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Trends Stage

13/08 · 12h40–13h2040 min de sessãoresumo em 6 min

Como as stablecoins estão se tornando uma unidade de conta global e como se formam as referências de preço

Uma mesa OTC canadense e um operador de DeFi em chip na mesma mesa: todo cliente pede dólar — e o preço agora se forma no Japão.

O essencial

Contexto

Painel em inglês no Trends Stage, sem título fechado na agenda, mediado por Patrick Silveira com dois operadores de mercado: Juan Pablo Bandeira, da DeFi Silicon, que acelera DeFi em hardware, e Jonathan Han, da EraTree, mesa OTC canadense que diz negociar cerca de US$ 100 milhões por mês. Em vez de futurologia, a conversa foi para onde o dólar sintético liquida, onde o preço se forma e quem paga a liquidez rala.

A sessão em detalhe

Abertura

Duas cadeiras: uma mesa OTC e um chip para DeFi

Painel em inglês, com dois operadores de mercado no lugar de porta-vozes institucionais. Depois das apresentações, a sessão abriu pela pergunta mais simples possível: o que é essa unidade de conta de que todo mundo fala?

DeFi Silicon roda DeFi em microchip

A casa usa hardware para reduzir a latência entre venues, o que se traduz em spreads melhores e preços menores. A trajetória por trás dela passou por vários hedge funds.

EraTree: mesa OTC canadense e pagamentos

A EraTree é mesa de OTC de cripto e empresa de pagamentos globais, com operação no Canadá e nos Estados Unidos, atendendo instituições e grandes patrimônios.

Definição

A stablecoin é a camada onde tudo liquida

A resposta não veio pela teoria monetária, e sim pela infraestrutura: a stablecoin é onde os mercados fecham a conta e é o que o cliente pede em qualquer país. Na mesa canadense, a maior parte do volume já é stablecoin, e sempre de dólar.

Mercados de previsão e perp DEX liquidam nela

A stablecoin é a camada de liquidação da maioria dos mercados de previsão e das DEXs de perpétuos — a unidade de conta de todos eles, o que impulsiona o dólar ainda mais.

É por isso que o Fed quer o ecossistema digital

A leitura para o interesse americano veio junto: provavelmente é por isso que o Federal Reserve está obcecado em fazer o ecossistema digital crescer.

A Circle não tem conta bancária no Canadá

Quem quer comprar USDC com dólar canadense não fala direto com a emissora. A mesa varre mercados cripto, DeFi, câmbio e trilhos locais de liquidação até montar o melhor preço.

No final das contas, todos querem stablecoins em USD. Isso mostra a dominância de Tether e Circle, e quanto poder e influência eles têm sobre o mercado.

A ruptura

O preço se forma onde está o servidor, e ele foi ao Japão

A parte mais dura da sessão não foi sobre emissores, e sim sobre geografia de infraestrutura. A maior parte do volume já é casada em motores de preço no Japão, e isso muda quem forma o preço e quem se beneficia dele.

Mais de 70% do volume mudou de servidor

Somando as praças não registradas, passa de 80%. Exchanges banidas dos Estados Unidos seguem usando dólar, e o Japão vai acumulando capital e infraestrutura de cripto.

Dois milissegundos custam cinco dígitos

Um trader no Japão opera com 2 ms de latência pagando cinco dígitos pela colocação. A OKX terminou de mudar seu serviço para lá há cerca de três meses.

Fibra dedicada nos EUA, AWS no Japão

A melhor infraestrutura desta parte do globo está nos Estados Unidos, com fibra dedicada; no Japão as exchanges rodam literalmente em AWS. Quem sai prejudicada, no fim, é a liquidez americana.

Mais de 70% do volume foi para motores de preço baseados no Japão. Você não está negociando contra um servidor dos EUA, está negociando contra um servidor japonês.

Os números

Onde há barreira financeira, aparece ágio

O mapa do prêmio ficou desenhado: onde a stablecoin serve para furar barreira financeira, ela custa mais caro; onde o sistema é aberto, o ágio simplesmente não existe. Vale para bitcoin e ether também, porque o que está em jogo é o uso do ativo como ferramenta financeira.

Japão, Coreia, Índia e Brasil pagam prêmio

São mercados com restrição, e por isso a stablecoin sai mais cara ali. Em alguns desses países, o prêmio vem ficando cada vez mais estreito.

No Canadá e nos Estados Unidos o ágio é zero

A infraestrutura financeira foi construída para ser amigável e não há prêmio nem para bitcoin nem para stablecoin. É onde os pares da mesa enxergam oportunidade.

Na África, o relato chega a 50%

O ágio relatado para a stablecoin de dólar no continente chega a esse nível, com risco embutido. É o mesmo fenômeno do prêmio kimchi, na Coreia.

O que trava

Sem regra clara, o banco grande não puxa o gatilho

A pergunta seguinte foi o que precisa ser feito para o mercado crescer, e as duas respostas caíram no mesmo lugar: clareza regulatória. Um lado da mesa olhou para a adoção institucional; o outro, para quem escreve as regras e por quê.

99% do negócio de um banco não é cripto

Para um J.P. Morgan ou um Wells Fargo o mercado é pequeno e o dano reputacional contaminaria o resto da casa. Por isso são os bancos menores que se dispõem a testar.

