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Trends Stage

12/08 · 10h35–11h1540 min de sessãoresumo em 5 min

Construindo a Infraestrutura Pública 4.0 na América Latina: como as tecnologias emergentes estão moldando os governos de amanhã

Serpro, Petrobras e BB Asset foram cobradas do que já está rodando: CPF em blockchain, presença por NFC e um fundo cripto em banco público.

Marcelo A. F. CuriRafael FragaVictor Hugo Ferreira Gonçalves

O essencial

Contexto

Painel de abertura do Trends Stage, com curadoria da Cardano Foundation e apoio de Petrobras, BB Asset e Serpro. O moderador mudou em cima da hora: Rafael Fraga assumiu a condução e Marcelo A. F. Curi foi para a bancada. Em vez de futurologia, a mesa passou a sessão cobrando de cada casa o caso que já está em operação — e o que ainda impede a escala.

A sessão em detalhe

Abertura

Três estatais e uma pergunta: o que já está rodando?

Marcelo A. F. Curi estava anunciado como moderador, mas a troca foi comunicada no palco, em cima da hora: quem conduziu foi Rafael Fraga, e Curi passou para a bancada. A sessão abriu pela definição do tema e, a partir dela, foi cobrando de cada casa o que está em operação hoje.

Infraestrutura 4.0, a definição que abriu o painel

É a infraestrutura que já utiliza tecnologias de ponta e inovação tecnológica. Ao se perguntar quais delas são core dessa camada, blockchain e inteligência artificial foram as duas postas na mesa.

A Petrobras chegou com duas cadeiras

Uma da operação, com o gerente de logística, e outra da frente de blockchain, com o coordenador do comitê técnico de conhecimento em blockchain da companhia. Serpro e BB Asset completaram a mesa.

Em produção

Serpro: CPF, CNPJ e o boi antes do frigorífico

Apresentado como a maior empresa pública de tecnologia da América Latina, o Serpro veio com caso concreto: inteligência artificial e blockchain são as duas tecnologias mais alavancadas hoje pela casa — com uma condição posta antes das duas, e ela se chama segurança.

Segurança é o pilar número 1, e vem antes

A empresa detém as bases de dados de todos os brasileiros e das empresas; qualquer descuido com inteligência artificial vira uma vulnerabilidade que pode ser explorada.

Rastrear o boi virou requisito de exportação

No abate é preciso saber em que área o animal estava quando foi para o frigorífico. Cada país importador cobra um protocolo, e o agro ainda precisa se modernizar.

A parceria com a Cardano caminha para dois anos

Trilhas educacionais e projetos de impacto social estão entre os desdobramentos citados, ao lado de nuvem soberana e reforma tributária digital nas frentes abertas da estatal de tecnologia.

A gente já colocou toda a base de CPFs, CNPJs dentro de uma arquitetura blockchain.

A tese

O ativo da logística não é o navio: é a informação

A Petrobras compra, processa e vende num mercado internacional maduro e cheio de amarras documentais impostas por lei. Nessa engrenagem, a vantagem competitiva está na gestão do dado, que atravessa áreas e silos que nem sempre conversam. E a escala é o que torna o erro caro: a produção gira em torno de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Quando a Saudi Aramco parou de emitir o papel

O documento físico exigido para o despacho aduaneiro deixou de ser emitido, e os portos brasileiros não estavam preparados. A mudança acontece com ou sem a disposição da empresa.

Medir petróleo não é abastecer o carro

Não existe contraprova no fim da viagem: interferências humanas e climáticas, de temperatura a pressão, produzem oscilações e incerteza a cada transferência de custódia.

A régua oficial tem quatro casas decimais

As tabelas de conversão regulatórias vêm do antigo CNP, das décadas de 70 e 80, enquanto a lógica computacional de hoje permitiria um nível de precisão bem maior.

O nosso principal ativo não é um modal de transporte, um veículo, não é um sistema e sim a informação. A gente vive de informação.

A ruptura

Cem anos de terceiro validador postos em xeque

Desde 96, o mercado financeiro passou do fim das rodas de negociação à virada para o eletrônico — e a BB Asset chegou ao painel com essa régua. O ponto do blockchain, ficou dito, não é digitalizar mais uma camada, já que quase tudo é digital, e sim transacionar com um terceiro sem precisar confiar nele.

O fundo cripto nasceu em banco público em 2021

Passou por uma série de instâncias de compliance e só foi possível porque os ETFs já constavam no portfólio dos reguladores. Em 2024 veio o Lift Labs, da Fenasbac com o Banco Central.

A provocação veio do Bitcoin e do Facebook

Foi o Bitcoin, somado à tentativa do Facebook de lançar uma moeda global, que pôs na mesa a discussão de uma remodelagem do sistema financeiro.

De mercado que competia a ecossistema

Cada um passa a atuar na sua expertise dentro de uma cadeia completa, com liquidações instantâneas e atômicas que eram impensáveis dez ou quinze anos atrás.

Você não precisa mais desse terceiro validador, você muda muito essa configuração.

Prova de campo

O primeiro caso de uso foi registrar presença

Encostar o celular e a presença fica gravada

Um celular com NFC toca um artefato com outro NFC e o registro vai para a rede. O mesmo mecanismo serviria a pesquisas e à segmentação de público em eventos.

