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Trends Stage

13/08 · 10h25–11h0540 min de sessãoresumo em 6 min

Blockchain e a Transformação dos Processos Educativos: Certificação, Transparência e Inovação

Painel mediado pelo Sesc pôs o senso crítico antes da tecnologia e tratou blockchain como forma de validar o que se aprende fora da escola.

Luisa FoscoCarol SantosAmanda Cristina Salomão Doria

O essencial

Contexto

Primeiro painel do segundo dia do Trends Stage, mediado por Amanda Cristina Salomão Doria, da área de Arte, Ciência e Tecnologia do Sesc, com Carol Santos, do Instituto Educar+, e Luisa Fosco, da Fabulosa Lab. Três perguntas guiaram a mesa: leitura crítica das tecnologias descentralizadas, valorização das aprendizagens formais e não formais e preparo das instituições. As respostas voltaram ao território e à escuta.

A sessão em detalhe

Abertura

Três perguntas, um palco só de mulheres

O painel abriu o segundo dia do Trends Stage com mediação do Sesc, pela área de Arte, Ciência e Tecnologia, e com Instituto Educar+ e Fabulosa Lab na bancada. A abertura já anunciou o formato: três perguntas separadas de antemão e a conversa correndo por elas, sem aula introdutória sobre o que é blockchain. Antes da primeira resposta, ficou registrado o que estava no palco: uma mesa só de mulheres.

Três perguntas, nenhuma sobre o que é blockchain

A primeira tratou da compreensão crítica das tecnologias descentralizadas; a segunda, da valorização de aprendizagens construídas fora e dentro da escola; a terceira, do preparo das instituições.

O Sesc entrou pela porta da arte e da ciência

A área que mediou o painel trabalha para democratizar o acesso ao conhecimento científico, e foi por ela que a discussão sobre blockchain e educação chegou a este palco.

A tese

O senso crítico vem antes da tecnologia

A resposta à primeira pergunta veio invertendo a pergunta. Não se começa apresentando o que é blockchain e o que é cripto para depois cobrar leitura crítica: começa-se perguntando como aquilo entra na realidade do estudante e como esse estudante vai para o centro da discussão. O senso crítico, nessa ordem, não é resultado da tecnologia, é o que permite olhar para ela.

Cripto e Web3 são um caminho, não o caminho

O ecossistema aparece como uma possibilidade de formação e de trabalho entre outras. Para poder escolher, a juventude precisa antes saber que essa possibilidade existe.

Derrubar a barreira do desconhecido

A meta desenhada na mesa é concreta: que o jovem, ao ouvir blockchain ou NFT depois, não se assuste e reconheça o termo, porque já ouviu falar daquilo em algum lugar.

Formar humanos, e não mão de obra

A mesa completou pelo propósito da educação, que não é formar mão de obra, e sim gente capaz de lidar com desafios complexos. O senso crítico já é, por si, uma habilidade a desenvolver.

No primeiro momento que eu ouvi falar sobre blockchain, eu falei: que loucura. Tem gente que não consegue nem pronunciar. Porque realmente não é uma palavra fácil.

Definição

Na Web2, o usuário é passivo e o lucro é da plataforma

A conversa passou ao que a Web3 propõe além da tecnologia. O nome já anuncia uma nova fase e um novo modelo de internet, diferente do que se convencionou chamar de Web2: as plataformas e as redes sociais como elas estão hoje, em que o usuário ocupa um lugar bastante passivo, consome, gera dado que não controla, não sabe para onde ele vai e vê o lucro se concentrar nas mãos das plataformas.

"É só uma ferramenta" não se sustenta

A tecnologia não é neutra, argumentou-se. Essas ferramentas são sofisticadas o bastante para usar quem as usa e moldar comportamento, e é esse o diagnóstico feito sobre a Web2.

Não só usuário: proprietário e construtor

O paradigma que a Web3 propõe, na leitura apresentada, devolve um papel ativo: quem está ali também é dono e também constrói, em vez de apenas consumir o que a plataforma entrega.

A tecnologia não é neutra. Muitas vezes tentaram trazer essa noção: ah, é só uma ferramenta, né? Ao mesmo tempo, a gente já viu que não é só uma ferramenta.

Prova de campo

A confiança que era do diploma, atestada entre pares

O que um diploma entrega, além do que se aprendeu, é o reconhecimento de uma instituição: alguém dizendo a terceiros que aquela pessoa passou por aquele processo, às vezes com validade em outro país. Sem esse respaldo, a aprendizagem informal perde o registro e a capacidade de circular. É aí que a blockchain se encaixa: pegar a confiança que dependia da instituição e distribuí-la por mecanismos descentralizados.

Atestação no lugar do time de curadores

Num programa de financiamento, em vez de montar uma curadoria, fizeram um chamado a especialistas: a validação entre pares registrou quem era especializado em cada tema para avaliar os projetos.

Karma: registro de impacto na carteira

O segundo mecanismo é uma plataforma gratuita, o Karma, em que projetos, metas e indicadores ficam vinculados à carteira de quem registra, disponíveis para consulta e apresentados como incorruptíveis.

Na Web3, o caminho das pedras é informal

Quem chega ao ecossistema aprende navegando: evento, comunidade, Twitter. Como contrapeso, foram citados os programas estruturados, entre eles um que já formou de graça mais de 30 mil mulheres no mundo.