Depósito não some, muda de forma

Não há ameaça de perda: o banco perde depósito em dólar e ganha depósito em stablecoin de dólar. Nos Estados Unidos já dá para ter rendimento; no Canadá, não.

A clareza não é amor por cripto

Ficou dito que os Estados Unidos empurram regras claras para manter e ampliar a própria dominância, e que hoje o caminho para isso passa por cripto.

Prova de campo

138% em um ano, e o spread ainda come a ponta

O dado brasileiro entrou na mesa junto com a pergunta pelo efeito local: o que a falta de liquidez faz com quem usa stablecoin como medida de valor. A resposta veio sem eufemismo, e o custo aparece antes mesmo da taxa da exchange.

Par raso não é mercado endereçável

O quadro é ruim: sem market maker o preço derrapa, o cliente recebe menos reais do que a cotação promete e ainda paga a taxa da exchange por cima.

Demanda maior que oferta vira prêmio

A liquidez explica o ágio: onde a demanda supera a oferta, o preço sobe. E enquanto o dinheiro tradicional não circula livre entre países, a stablecoin vira alvo.

Liquidez local não resolve, precisa ser global

Não importa quanta liquidez chegue ao Brasil, não vai bastar: o que falta é sistema financeiro aberto para compartilhar a liquidez global.

Aqui no Brasil o uso de stablecoins tem sido muito acelerado: de junho do ano passado a junho deste ano cresceu 138%. Mas ainda temos problemas de liquidez, principalmente nos pares.

Onde divergiram

Preço não quebra sozinho: alguém quebra

A última provocação foi sobre falha: o que acontece se a formação de preço parar de funcionar. A mesa foi ao caso do Silicon Valley Bank e divergiu em seguida sobre onde a quebra é possível.

O SVB fez o USDC descolar do USDT

Com a possibilidade de corrida bancária, o USDC caiu ante o USDT, que não usava aquele banco. Muita gente não foi liquidada, mas perdeu muito dinheiro, e os market makers pararam de cotar.

Par líquido não quebra fácil

Às vezes é intencional, sim, mas acontece em pares de altcoin numa exchange específica. Num par grande o mercado ainda é livre e alguém compra a queda.

O risco novo é o market maker compartilhado

A centralização é o ponto: várias exchanges apoiadas no mesmo provedor. O caso citado foi o de Hyperliquid e Binance quebrando do mesmo jeito.

Normalmente quem mais sofre são as pessoas comuns. Não quebra: alguém quebra.

O que ficou

Assentado

  • A stablecoin de dólar é a unidade de conta do mercado: é nela que mercados de previsão e DEXs de perpétuos liquidam.
  • Mais de 70% do volume já é negociado contra motores de preço no Japão, e passa de 80% com as praças não registradas.
  • Onde existe barreira financeira há ágio na stablecoin; no Canadá e nos Estados Unidos, o prêmio é zero.
  • Os dois operadores fecharam no mesmo diagnóstico: falta clareza regulatória para a instituição grande entrar.

Em aberto

  • Ninguém disse o que faz a liquidez global chegar ao Brasil; ficou dito apenas que o que vier só para cá nunca vai bastar.
  • Se stablecoin de moeda local terá uso além da especulação segue sem resposta: falta ativo que renda por trás.
  • A concentração de várias exchanges no mesmo market maker foi levantada como risco, e ficou sem solução.
  • Não se apontou o que impede um novo episódio como o do Silicon Valley Bank de derrubar a referência de preço.

Termos citados

Unidade de conta
Moeda em que preços e saldos são expressos e em que as operações são fechadas.
O tema do painel: a stablecoin de dólar virou essa referência dentro e fora dos EUA.
Mesa OTC
Balcão que executa ordens grandes fora do livro público, negociando direto com o cliente.
A EraTree opera assim e diz negociar cerca de US$ 100 milhões por mês.
Motor de preço
Sistema que casa as ordens e forma o preço dentro de uma exchange.
Mais de 70% do volume já roda hoje em motores baseados no Japão.
Ágio
Diferença que o comprador paga acima do preço internacional para obter o ativo naquele país.
Aparece no Japão, Coreia, Índia, Brasil e África; no Canadá e nos EUA, não existe.
Prêmio kimchi
Nome dado ao ágio que as cripto costumam ter no mercado coreano.
Citado como o caso clássico do fenômeno, ao lado do mercado japonês.
DEX de perpétuos
Exchange descentralizada de contratos futuros sem data de vencimento.
Junto com os mercados de previsão, liquida em stablecoin.
Market maker
Quem fica dos dois lados do livro para garantir preço de compra e de venda o tempo todo.
Sem eles o par fica raso — e, no Brasil, o cliente paga isso no spread.
Composabilidade
Capacidade de encaixar produtos diferentes que rodam na mesma rede.
O argumento final da sessão para usar stablecoin em vez de dólar tradicional.
USAT
Stablecoin norte-americana citada no painel como exemplo do que já existe.
Descrita no painel como um projeto com relação com o governo.

Citados na sessãoDeFi Silicon·EraTree·Tether·Circle·USDC·USDT·USAT·Binance·OKX·Hyperliquid·Silicon Valley Bank·J.P. Morgan·Wells Fargo·Federal Reserve·SBI·SWIFT·AWS·Alipay·WeChat Pay

TemasStablecoins·Liquidez·Mesa OTC·Formação de preço·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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