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Trends Stage

12/08 · 14h05–14h4540 min de sessãoresumo em 6 min

A verdade sobre consórcios: quando faz sentido, quando não faz e onde mora o risco (Painel exclusivo BlockBR)

Quase 15 milhões de cotas ativas e uma conta que nem dono de gestora sabe refazer: a mesa foi atrás de onde falta transparência.

Cassio KrupinskFernando Rodrigo de FariaRicardo Fagundes

O essencial

Contexto

Painel exclusivo da BlockBR no Trends Stage, conduzido por Cassio Krupinsk, com Ricardo Fagundes, da Consclic, administradora regulada pelo Banco Central, e Fernando Rodrigo de Faria, do lado da venda. A pauta foi por que o consórcio cresceu tanto, o que o modelo entrega sem juros e onde ele falha: a conta que ninguém explica, o cotista preso ao vendedor e o dinheiro institucional entrando na disputa pelo lance.

A sessão em detalhe

Abertura

Por que todo mundo hoje está falando de consórcio

Painel exclusivo da BlockBR no Trends Stage. A abertura apresentou a casa como infraestrutura de capital digital e tokenização, e o consórcio como uma das frentes que ela quer explorar. Em vez de vender a tese, a condução partiu de perguntas: como era antes, como é hoje, e por que falta transparência num mercado que só cresce.

A BlockBR chegou como infraestrutura

A apresentação foi de uma empresa que desenvolve mercado, e não só tecnologia: a frente é a de capital digital e tokenização, com o consórcio entrando como uma das oportunidades.

Dois lados: quem administra e quem vende

De um lado, a Consclic, administradora regulada pelo Banco Central. Do outro, o lado da venda, com a visão do dia a dia de quem oferece a cota e do que as pessoas procuram.

Definição

O consórcio não depende do sistema financeiro

Sobre o tamanho do mercado, a resposta foram os últimos números do Banco Central: quase 15 milhões de cotas ativas, com crescimento muito forte nos últimos três anos. E o modelo foi separado do resto: quem entra não é investidor, é cotista, e o que sustenta o grupo é a associação de pessoas — mais perto do cooperativismo do que de um banco.

Atravessou hiperinflação e crises sem quebrar

A mesa percorreu os ciclos da economia brasileira, da hiperinflação ao ano de 2008 e sua abundância de crédito. Mesmo em períodos de turbulência, ficou dito, esse modelo não quebra.

Compra planejada e sem juros, com Selic alta

O principal benefício apontado foi comprar sem pagar juros, num momento em que vários tipos de financiamento estão impagáveis e a inadimplência aparece nas métricas do Banco Central.

100% dos participantes são contemplados

Consórcio não é loteria: a dúvida é quando, não se. Pode ser na constituição do grupo, no meio do caminho ou lá no encerramento — mas a certeza é que todos os participantes são contemplados.

O consórcio, ele não depende do sistema financeiro. O consórcio, ele depende da associação de pessoas que contribuem com o propósito da aquisição de um bem ou de um serviço.

O que trava

O cotista fica 100% dependente de quem vendeu

A crítica entrou na mesa em forma de dúvida corriqueira: comprei uma cota, para onde eu olho? Fico ligando para quem me vendeu? São 12, 14, 15 anos de relação. A pergunta foi tratada como justa, e a resposta descreveu o mercado como ele funciona hoje, do lado de quem vende.

Se o vendedor some, sobra o SAC

Se o vendedor morre, some ou deixa a empresa, resta ligar para o SAC da administradora, descrito como interminável — e do outro lado da linha nem sempre alguém sabe responder.

Ninguém sabe refazer a conta do consórcio

Mesmo donos de gestoras de fundo travam quando se pede que expliquem a conta. Sem entendimento, a venda não se concretiza, e a falta de transparência vira o freio do setor.

A adimplência do grupo deveria estar à vista

A proposta apresentada é o cotista acompanhar toda a trajetória, da contratação da cota à contemplação, com indicadores como a taxa de adimplência do grupo na palma da mão.

E você 100% fica dependendo da resposta do seu vendedor. Cria um conflito enorme de interesse.

A tese

Tokenizar o consórcio não é fracionar a cota

A mesa foi para a frente da BlockBR: o que o blockchain resolve num mercado como esse. A resposta foi contra a leitura mais comum, a de que tokenizar é fracionar a cota. E, sobre o dinheiro institucional que já entrou, veio um pedido de cuidado do lado da administradora: se estão entrando é porque o mercado é bom, mas abrir o segmento a um grupo pequeno exige formação coletiva.

Tokenização não é só fracionar um ativo

Ela também pode ser isso, mas é descrita como pegar todo o fluxo do processo, onde estão os problemas, e transformá-lo em gestão, transparência e eficiência para quem opera.

Banco, corretora, gestora e family office já olham

O dinheiro institucional foi listado como já dentro do jogo. E não seria para oferecer produto ao varejo e ganhar spread, e sim para aproveitar o que vem daqui para frente.

A carta de 300 mil contra o bolso do fundo

Um cotista com carta de 300 mil reais para comprar o imóvel, num grupo em que fundos dão lance, passa a depender da sorte. A resposta oferecida foi financiar o lance do varejo.

