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Trends Stage

12/08 · 18h35–18h5520 min de sessãoresumo em 6 min

Do Código ao Cliente: O Desafio de Vender Tecnologia

Última palestra do dia no Trends Stage, apresentada pelo Sebrae Rio: por que a empresa de tecnologia perde a venda mesmo tendo a melhor solução.

O essencial

Contexto

Palestra que fechou o dia no Trends Stage, apresentada pelo Sebrae Rio, com André Santana, analista da coordenação de negócios tecnológicos inovadores. O ponto de partida foi um mapeamento que a casa fez em 2022 para entender os desafios do setor: o gargalo apontado ali não era técnico, era comercial. O que veio depois foi um roteiro prático de como traduzir solução em benefício, fechar um segmento e falar a língua de quem compra.

A sessão em detalhe

Abertura

O mapeamento de 2022 apontou o gargalo: vender

A abertura situou a casa: a coordenação de negócios tecnológicos inovadores do Sebrae Rio, e dentro dela a frente voltada às empresas com mais tempo de mercado. Em 2022, o Sebrae Rio fez um mapeamento para entender os desafios do setor e saber o que poderia entregar a ele. O que apareceu não foi um problema de engenharia.

A pergunta que abriu a sala

Você já perdeu uma venda mesmo tendo uma solução melhor do que a do seu concorrente? Ficou dito que isso acaba sendo a realidade de muito empreendedor de tecnologia.

Muito bons na entrega, travados na venda

Os empreendedores mapeados dominam a atividade que desempenham e as soluções são entregues. O problema aparece na hora de levar isso ao mercado, e aí a entrega não acontece.

Sebrae Rio: da ideia no papel à escala

A coordenação apoia negócios de tecnologia na gestão, na saída da ideia do papel para o mercado e no processo de escalar. São projetos e atividades voltados a essas empresas.

O que trava

Dois obstáculos: jargão técnico e alvo indefinido

Do mapeamento saíram dois obstáculos recorrentes no dia a dia de quem vende tecnologia. O primeiro é a complexidade técnica: o empreendedor quer explicar o produto de maneira muito técnica, pelo que ele tem dentro. O segundo é a comunicação ineficaz, que nasce de um problema anterior — ele não sabe para quem quer vender, e por isso fala de maneira geral, ampla.

Quem entende de código é você, não o cliente

O cliente final não conhece infraestrutura, não conhece protocolo, não conhece código. A ênfase na parte tecnológica do produto é do vendedor, não de quem está do outro lado.

A comunicação genérica nasce da falta de alvo

Sem saber a quem se dirige, o jeito de falar não chega ao segmento que ele quer atender. Definir o público é um ponto crucial para quem vai lançar o produto no mercado.

O cliente, ele não entende tecnologia. Quem entende tecnologia é você que tá desenvolvendo.

A tese

Ninguém compra tecnologia: compra problema resolvido

A tese central da palestra é uma inversão de foco: o que entra na conversa não é o que a solução faz, e sim o que o cliente ganha com ela. O dado levado à sala para sustentar o ponto diz que 20% das startups quebram porque desenvolvem soluções de que o mercado não precisava, criadas em cima de suposições sobre o que o empreendedor acha que o mercado precisa.

Apaixone-se pelo problema, não pela tecnologia

Uma vez resolvido o problema do cliente e comunicado o valor entregue, a captura vem junto. O erro é se apaixonar pela solução que se desenvolveu, e não por quem vai usá-la.

O restaurante não quer um sistema de gestão

Ele quer parar de jogar comida fora. A promessa que prende é a de acabar com o desperdício, não a descrição do que o sistema faz por dentro.

Proposta de valor é o ganho, não a função

Automatizar processo é o que a solução faz. O que o cliente ganha com essa automação é outra coisa — e é sobre esse ganho que a comunicação tem de ser construída.

A ressalva: tem quem compre só porque é hype

A própria regra veio relativizada em seguida. Hoje há empresa comprando porque a tecnologia está no hype — tem que ter IA aqui também — muitas vezes sem saber direito para que aquilo serve.

Ele não pode se apaixonar pela tecnologia em si… ele tem que se apaixonar pelo problema do cliente.

Definição

Atender todo mundo é não atender ninguém

Antes de montar a campanha, é preciso mapear em que momento o potencial cliente está — e cada momento pede uma abordagem diferente. Quando se pergunta a empreendedores de tecnologia qual é o segmento de cliente que eles atendem, a resposta mais comum é sempre a mesma: eu atendo todo mundo.

Quatro situações, quatro abordagens

Quem ainda não percebe o problema exige trabalho de educação. Quem percebe mas não prioriza pede outra conversa. E há o frustrado por ferramentas anteriores e o que tem medo de investir.

Campanha para todos custa dinheiro que não há

Falar com os segmentos A, B, C e D exige várias campanhas e muito recurso para investir. Sem esse dinheiro, focar deixa de ser escolha e vira condição de sobrevivência.

