vítima — ficou sem solução.
  • A orientação de 24 horas do Banco Central foi criticada no palco, sem que se apontasse o que a substituiria.
  • A diferença de tratamento entre Pix e cripto: no golpe Pix relatado, todos identificados, todos laranjas, nada de volta.

Termos citados

GASA
Global Anti-Scam Alliance, aliança internacional que reúne empresas e instituições contra golpes e fraudes.
Está entrando no Brasil e assina o relatório com a Fenasbac.
Fenasbac
Instituição que conecta reguladores, bancos, startups, academia e cooperativas em torno da inovação financeira.
Assina o relatório com a GASA e conduziu esta sessão da faixa Regulation Rocks.
Engenharia social
Ataque que mira a pessoa, e não o sistema: convencer a vítima a entregar ela mesma o dinheiro.
Origem de 70% das perdas medidas no relatório.
Última milha
Etapa final do golpe, quando o dinheiro sai da conta e passa pelo banco ou pela exchange.
É onde o mercado financeiro e o cripto entram na cadeia.
Conta laranja
Conta aberta em nome de terceiro para receber e dispersar o dinheiro do golpe.
Criminosos as compartilham entre si, sem contrato.
Gatekeeper
Ponto de passagem entre cripto e moeda fiduciária, onde alguém identifica quem está transacionando.
Cada passagem é uma chance de puxar o fio do golpe.
Instituição de pagamento
Licença que permite a uma empresa operar contas e pagamentos sem ser um banco.
O Mercado Bitcoin opera hoje como IP e como player cripto nativo.
Cooldown de 24 horas
Espera obrigatória entre a ordem e a execução de uma transferência, usada como trava antifraude.
Orientação do Banco Central para cripto acima de US$ 10 mil.
Marcos citados
  1. 2025Dados da GASA registram cerca de R$ 99 bilhões perdidos com golpes e fraudes no Brasil no ano.
  2. Ano passadoPrimeiro Anti-Scam Forum da GASA leva ao palco o relato de uma vítima real de golpe.
  3. Mês passadoFenasbac e GASA lançam o relatório internacional sobre o impacto dos golpes digitais.
  4. Última sextaBanco Central divulga orientação de 24 horas para transferências de cripto acima de US$ 10 mil.

Citados na sessãoFenasbac·GASA·Mercado Bitcoin·Visa·Mastercard·Google·Amazon·Banco Central·FEBRABAN·AWS·GSMA·Aristides Cavalcante·Rafael Miele·Ulisses Pacheco·Lucas Gallitto·Pix·Open Finance·WhatsApp·Facebook·Ross Ulbricht·Donald Trump·7-Eleven

TemasGolpes e Fraudes·Engenharia Social·Regulação·Pix·Cripto

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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