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Main Stage

12/08 · 16h25–17h0540 min de sessãoresumo em 6 min

Além dos airdrops: repensando as recompensas de comunidade

A KAST anunciou que os pontos poderão virar equity tokenizado, deu polêmica, e a mesa usou o caso para julgar o airdrop como modelo.

Aaron StanleyFabio CatalãoBernardo BritesRai AuadDP

O essencial

Contexto

Aaron Stanley moderou uma mesa com Fabio Catalão, Rai Auad, Bernardo Brites e Danilo Perotti: parte dela se declarou caçadora de airdrop, parte falou do lado de quem desenha o incentivo. O gancho era recente: a KAST anunciou que os pontos acumulados pelos usuários poderão virar equity tokenizado, e não token da casa. A partir dali a conversa virou balanço do airdrop como modelo — o que ele resolveu, o que quebrou e o que está entrando no lugar.

A sessão em detalhe

Abertura

Atrair usuário é fácil; difícil é ele continuar usando

A abertura deu o tom que a mesa repetiria depois de quatro ângulos diferentes: cripto é feito por comunidade, e incentivar comunidade pode ser muito difícil. Já houve muita tentativa, do DeFi Summer aos airdrops recentes, e agora são os neobanks como a KAST que experimentam novas formas. A pergunta posta no centro não é como atrair, e sim como manter o interesse do usuário.

O joguinho de trocar o yield de protocolo

No DeFi Summer você punha seu LP num protocolo e recebia yield; outro chegava, oferecia incentivo maior e você migrava. Aquilo virou um tipo de joguinho.

A mesa é de veteranos de caça a airdrop

O painel foi apresentado como gente experiente em airdrop farming — ou hunting. Na mesa houve quem se declarasse airdrop hunter com muito orgulho e quem contasse já ter caçado airdrop.

A tese

Airdrop é campanha de incentivo com dinheiro real

O hype da atividade diminuiu, e a pergunta sobre o estado dela virou definição: o airdrop saiu do terreno do presente e foi para o do incentivo — campanha para atrair usuário, com a lógica da startup que precisa atravessar o vale da morte antes de provar o produto. Na mesa, quem desenha crescimento e quem farma airdrop chegaram ao mesmo enquadramento.

O usuário orgânico atravessa o vale da morte junto

Ele ajuda o projeto a sair de lá e, de quebra, testa o produto num mercado ainda incipiente e muito novo — só que testa com capital próprio, dinheiro real.

O modelo foi copiado por quem não sustentava

Airdrop virou modelo de negócio, e o modelo foi replicado para muita gente, inclusive produtos que talvez não suportassem aquela dinâmica. O saldo foi negativo.

A expectativa que sobrou é irreal

Depois dos casos em que gente ganhou uma monta inacreditável, criou-se a conta de que qualquer interação, qualquer gasto no cartão, qualquer campanha de pontos devolveria dinheiro proporcional.

Aqueles usuários orgânicos estão te ajudando a sair, entre aspas, desse vale da morte.

O anúncio

Os pontos da KAST podem virar equity tokenizado

A KAST entrou na conversa pelo lado de quem opera o programa. A casa começou como cartão, e o público de airdrop usava muito porque cada compra virava ponto. Recentemente veio o anúncio que gerou polêmica: esses pontos possivelmente poderão ser usados para ter equity tokenizado, e não tokens da KAST.

No lançamento, a comunidade vende

Projetos tecnicamente bons, com comunidade farmando o airdrop, viram o valor do token ir a zero — e a comunidade ficar mais fraca do que era enquanto o airdrop não tinha saído.

Um modelo que ainda não foi feito no mercado

O formato não veio vendido como resposta pronta: é diferente, ainda não foi feito no mercado e não está dito que seja o melhor. A KAST também faz cashback.

A comunidade praticamente só vendeu o token, e foi isso. A gente viu o valor de tokens irem a zero.

O que trava

O problema do airdrop é para quem vão os tokens

A Trace Finance, que já processou mais de 10 bilhões de dólares em pagamentos, trouxe a leitura de quem desenha tokenomics e também usa. O exemplo foi a Decred, em 2018: uma alternativa ao Bitcoin com voto descentralizado, em que mais token em stake dava mais peso de voto. Ali o airdrop pôs perto de 25% do supply total em mãos aleatórias.

Do criptógrafo ao primo que esqueceu

O mesmo airdrop podia cair na mão de alguém pesado em criptografia, com interesse no sucesso do token, ou de quem se inscreveu por indicação do primo e três meses depois vendeu tudo.

Lock-up e market making, como num IPO

Para segurar a pressão de venda existe estrutura: trava de venda, a queda de preço quando o lock-up expira e o market making — a mesma gramática de um IPO.

O brasileiro médio não espera dez anos

No Brasil há mais gente investindo em cripto do que na bolsa, sem costume de longo prazo. Equity de empresa não listada só viraria liquidez daqui a 5 ou 10 anos.

O primo dele mandou mensagem pra ele e falou: ah, se inscreve nisso aqui, você vai ganhar tokens. E o cara esqueceu disso, três meses depois ele pode simplesmente chegar e vender tudo.

Prova de campo

Fidelidade fora do cripto: Las Vegas, Uber e a cenoura

Fora das criptomoedas, o exemplo de loyalty que a mesa foi buscar é a indústria de cassinos e apostas. Las Vegas, visitada na semana anterior, deu o desenho: cartão na slot machine, refeição por conta da casa quando o apostador está perdendo muito dinheiro, quarto de hotel de graça quando ele fica chateado. Ali a fidelização virou ciência.