A rede foi escolha técnica, não bandeira

A parceria com a Fundação Cardano se deu por escolha absolutamente técnica, voltada à confiabilidade e à segurança. O uso segue como experimento nos cursos de formação.

Primeiro lugar com dois casos inscritos

Um de operação e um de P&D renderam o topo do prêmio de inovação da PwC no ano passado, com repercussão interna. O alvo seguinte é a logística transversal.

Encostar um celular que já tinha um NFC num artefato que tinha outro NFC e registrar a presença da pessoa em blockchain do empregado Petrobras.

O que trava

O gargalo é regra e gente, não infraestrutura

A regulação é o primeiro bloqueio citado

Por ser estatal, a Petrobras trabalha antecipando possíveis regulações. A infraestrutura já saiu da lista: está bem mapeada e desenvolvida.

Letramento digital antes de cobrar resultado

A companhia começou um processo interno de letramento digital para ampliar a base — como no futebol, não adianta querer um resultado com a base fraca.

No Serpro, o freio tem o mesmo nome

A leitura se repete do lado da estatal de tecnologia: a regulamentação acaba sendo o maior dos entraves, e cada serviço depende do apetite do ministério e de a assinatura eletrônica valer.

O recado

O país é segundo do mundo em governo digital

Gov.br consolidado, carro transferido no eletrônico

Um estudo do Banco Mundial de uns quatro anos põe o Brasil nessa posição. O Gov.br virou plataforma consolidada, e vender um carro e fazer a transferência já é tudo eletrônico.

Um QR Code na mão de quem pedia dinheiro

Contou-se na mesa o retorno ao país depois de quatro anos, com o Pix implementado no intervalo: na rua, um pedinte oferecia o QR Code para escanear e transferir o quanto se quisesse.

Cidadania como ponto de chegada

Na palavra final, ficou dito que a tecnologia não pode terminar nela mesma: crédito para quem precisa de crédito, vacinação digital, serviço resolvido pelo celular.

O que ficou

Assentado

  • A base de CPFs e CNPJs do Serpro já está dentro de uma arquitetura blockchain, e não como piloto.
  • A Petrobras grava presença de empregado em blockchain por NFC, em uso experimental nos cursos de formação.
  • A BB Asset mantém fundo com tema criptoativo desde 2021, viabilizado depois que os ETFs entraram no radar dos reguladores.
  • Petrobras e Serpro nomearam a mesma trava principal: a regulação, e não a infraestrutura nem a tecnologia.

Em aberto

  • As tabelas de conversão do antigo CNP, com quatro casas decimais, seguem sendo a régua oficial de medição.
  • A captura de valor na logística transversal da Petrobras foi apresentada como próximo passo, sem prazo nem número.
  • A mesa nomeou a regulação como o maior dos entraves, mas ninguém apontou na sessão o que a faria andar.

Termos citados

Infraestrutura 4.0
Infraestrutura pública que já opera sobre tecnologias de ponta e inovação tecnológica.
Definição usada para abrir o painel.
Óleo equivalente
Base única que soma gases, líquidos e sólidos para comparar volumes de produção.
A Petrobras produz cerca de 3 milhões de barris por dia nessa base.
CNP
Antigo órgão do setor de petróleo citado como origem das tabelas de conversão ainda em uso.
As tabelas herdadas dele têm apenas quatro casas decimais.
Transferência de custódia
Ponto em que a responsabilidade sobre a carga muda de mãos ao longo do caminho.
Onde se acumulam as incertezas de medição descritas na operação da Petrobras.
Terceiro validador
Instituição que atesta a transação entre duas partes: um banco, o regulador, o Banco Central.
A figura que a rede blockchain dispensa, e cuja perda obriga todo ator a se repensar.
Liquidação atômica
Liquidação em que as duas pontas da operação acontecem juntas, ou não acontecem.
Citada como algo impensável dez ou quinze anos atrás.
NFC
Comunicação de curta distância que troca dados quando dois aparelhos se aproximam.
Base do registro de presença de empregados da Petrobras em blockchain.
Lift Labs
Programa da Fenasbac com o Banco Central, citado no painel como etapa da jornada da BB Asset.
Banco do Brasil e BB Asset participaram em 2024.
Marcos citados
  1. Anos 70-80Tabelas de conversão do antigo CNP, com quatro casas decimais, viram a régua regulatória — e seguem em vigor.
  2. 1996Referência trazida ao painel: o mercado financeiro ainda no tempo das rodas de negociação, antes da virada para o eletrônico.
  3. 2021BB Asset cria um fundo com tema criptoativo dentro de um banco público, depois de passar pelo compliance.
  4. 2024Banco do Brasil e BB Asset participam do Lift Labs, programa da Fenasbac com o Banco Central.
  5. Ano passadoPetrobras fica em primeiro lugar no prêmio de inovação da PwC, com dois casos de uso inscritos.

Citados na sessãoCardano Foundation·Serpro·Petrobras·BB Asset·Banco do Brasil·Saudi Aramco·PwC·Fenasbac·Banco Central·Gov.br·Banco Mundial·Bitcoin·Pix

TemasSetor Público·Blockchain·Infraestrutura 4.0·Rastreabilidade·Regulação

Quem falou

Também na programaçãoVictor Hugo Ferreira Gonçalves

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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