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Main Stage

12/08 · 15h40–16h2040 min de sessãoresumo em 6 min

Construindo a próxima geração da infraestrutura financeira

Itaú, BTG, Visa e Ripple foram cobrados do que já saiu do piloto — e a mesa tratou stablecoin, depósito tokenizado e CBDC como convivência, não disputa.

Antônia SouzaBruno BataviaJosé Augusto de Azevedo Antunes F.Silvio PegadoAndre Portilho

O essencial

Contexto

Painel do Main Stage moderado por Bruno Batavia, do Valor Capital Group, com Itaú Unibanco, BTG Pactual, Visa e Ripple na bancada. A abertura declarou encerrada a fase de piloto, vitrine e storytelling: a infraestrutura estaria virando core de banco e de mercado de capitais. A partir daí, a mesa separou o que já roda em produção do que ainda é teste — e passou a segunda metade discutindo quem liquida o quê.

A sessão em detalhe

Abertura

O fim da fase de vitrine e storytelling

A abertura apresentou a mesa como institucional — o maior banco da América Latina, a maior bandeira global e a Ripple — e desenhou o cenário: volumes de stablecoin escalando, régua regulatória em discussão nos Estados Unidos e em países como o Brasil, e as infraestruturas de mercado, os CSDs, começando a pensar tokenização de forma mais ampla.

De piloto e prova de conceito a produto

A trajetória foi dividida em fases: testes, provas de conceito, muita interface com o regulatório e um pouco de vitrine e storytelling. Agora, aquilo está virando core.

A pergunta dos últimos 18 meses

A mesa foi provocada sobre se a adoção institucional mudou de fato nesse intervalo. A resposta: o cliente está vindo e olhando, e o de varejo é o mais volátil da conta.

No Itaú, o que ainda falta

Criar um padrão, definir qual rede será usada, saber quem consegue escalar o mercado de capitais e levar esse aprendizado para a regulação — sem ficar inferindo o que o mercado será.

A tese

O cripto experimentou por fora das quatro linhas

A mesa lembrou que o mercado brasileiro adota tecnologia rápido e que o momento de cripto se parece com processos anteriores da indústria financeira. A diferença é que, como não era possível fazer uma coisa regulada, a experimentação prática aconteceu meio que em paralelo ao que seria o mundo financeiro regulado.

O ambiente paralelo deu problema e produto

Houve muitos problemas nesse meio-tempo e, junto deles, muita coisa boa foi construída, justamente porque o ambiente permitia fazer as coisas muito rápido.

Agora é convergência, nas quatro linhas

O que foi testado e fez sentido começa a ser implementado, virando produto e ganhando escala — só que seguindo a regulação, porque aqui se está falando de indústria financeira.

Em 2021 também seria o ano da tokenização

Cinco anos depois a frase voltou — e a mesa brincou que não ia repeti-la. A agenda e o cronograma da CVM apareceram como o calendário que o mercado tem para desenvolver e discutir.

Em produção

Ripple: ponte, ecossistema e um caso em Singapura

A Ripple foi descrita como uma ponte do mundo tradicional para o novo, e a casa não se posiciona como tokenizadora, e sim como ecossistema: uma plataforma para custodiar, movimentar dinheiro e trocar moedas. O XRP é token de outra rede, a XRP Ledger, que continuaria rodando mesmo se a Ripple morresse.

O futuro está no mercado de capitais

A discussão sobre stablecoins e pagamentos está forte, mas o universo de uma economia tokenizada é de trilhões de dólares, volume muito maior do que o de pagamentos hoje.

Dois bilhões tokenizados na XRP Ledger

Com a JustToken, na Argentina, uma tokenização que estava em 850 milhões de dólares chegou a 2 bilhões, incluindo contratos de energia da YPF.

Do trust de Nova York ao charter federal

A Ripple não quer virar banco, mas foi buscar a licença de trust do NYDFS, em Nova York, para o seu dólar, e agora o charter federal do OCC — para que quem carrega o ativo fique seguro.