O Uber que chegava com Mercedes, água e bala

Da mesa veio a réplica: airdrop não é invenção do cripto. O cupom do iFood e o Uber chegando a São Paulo davam luxo que não se paga. Hoje chega um Kwid batido, e o ganho vem do spread maior.

O mal de uma vez, o bem aos poucos

O incentivo foi tratado como conceito quase maquiavélico: melhor distribuir 100 por mês durante 100 meses do que 10 mil de uma vez, porque de uma vez o sujeito vende tudo e some.

Dar menos depois soa como piora

A cenoura vira direito adquirido: se o programa começa pagando muito e depois paga pouco, o usuário entende que o produto piorou. Foi o que a mesa viu acontecer com os airdrops.

Onde concordaram

Antes do incentivo, a conta que qualquer um abre

Perguntada sobre o que o mercado cripto pode aprender de fora, a mesa foi para o mesmo lugar: usabilidade. Ninguém falou em recompensa maior; a convergência foi em tirar da frente do usuário aquilo que ele não precisa entender para usar o produto.

Ninguém precisa saber qual é a bridge

A KAST tenta abstrair o cripto: a pessoa que nunca teve conta consegue abrir uma sem saber qual é a bridge. Vale para qualquer projeto que queira adoção.

A frase-semente empurrada goela abaixo

A abstração de contas apareceu como a melhor UX: telefone e e-mail são o cotidiano de qualquer um. Em cripto ainda é preciso criar carteira, guardar as frases e não perder o papel.

Cripto ainda é balcão de laboratório

A construção segue empírica e espelhada no mercado tradicional — o influencer virou KOL. Quem chega achando que está tudo pronto compara com décadas de mercado montado.

O recado

De cenoura para todos ao valor que cada um traz

No fecho, o airdrop levou elogio e crítica na mesma frase: foi acessível a qualquer pessoa, diferente do farming de yield, que só pagava bem para quem tinha capital de LP. E foi democrático demais.

Quem veio pela democracia já foi embora

Nos últimos 12 meses a composição do varejo mudou: muita gente migrou para IA ou saiu do mercado. Boa parte de quem chegou pela promessa do airdrop não está mais aqui.

Neobank virou commodity sobre stablecoin

São muitos os produtos rodando sobre trilhos de stablecoin, pouco diferenciados entre si. A disputa passou a ser por um cliente que pode ser cripto nativo ou não ter experiência nenhuma.

O incentivo B2B que rendeu dezenas de milhões

A mesa lembrou uma rede que incentivava empresas a negociar nela: uma delas fez dezenas de milhões de dólares simplesmente fazendo transação de um lado para o outro.

Chofer no aeroporto no lugar do token

A alternativa que cresce é pagar o holder com experiência: a Cainvest manda chofer buscar no aeroporto, dá show exclusivo e meet and greet, alinhados ao valor que a pessoa traz.

Eu poderia criar 100 carteiras, VPNs, fica clicando todo dia. Foi democrático demais.

O que ficou

Assentado

  • A KAST anunciou que os pontos acumulados podem virar equity tokenizado em vez de token, e a polêmica veio junto.
  • Ninguém na mesa defendeu o airdrop como está: a descrição comum foi a da comunidade que farma, recebe e vende.
  • Airdrop é campanha de incentivo, e não invenção do cripto: o cupom do iFood e o Uber cumpriram o mesmo papel.
  • A mesa convergiu em usabilidade e abstração de conta como o que sustenta a adoção depois do incentivo.

Em aberto

  • Qual é o melhor modelo de fidelização: a própria KAST disse não estar afirmando que o equity tokenizado é ele.
  • Como recompensar sem criar direito adquirido, já que pagar menos depois é lido pelo usuário como produto pior.
  • Se o público atraído pela promessa do airdrop volta, depois de migrar para IA ou sair de vez do mercado.
  • Quanto vale, em prazo e liquidez, um equity não listado para um investidor acostumado ao curto prazo.

Termos citados

Airdrop
Distribuição de tokens a quem usou o produto, como campanha de incentivo.
A mesa tratou o da Uniswap como o primeiro famoso.
Airdrop hunter
Quem interage com protocolos com o objetivo de receber o airdrop futuro.
Houve quem se declarasse um na mesa, com muito orgulho.
DeFi Summer
Ciclo em que protocolos disputavam liquidez oferecendo yield cada vez maior.
Citado na sessão como precedente do joguinho de incentivos.
LP
Provedor de liquidez: quem deposita capital num protocolo em troca de rendimento.
Sem capital de LP, o farming não pagava bem.
Tokenomics
A economia desenhada por trás de um token e do seu mecanismo de incentivo.
Cada produto e cada empresa demanda um arranjo diferente.
Equity tokenizado
Participação societária da empresa representada em token, e não em ação registrada.
O que a KAST anunciou que os pontos poderão virar.
Lock-up
Período em que quem recebeu o token fica impedido de vendê-lo.
Comparado ao lock-up que expira depois de um IPO.
KOL
Key opinion leader: o nome que o mercado cripto deu ao influenciador.
Citado como dinâmica espelhada do mercado tradicional.
Abstração de contas
Criar e usar conta com telefone e e-mail, sem lidar com carteira e frase-semente.
Apontada na mesa como a melhor UX para o usuário.
Stablecoin rails
Trilhos de pagamento em stablecoin sobre os quais rodam muitos neobanks.
Citados como sinal de que esses produtos estão comoditizados.

Citados na sessãoUniswap·Decred·KAST·Trace Finance·Mercurius·Paradex·Circle·Cainvest·Uber·iFood·MetaMask·Bitcoin·UFRJ·Las Vegas

TemasAirdrops·Comunidade·Tokenomics·Fidelização·Neobanks

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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