A tokenização não é isso. Ela também pode ser isso, mas ela é muito mais.

Os números

As cotas sobem; as contempladas, não

Sobre as críticas, ficou dito que não era preciso trazer nada de fora: bastava abrir o site do Banco Central. E a série foi lida de duas maneiras ao mesmo tempo — o volume de cotas ativas sobe sem parar, mas a quantidade de contempladas não acompanha o mesmo ritmo.

Vinte anos de cotas subindo, saindo de 4 milhões

Analisada desde que o Banco Central começou a publicar, a série mostra o volume de cotas ativas partindo de perto de 4 milhões e ascendente ao longo dos últimos 20 anos.

A linha de contempladas não acompanha

No mesmo período, a linha de cotas contempladas tem estabilidade. A leitura trazida foi de que o modelo de negócio praticado pode estar criando um problema ali na frente.

Vende-se expectativa, e até dentro de igreja

Trabalha-se muito o desejo e a expectativa de ser contemplado. Contou-se na mesa que há cota sendo vendida em igreja, com a promessa de que a contemplação virá de Deus.

Em aberto

Contemplado, agora comprove onde você mora

A plateia fez duas perguntas: a liberação do crédito depois da contemplação e onde o produto estaria disponível. A primeira abriu o ponto mais concreto da sessão, e a segunda virou anúncio. No fim, a palavra usada para o efeito do blockchain no setor foi corrigida no palco: não é revolução, é evolução.

A liberação do crédito ainda é manual

Foi dito no palco que o processo é feito manualmente e que a separação de documentação poderia ficar com agentes de inteligência artificial, otimizando muito o tempo de liberação.

Comprovar endereço para quem já mandava boleto

O exemplo veio da bancada: parcelas rigorosamente em dia, o cotista é contemplado e a administradora pede comprovação de endereço — o mesmo endereço do boleto de todo mês.

Lista de interesse aberta para o primeiro grupo

À pergunta sobre onde estará disponível, a resposta foi um link já no ar, com lista de interesse para a formação do primeiro grupo da Consorx, nome citado no palco.

O que ficou

Assentado

  • Pelos últimos números do Banco Central citados na mesa, o país tem quase 15 milhões de cotas ativas.
  • A mesa concordou que falta transparência no consórcio e que parte das críticas nasce da ânsia de vender.
  • A administradora afirmou, sem contestação na mesa, que 100% dos participantes de um grupo são contemplados.
  • Banco, corretora, gestora e family office já estão dentro do mercado de consórcio, segundo a BlockBR.

Em aberto

  • Por que a linha de cotas contempladas fica estável enquanto o total de cotas sobe há uns 20 anos.
  • A liberação do crédito depois da contemplação segue manual, e a saída citada foi IA, sem prazo nem piloto.
  • Perguntada sobre os próximos cinco anos, a mesa disse ser praticamente impossível saber o que vai acontecer.

Termos citados

Cotista
Quem compra uma cota e aporta mensalmente no grupo de consórcio.
Na mesa, foi dito que ele não é um investidor, e sim um cotista.
Contemplação
Momento em que o participante passa a ter direito ao crédito do grupo.
A administradora afirmou que 100% dos participantes chegam lá; o que não se sabe é quando.
Carta de crédito
Valor liberado ao contemplado para comprar o bem ou serviço planejado.
O exemplo dado foi uma carta de 300 mil reais para a compra de um imóvel.
Lance
Oferta feita pelo cotista para tentar antecipar a própria contemplação no grupo.
Com fundos no mesmo grupo, quem tem bolso maior tende a vencer o lance.
Financiamento de lance
Recurso emprestado ao cotista para que ele consiga dar o lance e antecipar o crédito.
Apresentado como resposta à entrada de dinheiro institucional nos grupos.
Mercado secundário
Espaço em que uma cota em andamento é vendida a outra pessoa em vez de ser cancelada.
Citado como saída para o cotista que não quer ou não pode continuar pagando.
Taxa de adimplência
Proporção do grupo que está com as parcelas em dia ao longo do plano.
Indicador que, na proposta apresentada, o cotista deveria enxergar do próprio grupo.
Tokenização
Levar o fluxo inteiro de um processo para registro digital, e não apenas fracionar um ativo.
A distinção que a BlockBR usou para separar tokenizar de fracionar a cota.
Administradora
Empresa que gere os grupos de consórcio e responde ao Banco Central pelas regras do setor.
Papel da Consclic na mesa, e alvo das críticas de transparência do painel.
Marcos citados
  1. 1991Ponto de partida citado para os normativos que foram trazendo mais segurança ao consórcio.
  2. 2008Ano de abundância de crédito lembrado na mesa: nem ali, nem nas crises, o modelo teria quebrado.
  3. Há 20 anosComeça a série de cotas ativas do Banco Central, com um volume perto de 4 milhões de cotas.
  4. Últimos 3 anosO crescimento do mercado de consórcio acelera de forma muito forte, segundo a administradora.

Citados na sessãoBlockBR·Consclic·Consorx·Banco Central·Selic

TemasConsórcio·Tokenização·Transparência·Mercado Secundário·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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