Sexta-feira, o dinheiro já entra no fundo

Junto com o DBS, de Singapura, e a Franklin, o aporte acontece intraday e até em sábado e domingo, sem esperar a segunda-feira de mercado aberto. Já está rodando em produção.

A gente fala muito agora sobre collateral mobility, que é muito importante. O collateral mobility, eu acho que é a palavra da vez.

Definição

A pirâmide: tokenizar na base, stablecoin na ponta

Cinco ou seis anos atrás, tudo era tokenizado e pensado para distribuir; era o primeiro teste. Depois vieram os gaps, a necessidade de desenvolver regulação e tecnologia juntas e o DREX do Banco Central. O mercado chegou até aqui dividido entre duas vertentes — stablecoins e tokenização — que, na leitura da mesa, não são excludentes.

A tokenização é a base, não a ponta

É onde se decide qual padrão será valorizado, qual o potencial de escalabilidade e que tipo de ativo se vai tokenizar — e para onde. O maior potencial está na movimentação de colateral.

Colateral é o que a Anbima está discutindo

O tema vem sendo tratado na entidade e em outros consórcios pelo mundo, como o passo antes de chegar à ponta da pirâmide, onde estão os stablecoins.

O stablecoin é instrumento de liquidação

Num ambiente maior de tokenização, ele serve para fazer o settlement, o delivery versus payment. Tem que ter um uso real: é o instrumento dessas redes, não um fim em si.

A gente se fala muito em stablecoins, fazer stablecoin. Mas a grande pergunta aqui é pra quê?

Prova de campo

Onze anos de Visa e uma CPR tokenizada

A Visa trabalha com cripto há mais ou menos 11 anos, e boa parte do caminho foi feita dentro de casa: a plataforma de ativos tokenizados foi lançada primeiro internamente, para teste e experimentação, antes de virar oferta de mercado.

O teste começou dentro de casa

A empresa lançou primeiro para si mesma, foi entendendo o que banco e adquirente estavam prontos para absorver e adaptando o que era necessário antes de levar adiante.

A CPR tokenizada saiu do Lift Challenge

A Visa trabalhou com a empresa que depois virou JustToken, no Lift Challenge e no DREX, para levar ao agro um ativo divisível que não tinha mecanismo. Depois vieram safra, energia e outros modelos.

A conversa não é mais só com startup

As conversas dentro do mercado institucional chegaram a outro nível, com players cada vez mais maduros; ainda há muita coisa para assentar, mas a evolução está acontecendo.

Eu acho que a Visa veio meio que se adaptando. Estamos sendo esse adaptador universal, que conecta o mercado cripto ao mercado tradicional.

Onde concordaram

Nem briga de anão: os instrumentos convivem

Uma pergunta organizou o fim do painel: bancos olhando depósito tokenizado, players de cripto pedindo licença bancária nos Estados Unidos e dois modelos econômicos distintos — de um lado o multiplicador do fractional reserve banking, de outro o colateral um para um contra Treasuries. Como esses ativos convivem?

A resposta foi que não existe essa competição: o mundo onchain precisa de dinheiro, quase-dinheiro ou instrumento de liquidação, e vai ter depósito tokenizado e stablecoin servindo a casos de uso diferentes. Hoje, talvez a stablecoin faça o papel do instrumento neutro e fungível para a comunicação global de valor — sem fazer desaparecer o depósito tokenizado.

Lá fora, o tema ainda não estava entendido

No fim do ano passado, num evento com bancos pequenos e europeus, ficou claro que o assunto não era bem compreendido na maioria deles. No Brasil, a avaliação é de que a compreensão é maior.

O DREX não foi pra frente, mas definiu papéis

O projeto foi citado como exemplo de arranjo em que cada instrumento tinha função, com um consórcio de CBDC de atacado servindo basicamente à interoperabilidade entre eles.

Um pedido de cuidado com o radicalismo

O equilíbrio é caso a caso: o que dá para resolver com depósito tokenizado se resolve ali, e a troca por stablecoin fica para o pagamento cross-border, sempre pensando no impacto.

A Visa ajuda o cliente a escolher o trilho

A casa vem atuando globalmente junto aos clientes para desenhar estratégia de depósito tokenizado e entender onde aplicar cada instrumento, conforme o caso de uso.

