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Trends Stage

12/08 · 12h55–13h3540 min de sessãoresumo em 6 min

Blockchain e IA: O Futuro da Transição Energética

EPE, CCEE, Justoken e Multiledgers na mesma mesa, e a mesma conclusão: sem dado confiável e padronizado, nem blockchain nem IA mudam a matriz.

Ariel ScaliterJoão CarvalhoFernando Campos

O essencial

Contexto

Painel do Trends Stage mediado por João Carvalho, aberto com a resolução que a ANEEL publicou em janeiro deste ano. A mesa foi cobrada caso a caso: o que a EPE precisa para planejar, o que a CCEE já tokeniza há dois anos, o que a tokenização de energia toca de fato e por que a regulação segue sendo o freio. A sessão entrou atrasada e terminou negociando minutos.

A sessão em detalhe

Abertura

A resolução de janeiro abriu novas fontes de receita

A abertura registrou que não dá mais para falar apenas de blockchain num evento de blockchain, e que energia é o assunto mais importante para a economia. O evento provoca esse tema desde 2018, mais ou menos, e a virada veio em janeiro deste ano, com uma resolução da ANEEL apontada ali como abertura de novas soluções para o mercado e de novas fontes de receita para as concessionárias.

Não é só setor elétrico: petróleo e gás também

O recorte anunciado no palco foi de energia, não apenas de eletricidade. Petróleo e gás entraram na mesma mesa, e ficou dito na abertura que o painel também servia para aprender com os convidados.

A pergunta que abriu: a metodologia ainda basta?

A abertura lembrou que a transição energética virou tema complexo, com muitas fontes de geração, e pôs a questão: a metodologia tradicional de planejamento ainda é suficiente para lidar com essa velocidade?

A tese

Sem informação crível, o planejamento falha

A EPE é empresa de planejamento e tenta olhar algo à frente. A resposta na mesa começou antes da tecnologia: primeiro é preciso ter informação — crível, confiável. Sem ela não se consegue planejar, e o exemplo dado foi o do carro cujo consumo por litro se desconhece diante de uma viagem de 400 quilômetros até São Paulo.

Os quatro dês, e um quinto somado na hora

Digitalização, descentralização, descarbonização e desenvolvimento — os quatro dês citados na mesa, mais a democratização somada em seguida. Quanto mais o sistema se descentraliza, mais informação o planejamento precisa para não falhar.

A abertura da baixa tensão cai no colo da CCEE

A abertura do mercado de baixa tensão foi citada como desafio grande, sobretudo para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que vai precisar de cada vez mais informação para fazer um planejamento adequado.

Uma consulta pública que acabou de fechar

O Ministério de Minas e Energia encerrou há pouco uma consulta pública sobre uma estratégia nacional, apontada na mesa como algo que tende a trazer robustez ainda maior ao país.

Como é que você sabe que a geração realmente gerou aquilo e você pode comercializar? Informação é tudo, informação é tudo.

Em produção

CCOrigin: a câmara já tokeniza o atributo renovável

Energia é indústria base e questão de segurança nacional e, com a demanda de inteligência artificial, o tema está no centro. Daí a mesa foi direto ao caso que valeria destacar se fosse preciso destacar um: o CCOrigin, produto que a CCEE lançou há dois anos.

O alvo era o duplo registro do mesmo atributo

O produto tokeniza o atributo de energia renovável na geração. O objetivo declarado foi evitar um duplo registro do mesmo atributo, o que pode causar confusão no mercado.

Ambidestria: manter rodando e procurar inovação

Na leitura vinda da área de arquitetura, o trabalho da casa é de ambidestria: manter as coisas funcionando como estão hoje e, ao mesmo tempo, estudar a aplicabilidade antes de sair aplicando tecnologia.

O critério: risco alto, e o registro traz confiança

O desafio é definir os casos de uso dentro de um oceano azul de oportunidades. O filtro apresentado: onde o risco é muito alto e o registro em blockchain pode trazer confiança.

Onde o risco é muito alto, o registro do blockchain pode trazer confiança.