O que trava

A sala de tecnologia existe na escola, e fica fechada

Doze anos de terceiro setor, com projetos fora do contexto escolar, entraram na mesa em defesa da complementaridade entre os dois ambientes: a escola cumpre um currículo mínimo definido pelo MEC, e o espaço não formal permite ao estudante expandir a perspectiva para além do conteúdo formal. Não é substituição, é onde cabe o que não coube.

O algoritmo devolve sempre o mesmo conteúdo

No ambiente digital a pessoa é passiva: a personalização entrega ao jovem o que já é do interesse dele, e o TikTok repete a dose. Sair da bolha é difícil até para o adulto.

Os espaços chegaram, o uso não veio junto

Políticas públicas levaram espaços de tecnologia para dentro das escolas do Rio. Os educadores sabem usar? Há investimento neles? As perguntas ficaram no ar com a resposta já sabida.

A biblioteca cheirava a guardado e virou hábito

A memória de escola que veio à mesa: a sala de informática era a sala que ninguém habitava, e a biblioteca virava refúgio da aula. Foi desse momento de fuga que nasceu o hábito da leitura.

Na Baixada, o acesso é impressora 3D e corte a laser

O ACT de Nova Iguaçu e os equipamentos do Sesc em Duque de Caxias entraram na conversa, junto com a constatação de que a potência da cultura maker costuma ficar invisibilizada.

É cultura maker, né? Mão na massa. A gente sabe o quanto de potência tem ali. Muitas vezes, realmente, isso fica invisibilizado.

Em produção

O hackathon como escuta: Caxias, clima e um lixão

Um hackathon também pode ser colaborativo

É competição, mas pode virar evento de escuta e construção do que faz sentido para a instituição: dá as ferramentas, explica a tecnologia e joga o desafio para quem está na base.

Clima com jovens do ensino médio de Caxias

O desenho em curso com o Sesc propõe soluções para causas climáticas que afetam o dia a dia. O exemplo citado foi um lixão desativado que impacta a rotina desses estudantes.

Conhecimento na gaveta não muda gestão

Oficina, workshop e hackathon têm valor para quem participa, mas mudança sistêmica exige instituição disposta a aplicar aquele conhecimento na própria gestão e nos próprios produtos.

Eu gostaria que as nossas crianças, elas também sentissem essa vontade, elas se sentissem motivadas: essa tecnologia também é minha, eu posso construir, eu posso desenvolver.

O recado

Empatia é a primeira tecnologia do educador

Ninguém começa a jornada do mesmo lugar

Cada um parte do que já sabe, e às vezes até do idioma ou da linguagem técnica. Daí a empatia: antes das tecnologias técnicas, já existiam as humanas, com milênios de uso.

Ponto A, ponto B e o que vai na mala

Se o destino é a praia vai biquíni, se é a neve vai casaco. Saber aonde se quer chegar é o que define depois o conteúdo e a metodologia do programa educacional.

A energia vai toda para a tecnologia dura

O alerta final veio da prática de implantar laboratórios e espaços de inovação: gasta-se com equipamento e sala, e pouco com mapeamento, pesquisa, formação e construção de comunidade.

O que ficou

Assentado

  • As duas painelistas trataram senso crítico e escuta como pré-requisito: a tecnologia entra depois, e não antes.
  • Atestação entre pares e registro de impacto foram apresentados como mecanismos já em uso para validar aprendizagem informal.
  • O hackathon com jovens do ensino médio de Caxias, sobre causas climáticas, está em desenho junto com o Sesc.

Em aberto

  • A energia vai para a tecnologia dura: equipamento, sala e infraestrutura levam o investimento, e mapeamento, pesquisa e formação ficam com pouco. A cobrança não teve resposta institucional na mesa.
  • Se os espaços de tecnologia já instalados nas escolas do Rio vão sair do desuso. O legado pretendido pelo hackathon é a própria escola querer ativar a sala maker, mas o projeto ainda está sendo desenhado.
  • Quais serão os impactos do hackathon dentro da escola: nem o GPT dá a resposta exata, ficou dito na mesa.

Termos citados

Web2
A internet das plataformas e das redes sociais, em que o usuário consome e gera dados que não são dele.
Ponto de partida da comparação feita na mesa.
Web3
Proposta de um novo modelo de internet sobre blockchains, em que o usuário também é proprietário e construtor.
Para a mesa, é um posicionamento, e não apenas uma tecnologia.
Atestação entre pares
Registro em que especialistas validam uns aos outros, no lugar de um time de curadores nomeado.
Usado num programa de financiamento para definir quem avaliaria cada projeto.
Registro de impacto
Anotação pública da trajetória, das metas e dos indicadores de um projeto, de uma instituição ou de uma pessoa.
Segundo mecanismo citado na sessão.
Karma
Plataforma gratuita em que o registro fica vinculado à carteira de quem o faz e disponível para consulta.
Ferramenta citada como já usada pela Fabulosa Lab.
Educação não formal
Aprendizagem que acontece fora do currículo mínimo da escola: projetos, bibliotecas e espaços públicos.
Campo dos 12 anos de experiência em projetos fora da escola trazidos ao painel.
Hackathon
Maratona que dá ferramentas, explica a tecnologia e lança um desafio a quem está na base da instituição.
Método apresentado na sessão para uso com instituições e escolas.
Cultura maker
Prática de mão na massa apoiada em equipamentos como impressora 3D e corte a laser.
Base dos espaços do Sesc lembrados na sessão.

Citados na sessãoSesc·Instituto Educar+·Fabulosa Lab·Karma·MEC·TikTok·Twitter·COP·Duque de Caxias·Nova Iguaçu

TemasEducação·Certificação·Web3·Escola Pública·Cultura Maker

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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