Não existe essa competição, essa briga de anão. [...] O ponto é que é um mundo tokenizado: o mundo onchain precisa do dinheiro, ou do quase-dinheiro, ou do instrumento de liquidação e transação on-chain.

O que ficou

Assentado

  • A mesa tratou o momento como ponto de inflexão: o que era piloto e prova de conceito está virando produto.
  • Ninguém defendeu exclusividade entre stablecoin, depósito tokenizado e CBDC; a mesa convergiu em convivência caso a caso.
  • Uma operação da Ripple com o DBS e a Franklin, em Singapura, já roda em produção, com aporte fora do horário.
  • Regulação e sistema legado, não a tecnologia, ficaram como o que ainda segura a escala.

Em aberto

  • Qual padrão e qual rede vão sustentar o mercado de capitais tokenizado segue como pergunta aberta.
  • Onde termina o depósito tokenizado e começa a stablecoin ficou como equilíbrio a achar caso a caso.
  • O efeito de uma migração ampla ao stablecoin sobre o crédito brasileiro foi levantado sem número nem prazo.
  • O DREX foi citado como projeto que não foi pra frente por outras razões, não detalhadas na sessão.

Termos citados

Depósito tokenizado
Depósito bancário representado em token, que segue dentro do banco e ligado ao crédito.
Um dos três instrumentos que a mesa discutiu na segunda metade da sessão.
Stablecoin
Token lastreado em moeda, tratado na mesa como instrumento de liquidação on-chain.
Na sessão, o lastro do emissor foi descrito como um colateral um para um contra Treasuries.
CBDC
Moeda digital emitida pelo banco central; no DREX apareceu na versão de atacado, entre instituições.
Citada como a terceira opção da disputa que a mesa considera falsa.
DREX
Projeto de moeda digital do Banco Central brasileiro, com piloto de tokenização e liquidação.
Citado como arranjo que não foi pra frente, mas que já tinha definido papéis.
Collateral mobility
Capacidade de mover a garantia em vez de deixá-la parada, tokenizando-a para usar do outro lado.
Chamada na sessão de a palavra da vez: dinheiro parado é custoso.
Delivery versus payment
Liquidação em que a entrega do ativo e o pagamento acontecem amarrados, um condicionado ao outro.
O uso apontado na sessão para o stablecoin dentro de um ambiente tokenizado.
Multiplicador bancário
Efeito pelo qual o depósito do cliente vira crédito e se multiplica em moeda escritural.
A razão pela qual se pede cuidado antes de migrar tudo para stablecoin.
Quatro linhas
Expressão de mercado para o campo delimitado pela regra: fazer as coisas dentro da regulação.
Usada na sessão para dizer que a escala agora acontece dentro da regulação.
XRP Ledger
Rede blockchain onde circula o token XRP, usada pela Ripple para montar os seus produtos.
Continuaria rodando mesmo se a Ripple morresse, conforme dito na sessão.
CPR
Cédula de Produto Rural, título com que o produtor antecipa receita de safra.
O ativo tokenizado de ponta a ponta no Lift Challenge, citado na sessão.
Marcos citados
  1. Há ~11 anosA Visa começa a trabalhar com cripto e passa a testar as próprias plataformas dentro de casa.
  2. 5-6 anos atrásFase em que tudo era tokenizado e pensado para distribuir — o primeiro teste do mercado.
  3. 2021Ano anunciado como o da tokenização; cinco anos depois, a frase voltou à mesa com a ressalva de que agora parece que vai.
  4. Ano passadoNo fim do ano, em evento com bancos europeus, fica claro que o tema ainda não era bem entendido lá fora.

Citados na sessãoItaú Unibanco·BTG Pactual·Visa·Ripple·Valor Capital Group·XRP Ledger·JustToken·YPF·Anbima·BBChain·DREX·Lift Challenge·Banco Central·CVM·NYDFS·OCC·DBS·Franklin·B3·ReitBZ

TemasTokenização·Stablecoins·Depósito tokenizado·Infraestrutura financeira·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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