De academia para estúdio: o nicho dentro do nicho

O exemplo levado à sala: dentro do público de academia, escolher estúdios, levantar os problemas desse recorte e reunir recursos e esforços para ser mais assertivo ali.

O recado

Traduza a função em benefício e corte a sigla

A segunda metade virou uma lista prática do que evitar na hora de vender a solução. O fio condutor é o mesmo do começo: o que sai da boca do vendedor tem que caber no dia a dia de quem ouve, e não no diagrama de quem construiu.

De sistema integrado a você não perde mais venda

A tradução proposta troca a característica pelo efeito: em vez de dizer que o sistema é integrado, dizer que o cliente nunca mais vai perder venda por falta de informação.

Machine learning e blockchain não vendem nada

Num evento de blockchain, ficou o lembrete: o cliente não precisa saber que a solução usa blockchain, assim como ninguém precisa conhecer os protocolos que sustentam a internet.

A analogia faz o trabalho que a sigla não faz

O exemplo que foi à tela: é como se você tivesse um assistente que nunca esquece de nada. A imagem entrega em uma frase o que a descrição técnica não entrega.

Case de cliente real é prova social

Contar o que a solução fez em clientes reais faz muito sentido para o negócio: é o que se chama de prova social, e ajuda o cliente a entender o que está sendo entregue.

Ah, meu sistema é integrado. Não é falar isso. Fala: você nunca mais vai perder vendas por falta de informação.

Os números

75% do comprador B2B decide antes de falar com você

O fecho trouxe o segundo dado da apresentação e a consequência dele: se três em cada quatro compradores B2B preferem pesquisar e decidir a compra sem falar com o vendedor, a clareza da entrega de valor deixa de ser questão de estilo. É ela que trabalha quando não há ninguém ali para explicar.

A decisão acontece no site e nas redes

O comprador quer bater o olho, no site ou nas redes sociais, e decidir o processo de compra sem precisar de alguém explicando. O que estiver dúbio ali derruba a venda.

O teste da vovó, que não estava no slide

A ideia apareceu durante a montagem da apresentação: perguntar à própria avó se ela entende o que você vende. Se ela ficar com dúvida, não está claro.

Num evento, a resposta é o problema resolvido

Quando alguém chega perguntando o que você faz num evento como esse, o foco é a resolução do problema. Como a solução funciona só entra se o cliente perguntar.

Upgrade.ti, o convite do fim da palestra

O Sebrae está com um projeto voltado a empresas de tecnologia, em andamento, que apoia a estruturação da área comercial. O fecho pediu nome e telefone para contato depois.

O ideal é fazer o teste da vovó: é perguntar pra sua avó se ela consegue entender a solução que você tá vendendo. Se ela ficar com dúvidas, é porque não tá muito claro.

O que ficou

Assentado

  • O gargalo que o mapeamento de 2022 do Sebrae Rio encontrou no setor de tecnologia é comercial, não técnico.
  • A comunicação de venda deve partir do problema do cliente e do ganho dele, não da arquitetura da solução.
  • O detalhe técnico entra depois, se o cliente perguntar — salvo o comprador que trabalha com cibersegurança.
  • O Sebrae está com o Upgrade.ti em andamento, voltado à estruturação comercial de empresas de tecnologia.

Em aberto

  • Os dados de 20% e 75% foram citados sem que a origem dos levantamentos fosse nomeada na sala.
  • Das quatro situações de cliente, só a do não-consciente ganhou abordagem descrita; as outras três, não.
  • O Upgrade.ti foi citado sem prazo, critério de entrada ou número de empresas já atendidas pelo projeto.
  • O slide final com o contato não apareceu na tela; ficou o pedido de nome e telefone para retorno depois.

Termos citados

Proposta de valor
O que a solução de fato entrega ao cliente, descrito pelo ganho que ele obtém com ela.
Deve substituir a descrição técnica já na primeira conversa com o cliente.
Dor do cliente
O problema concreto que leva o cliente a procurar uma solução, no lugar do que se supõe dele.
Entendê-la é o primeiro passo antes de desenvolver qualquer coisa.
Segmento de cliente
Recorte específico de público para o qual a comunicação e a campanha são construídas.
O exemplo levado à sala foi sair do público de academia para estúdios.
Prova social
Uso de casos de clientes reais para sustentar o que a solução promete entregar.
Citada como o que ajuda o cliente a entender o que está sendo entregue.
Teste da vovó
Checagem de clareza: explicar a solução à própria avó e ver se ela entende sem dúvidas.
Ideia surgida durante a montagem da apresentação, fora do slide.
B2B
Venda de empresa para empresa, distinta da venda ao consumidor final.
É o comprador dos 75% que decidem sem falar com o vendedor.
Upgrade.ti
Projeto do Sebrae para empresas de tecnologia, com apoio à estruturação da área comercial.
Apresentado no fim da palestra como caminho para quem quiser suporte.

Citados na sessãoSebrae·Sebrae Rio·Upgrade.ti

TemasSebrae·Vendas B2B·Empreendedorismo·Comunicação·Startups

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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