Definição

Tokenizar energia: a resposta é múltipla

A pergunta foi de definição: quando se fala em tokenização de energia, o que exatamente se está tocando — a energia, o ativo que a produz, o contrato ou o direito econômico associado? A resposta veio múltipla: é tudo isso, e o atrito real está nos oráculos, no momento de trazer para a rede uma informação vinda de fora dela.

Provar a propriedade no mundo real e on-chain

Em mercado regulado, é preciso demonstrar a propriedade de qualquer ativo nos dois lugares ao mesmo tempo: no mundo real e on-chain. Sem isso, o token não sustenta o valor que representa.

Onde estão os problemas que já existem

A lista posta na mesa: financiamento, balanço das companhias, garantias líquidas, colateralização, rastreabilidade, certificação e fracionamento — com trabalho de rastreabilidade já em curso com a YPF Luz, na Argentina.

Hiperregulado: e a régua da segurança

Toda tecnologia nova encontra um stopper na regulação, ainda que cerca de 90% do que dá para fazer caiba nas normativas que já existem. A contrapartida veio na mesma hora: energia é questão de segurança, e a ANEEL tem de validar e autorizar.

Blockchain não tem que inventar. Blockchain tem que resolver problemas que existem.

A ruptura

Tirar o peso da tecnologia, como foi com a internet

A pergunta seguinte foi se o blockchain pode se tornar infraestrutura permanente, como já são as redes de comunicação e os sistemas financeiros. A resposta foi de método: tirar um pouco o peso da tecnologia. Assim como lá atrás com a internet, foi quando se tirou a visão da tecnologia que ela começou a ser incorporada e a fluir.

O foco tem de ser o negócio, não a camada

A casa desenvolveu uma metodologia para pensar modelos descentralizados a partir do negócio. A tecnologia não é vertical: é horizontal, e precisa de diversos pontos de informação.

Hoje o uso está preso a certificação e financiamento

No mercado de energia, o blockchain aparece extremamente focado em certificações e na parte de financiamento. Ainda há limitações, e dá para evoluir muito mais do que se evoluiu até aqui.

De ecossistemas separados para um sistema só

No fecho, as pontas se juntaram: energia elétrica, óleo e gás e térmicas deixam de ser ecossistemas separados e viram um sistema único, com camadas de informação e governança para sustentá-lo.

Você não fala mais de ecossistemas, você fala de um único sistema.

Prova de campo

Até 20% a mais na mesma linha, se der para confiar

O medidor precisa de quem certifique o número

Sensores na linha permitem elevar a capacidade em certos momentos, o Dynamic Line Rating. A medição vem do equipamento de uma determinada empresa, e alguém tem de certificá-la: por token, por blockchain ou de alguma outra forma.

187 mil quilômetros para ganhar eficiência

A conta é de escala: são 187 mil quilômetros de linha de 230 mil volts para cima, fora todas as outras distribuições. Um ganho ali vira ganho absurdo para a transmissão.

Bilhões de cálculos para dizer se vai ter sol

O planejamento roda bilhões de cálculos: se num determinado dia vai ter sol, se dá para armazenar no reservatório hidrelétrico, se a linha transmite, se haverá gás natural. Quanto mais informação, mais IA para tratá-la.

O recado

A pergunta final: qual das duas muda a matriz?

O carro elétrico como carteira de energia

A projeção posta na mesa: quase 30% do parque de carros do Brasil elétrico daqui a três ou quatro anos, com a ANEEL já trabalhando para permitir que qualquer bateria devolva energia a um mercado secundário.

A união das duas, caminhando junto

A resposta não escolheu uma: veio a união das duas tecnologias, e é caminhando junto que elas vão proporcionar a transformação de fato.

Padronização e dado confiável primeiro

As duas tecnologias precisam de padronização e de dados confiáveis antes de tudo. A IA dá ganho de curto prazo nos processos; o blockchain exige acordos entre vários players e leva mais tempo.

