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Trends Stage

13/08 · 17h15–17h3520 min de sessãoresumo em 6 min

Blockchain no Agro: Da Confiança Digital à Economia Tokenizada

O agro subiu a um palco de cripto: a fazenda já produz dados, carbono e biodiversidade — ativos que dá para certificar e tokenizar.

Sylvia Wachsner

O essencial

Contexto

Palestra solo no fim da tarde do Trends Stage, com Sylvia Wachsner, do SNASH, hub de startups da Sociedade Nacional de Agricultura. A fala fez a ponte anunciada no título: explicar a uma plateia de blockchain e IA o que é o agronegócio, por que é uma cadeia longa, complexa e cheia de players, e onde as ferramentas dessa plateia encontram ativos do campo — dados, carbono, biodiversidade, água e commodities.

A sessão em detalhe

Abertura

Um evento de cripto e a pergunta: o que o agro faz aqui?

A abertura foi pelo desconforto óbvio de falar de fazenda num palco de blockchain. Muita gente visita os eventos da casa e faz perguntas dos dois lados — o que vocês fazem, vocês usariam cripto, quero saber mais do agro —, e o recado da vinda foi esse: mostrar que o agro faz parte deste mundo e que quem trabalha com blockchain e inteligência artificial pode virar ponte entre suas ferramentas e os ativos do campo.

A ponte oferecida à plateia

O convite foi direto: quem trabalha com blockchain ou inteligência artificial pode aplicar esse conhecimento aos ativos do agronegócio, em vez de tratar campo e cripto como mundos separados.

Todo mundo se alimenta, todos os dias

O argumento de escala veio antes de qualquer tecnologia: todo mundo se alimenta, todo mundo usa alimento todos os dias. Daí a cadeia destrinchada no resto da fala.

Agronegócio é uma plataforma, uma geradora de múltiplos ativos econômicos.

Definição

Uma cadeia longa, com diversos players e bem complexa

Antes de falar de token, veio o desenho do objeto. O agronegócio é uma cadeia longa, com diversos players e bastante complexa, e dentro dela convivem coisas de naturezas diferentes: máquinas e equipamentos na fazenda, comércio internacional com traders, certificação, capital de giro de médio e longo prazo. A produção de alimento precisa de financiamento o tempo todo, e os ativos têm lastro.

De um lado a fazenda compra, do outro vende

Na ponta de entrada estão sementes e rações para os animais; na de saída, os vários clientes que compram a soja. Duas frentes de transação, cada uma com seu volume de documento e de dado.

Capital de giro é problema permanente

A produção de alimentos vive de financiamento constante, em prazos de médio e longo alcance. É esse buraco que explica, mais adiante, por que tokenizar interessa ao produtor.

Alto volume de dado gerado o tempo todo

A cadeia é fragmentada e produz informação em alto volume a cada transação, de quem compra insumo a quem vende commodity — matéria-prima pronta para as ferramentas da plateia.

Hoje em dia, o agro também são ativos digitais. É uma cadeia longa, com diversos players, bastante complexa.

A tese

Biodiversidade e sustentabilidade não são outro negócio

O ponto voltou mais de uma vez: não são dois entes separados. A fazenda está dentro de uma biodiversidade, e a sustentabilidade faz parte da produção de alimentos — não de um capítulo à parte dela.

O produtor rural já comercializa carbono

Carbono e biodiversidade apareceram na lista do que sai da fazenda, ao lado dos grãos. Não como projeto futuro, e sim como algo já comercializado pelo produtor rural.

Serviço ecossistêmico pode ser certificado

Dali sai a ligação com o tema do evento: serviços ecossistêmicos podem ser certificados, tokenizados e negociados. É a passagem do que a fazenda preserva para o que a fazenda vende.

A biodiversidade, a sustentabilidade fazem parte da produção dos alimentos.

Em produção

A fazenda de soja produz dados, e dado se comercializa

Do lado digital a formulação foi literal: a fazenda de soja produz dados. Parte deles já é usada na própria gestão; o resto pode ser exportado, comercializado, vendido a terceiros. Com rastreabilidade vêm garantia de origem e autenticidade, e é aí que o blockchain entra como camada de confiança — não como produto, e sim como infraestrutura de transparência para quem compra e para quem come.

O QR Code na embalagem já é o começo

No varejo o consumidor começa a encontrar um QR Code nos alimentos. A perspectiva adotada no palco foi a de quem compra: querer saber de onde vem o alimento e quem foi o produtor.

