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Main Stage

12/08 · 17h35–18h1540 min de sessãoresumo em 5 min

Tokenização em escala: construindo a próxima geração do mercado de capitais

Quatro casas da pilha de tokenização foram cobradas do que trava a escala, e nenhuma respondeu tecnologia: a trava é liquidez e jurisdição.

Yuki YuminagaRegina PedrosoAriel ScaliterDiego ConsimoRodrigo Mendes

O essencial

Contexto

Painel de fim de tarde no Main Stage, moderado por Regina Pedroso, da ABToken, e conduzido em português e inglês. A mesa juntou quem dá liquidez (Tenbin Labs), quem estrutura e custodia (Enor Securities), quem origina no agro (Justoken) e quem opera o trilho (XDC Network). Em vez de defender a tokenização, a sessão passou o tempo listando o que ainda impede a escala.

A sessão em detalhe

Abertura

Quatro casas, quatro camadas da mesma pilha

A mediação abriu avisando que o painel correria em português e inglês, com tradução ao vivo. Cada convidado fez uma apresentação curta da casa antes de as perguntas começarem — e o que veio foi um corte transversal da cadeia, de quem origina o ativo a quem garante que ele possa ser vendido.

Cada um pegou um pedaço do mesmo problema

Tenbin Labs entrou pela liquidez, Enor Securities pela estruturação e custódia, Justoken pela originação no agro e XDC Network pelo trilho onde tudo é registrado.

Cada pergunta foi endereçada a uma casa

Cada casa recebeu a sua pergunta: a fusão entre TradFi e DeFi, o contraste entre Brasil e El Salvador, a infraestrutura de um mercado global e os pontos mais sensíveis do desenvolvimento.

A tese

Tokenizar é a parte fácil; o difícil é a liquidez

A Tenbin Labs começou pelo real e pelo peso mexicano. O mercado já viu muitos BRLs tokenizados nos últimos anos, e a lição registrada é outra: emitir o token é a etapa simples, e o que decide se ele serve para alguma coisa é a liquidez que existe do outro lado.

Doze segundos para voltar a USDC

A promessa é tokenizar e liquidar de volta dentro de um bloco Ethereum, com spread muito apertado — a garantia que a casa diz oferecer a todos os detentores dos ativos.

O rendimento local vai junto, na cadeia

Além da conversão, a casa entrega o juro do país de origem: 13% no real e cerca de 7% no peso mexicano, tudo dentro da cadeia.

A liquidez que falta já existe fora da cadeia

Os ativos que a casa tokeniza têm mercado profundo no mundo real, com giro diário de 5 a 10 bilhões de dólares e execução em bolsas como a CME. Sem puxar isso para dentro, o DeFi vira mundo paralelo.

A tokenização é frequentemente a mais fácil. A parte difícil é garantir que ativos tokenizados têm a liquidez necessária para ser um ativo útil na blockchain.

Os números

Três trilhões de potencial e um crédito de 28% a 35%

A XDC Network se apresentou como o trilho: registro, conciliação, liquidação, transferência e programabilidade de ativos do mundo real, com a rede desenhada desde o início para financiamento comercial. A rede se diz em sexto lugar no mundo e em primeiro no Brasil em volume de ativos tokenizados.

Só a duplicata escritural vale dois trilhões

O potencial do mercado brasileiro foi estimado em torno de três trilhões de dólares, e parte das duplicatas escriturais eletrônicas já vai nascer com registro em blockchain.

O RWA brasileiro paga de 10% a 12% ao ano

Com hedge em dólar, empresas de risco baixo conseguem oferecer essa faixa ao investidor internacional — o argumento apresentado para exportar a classe de ativo.

Antecipar recebível custa de 28% a 35% ao ano

É o custo que a tokenização atacaria primeiro, forçando os bancos a correr atrás com um custo de capital muito mais alto do que o da nova estrutura.

Estamos entrando em uma nova era. Uma era de crédito mais barato, que a tokenização permite.

Em produção

Da Agrotoken à Justoken: quatro países e US$ 3 bilhões

Apresentada como um dos nomes da tokenização do agro no Brasil, a Justoken nasceu da virada da Agrotoken e abriu frentes novas, entre elas a tokenização de energia. E a ordem foi sublinhada: primeiro se origina o ativo que vai servir de colateral, depois se securitiza, só então se distribui.

Mais de três bilhões hoje, quase dez no fim do ano

É o estoque declarado em token no momento da sessão e a estimativa para o final do ano, com Banco do Brasil e Bunge entre as instituições com que a casa diz trabalhar.

Quatro países, com o Brasil como mercado principal

A operação roda em Argentina, Brasil, Paraguai e Chile. O Brasil é onde a casa concentra o negócio, e foi o mercado citado como o principal dos quatro.

Commodity veio por último, e de propósito

A sequência foi money market, stablecoin, real estate e dívida; a commodity ficou para quando o mercado amadurecesse. Açúcar e café entram este ano.

A gente faz barter, que troca soja por fertilizante. Se a gente transaciona real, tem sentido que seja um token.

O que trava

A trava é a fronteira, não a tecnologia

A Enor Securities opera de El Salvador, das Bahamas e do Brasil, com estruturação, tokenização, custódia e liquidez. No grupo está a e-grains, apresentada como a primeira emissora do mundo de um token com lastro em contratos futuros de soja. A estratégia agora é costurar as três estruturas para conseguir mover o ativo de um lado para o outro.