78 gigas de geração distribuída, e subindo

A EPE revê para cima a geração distribuída no fim do horizonte do plano: de 78 gigas para 80 e alguma coisa. E a 2ª Revisão Quadrimestral põe os novos data centers como carga nova até 2030.

O que ficou

Assentado

  • A CCEE lançou o CCOrigin há dois anos para tokenizar o atributo renovável e evitar duplo registro de geração.
  • A mesa pôs informação confiável e tratamento de dado antes de qualquer escolha de tecnologia.
  • Na pergunta final ninguém escolheu uma tecnologia só: as duas foram dadas como caminho, e caminhando juntas.
  • Em janeiro deste ano a ANEEL publicou a resolução apontada na sessão como abertura para novos modelos de negócio.

Em aberto

  • Ficou a estimativa de que cerca de 90% já cabe na norma, e a ressalva de que a ANEEL ainda precisa validar e autorizar.
  • Nenhum caso em produção combinando blockchain e inteligência artificial foi detalhado na mesa.
  • A consulta pública do Ministério de Minas e Energia fechou, mas o resultado dela não foi apresentado ali.
  • Quem certifica a medição que libera os 20% extras ficou em aberto: token, blockchain ou alguma outra forma, sem que a mesa fechasse o caminho.

Termos citados

CCOrigin
Produto da CCEE que registra em blockchain o atributo renovável da geração de energia.
Lançado há dois anos para evitar o duplo registro do mesmo atributo.
Atributo renovável
Certificação de que determinado volume de energia foi gerado por fonte renovável.
É o que o CCOrigin tokeniza, para que não seja registrado duas vezes.
Dynamic Line Rating
Uso de medição das condições da linha de transmissão para elevar sua capacidade em certos momentos.
Permite até 20% a mais em certos momentos na mesma linha.
Oráculo
Serviço que leva para dentro da rede blockchain um dado que veio de fora dela.
Apontado na sessão como o ponto de atrito da tokenização de energia.
Geração distribuída
Energia gerada no próprio ponto de consumo, como painéis solares em casas, prédios e condomínios.
A EPE revê para cima os 78 gigas previstos no fim do horizonte do plano.
Abertura do mercado de baixa tensão
Permitir que consumidores pequenos escolham de quem compram energia elétrica.
Citada como desafio grande, sobretudo para a CCEE.
Sandbox regulatório
Ambiente em que o regulador autoriza testar um modelo novo sob regras temporárias.
Apareceu na discussão sobre o que o mercado elétrico ainda não comporta.
2ª Revisão Quadrimestral
Relatório de revisão das projeções de carga do sistema elétrico brasileiro.
Lançado na semana anterior ao painel por CCEE, EPE e ONS.
Wallet de energia
Metáfora para o carro elétrico e o carregador como pontos que guardam e devolvem energia.
Base do mercado secundário projetado ali para os próximos anos.
Marcos citados
  1. ~2018O evento passa a provocar o tema de energia, pelo relato feito no palco, e deixa de tratar só de blockchain.
  2. 2020Blockchain já é tema em revista de panorama de energia da FGV, seis anos antes deste painel.
  3. 2022Painel de energia de uma hora na edição tratada ali como a primeira; a gravação está no canal do evento.
  4. Há ~2 anosA CCEE lança o CCOrigin, produto que tokeniza o atributo renovável da geração de energia.
  5. Jan. deste anoA ANEEL publica a resolução apontada como porta para novas fontes de receita às concessionárias.
  6. Semana passadaCCEE, EPE e ONS lançam a 2ª Revisão Quadrimestral das projeções de carga do sistema.
  7. Até 2030Entrada de novos data centers com carga equivalente a uma cidade de 3 a 4 milhões de habitantes.

Citados na sessãoANEEL·CCEE·EPE·ONS·Ministério de Minas e Energia·Justoken·Multiledgers·Mentors Energy Consulting·CCOrigin·YPF Luz·FGV·Linux Foundation·Blockchain.RIO

TemasEnergia·Transição Energética·Tokenização·Inteligência Artificial·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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