Rastreabilidade é palavra que o agro já usa

O termo foi marcado como muito importante no setor, e ligado a garantia: com rastreabilidade se assegura a origem e a autenticidade do que sai da fazenda.

IA para ler o clima antes de plantar

O exemplo foi a própria safra: o que o clima fez no passado, o que plantar hoje, quando começar amanhã. A inteligência artificial mede esse tipo de informação e devolve precisão ao produtor.

Minha fazenda de soja produz dados.

Prova de campo

Do mel do Piauí à soja tokenizada com cartão Visa

A parte de casos começou por uma pergunta virada do avesso: se o crédito do agro já circula como título financeiro negociável, por que não tokenizar a própria commodity agrícola e negociar frações menores? Em seguida veio o mercado — uma empresa de criptomoedas investiu na Adecoagro, do agronegócio argentino-brasileiro, e de lá para cá, mais ou menos um ano, houve aproximação entre stablecoins e commodities agrícolas.

Democratizar, aqui, é crowdfunding

Token abre mercado para valores pequenos, não para milhões: mais gente, tíquetes menores, carteira mais diversificada — e captação mais rápida para quem produz.

Mel orgânico do Piauí exportado com token

Pequenos produtores usaram tokenização para exportar mel orgânico para a Europa. Caso de seis a oito meses atrás, apresentado como prova de que a escala pequena cabe na tecnologia.

Justoken tokeniza soja com banco e Visa atrás

A primeira startup apresentada, presente no próprio evento, tokeniza soja e tem relação com bancos e com o cartão de crédito Visa. Os números do slide, ficou o alerta, mudam a cada meia hora ou a cada hora.

Tokens que pagam para a floresta ficar em pé

A segunda startup, muito pequena e com fundadores do Pará, remunera proprietários que preservam floresta e usa o dinheiro levantado em tokens para reflorestar áreas desmatadas.

O recado

Em 2035, a saca de café sai do Brasil com identidade

O fechamento foi um cenário. Numa fazenda brasileira em 2035, a saca de café não será apenas café: será um ativo digital carregado de identidade — tipo de café, qualidade, certificação, quem produziu. E isso já é possível hoje; o que falta é o resto da cadeia chegar lá.

Água é ativo, e quem tem água tem sorte

Entre os serviços ecossistêmicos entrou a água: países como a Austrália e parte da Califórnia têm problema, e quem tem a sorte de ter água em quantidade precisa tratá-la como ativo.

O quebra-cabeça é o produtor analógico

O desafio devolvido à plateia: como conectar blockchain a produtores que ainda operam em sistemas analógicos, boa parte deles agricultura familiar, em pedaços menores de terra.

Blockchain como infraestrutura, não produto

No slide de Real World Assets o encaixe foi esse: infraestrutura para rastrear e transacionar biodiversidade, recuperação de solo, regularização florestal e climate tech.

O que ficou

Assentado

  • O produtor rural já comercializa carbono e biodiversidade; serviços ecossistêmicos podem ser certificados e negociados.
  • Pequenos produtores de mel orgânico do Piauí exportaram para a Europa usando tokenização, há seis a oito meses.
  • O hub da Sociedade Nacional de Agricultura tem startup tokenizando soja e startup financiando reflorestamento com token.

Em aberto

  • Como conectar blockchain a produtores que ainda trabalham em sistemas analógicos ficou como pergunta devolvida à plateia.
  • Os números da startup que tokeniza soja não pararam de pé no palco: ficou o aviso de que mudam a cada meia hora ou a cada hora.
  • A aproximação entre stablecoins e commodities agrícolas foi citada como movimento em curso, sem desfecho.

Termos citados

Serviços ecossistêmicos
Benefícios que a área preservada gera, como carbono, biodiversidade e água.
Apresentados como certificáveis, tokenizáveis e negociáveis.
Real World Assets
Ativos do mundo físico representados em rede blockchain.
O slide em que entram fazenda, floresta, solo e água.
Rastreabilidade
Capacidade de reconstituir a origem e o caminho de um produto.
Palavra tratada como muito importante no agro.
Stablecoin
Criptomoeda de valor estável, usada em pagamento e liquidação.
Citada na aproximação com as commodities agrícolas e na exportação.
SNASH
Hub de startups lançado pela Sociedade Nacional de Agricultura.
Casa de onde veio a palestra; dele saíram os dois casos apresentados.

Citados na sessãoSociedade Nacional de Agricultura·SNASH·Justoken·Adecoagro·Visa·Piauí·Pará·Europa·Austrália·Califórnia

TemasAgronegócio·Tokenização·Rastreabilidade·Real World Assets·Serviços Ecossistêmicos

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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