Pelo rito brasileiro, o ativo não atravessa

Pela tokenizadora do Brasil, via CVM 88, não há como levar o papel para fora: fica no país de qualquer forma e obedece ao rito inteiro. Pela estrutura de El Salvador, há.

O cliente francês e a soja de três países

O nó foi descrito assim: se o comprador executa um token lastreado em soja comprada no Brasil, na Argentina ou no Paraguai, falta dizer como isso se cumpre. Há grupo de trabalho na UNCITRAL.

Perda de controle se responde com auditoria

O argumento mais repetido contra o on-chain é o de que o regulador perde controle, quando o contrato inteligente permite montar todo um processo de auditoria em cima da operação.

Quem não toca em banco local escapa da conta

Na Tenbin Labs, a operação corre com contrapartes americanas, já pesadamente reguladas, e por isso não esbarra na regulação brasileira descrita no resto da mesa.

Vai ter que ficar no Brasil de qualquer forma. Aí vai obedecer o rito inteiro. Então, eu não consigo fazer isso.

O relógio

45 dias para o piloto, o ano para a regra

O único calendário concreto da mesa não veio de pergunta nenhuma. Entrou pela ABToken, que descreveu o trabalho de que diz fazer parte aqui no Brasil — e os prazos que ele carrega.

O piloto tem 45 dias para ficar de pé

É o prazo do trabalho de que a ABToken participa, aqui no Brasil, para desenvolver o piloto que serve de base ao resto do calendário.

As regras ficam para o fim do ano, com a CVM

A missão descrita é estabelecer as regras, a base e os testes em rede que vão validar a tokenização, para que ela passe a ser toda dentro da cadeia.

Um semestre de 2026 para provar ao regulador

A janela citada é pilotar e mostrar ao regulador que já é possível, partindo das operações concretizadas, para daí desenhar a regulação.

O processo da CVM junta interoperabilidade e cibersegurança

O processo da CVM foi apontado como a oportunidade de endereçar a operação on-chain inteira: interoperabilidade, privacidade e cibersegurança na cadeia de compliance.

O que ficou

Assentado

  • A mesa tratou a emissão como problema resolvido e pôs a liquidez, e não a tokenização, como o gargalo real.
  • A Justoken opera em quatro países e declarou mais de US$ 3 bilhões tokenizados, com Banco do Brasil e Bunge entre as instituições com que diz trabalhar.
  • A XDC Network diz estar em sexto lugar no mundo e em primeiro no Brasil em volume de ativos tokenizados.
  • Nenhum painelista apontou a tecnologia de emissão como obstáculo: as travas citadas foram liquidez, jurisdição e convencimento do regulador.

Em aberto

  • Levar o ativo tokenizado brasileiro para fora segue barrado pela CVM 88, e ninguém disse o que mudaria isso.
  • Como um cliente estrangeiro executa um token de soja comprada em três países continua sem resposta jurídica.
  • O piloto de 45 dias e as regras com a CVM até o fim do ano vieram sem detalhe de escopo ou de participantes.
  • A meta de quase US$ 10 bilhões até o fim do ano foi apresentada como estimativa, sem base de cálculo na sessão.

Termos citados

RWA
Sigla de real world assets: ativos do mundo real representados por token em uma rede.
A gama que a XDC Network diz englobar no seu trilho.
Duplicata escritural
Título de crédito eletrônico de uma venda a prazo, registrado em sistema.
A sessão pôs dois trilhões de dólares só nessa classe.
CVM 88
Norma da CVM citada na sessão como o rito que mantém o ativo tokenizado dentro do Brasil.
O limite que a Enor tenta contornar pela estrutura de El Salvador.
USDC
Stablecoin de dólar usada como destino da liquidação dos tokens da Tenbin Labs.
A conversão de volta prometida em 12 segundos.
Spread
Diferença entre a ponta de compra e a de venda, o custo embutido em cada conversão.
O que a Tenbin diz manter apertado ao liquidar o token.
On-ramp e off-ramp
Entrada e saída entre moeda local e cripto, feitas em volume por empresas de câmbio.
O caso piloto que a Tenbin Labs diz estar construindo.
UNCITRAL
Órgão da ONU onde corre o grupo de trabalho citado na mesa para alinhar jurisdições.
A resposta em construção para o token de soja executado no exterior.
Antecipação de recebíveis
Adiantamento do valor de uma venda a prazo, cobrado com desconto sobre o total.
Custa de 28% a 35% ao ano, segundo a XDC Network.
Marcos citados
  1. 2018Bitcoin e blockchain eram quase inexistentes na pauta dos bancos, na lembrança da XDC Network.
  2. 2023A discussão de tokenização entra em cena; pouco mais de dois anos depois, chega ao sandbox e à CVM.
  3. 45 diasPrazo do trabalho de que a ABToken participa para desenvolver o piloto aqui no Brasil.
  4. Fim do anoDuas entregas anunciadas: as regras junto com a CVM e quase US$ 10 bilhões tokenizados pela Justoken.
  5. 2026Um semestre do ano é a janela citada para pilotar e mostrar ao regulador que a operação já é possível.
  6. Até 2030Prazo do programa citado na sessão, seguido da projeção de US$ 16 trilhões tokenizados no mundo.

Citados na sessãoABToken·Tenbin Labs·Enor Securities·e-grains·Justoken·Agrotoken·XDC Network·CVM·CME·Ethereum·Banco do Brasil·Bunge·UNCITRAL

TemasTokenização·RWA·Mercado de capitais·Liquidez·Regulação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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