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Main Stage

13/08 · 12h20–13h0040 min de sessãoresumo em 6 min

Como a IA pode elevar o Brasil a uma superpotência global

O painel mapeou cinco camadas de inteligência artificial e parou, no meio do caminho, na que atravessa todas: a soberania.

André MontenegroAntonio WanderleyBruno Pessoa

O essencial

Contexto

Painel do Main Stage com Bruno Pessoa, da Chiliz, na moderação, e dois convidados: Antonio Wanderley, CEO do Ibope, e André Montenegro, fundador da Liqi e da Cultura Builder. Aberto no dia seguinte à reunião de Lula com ministros no Planalto, o debate partiu de um mapa de cinco camadas da IA e virou, na metade, uma conversa sobre soberania — e sobre o que acontece quando o acesso ao modelo é decidido de fora.

A sessão em detalhe

Abertura

O painel abriu no dia seguinte à fala de Lula

A sessão abriu registrando que aquele era o primeiro painel sobre inteligência artificial, e que o evento tem também um palco dedicado ao tema no segundo piso. Antes de qualquer tese, a primeira pergunta foi outra: o que é IA dentro do negócio hoje?

A véspera no Planalto entrou como moldura

O painel abriu lembrando que, na véspera, o presidente Lula reuniu ministros no Planalto para dizer que o país entra na era da inteligência artificial e que não tem volta.

O guardião do dado num mundo de LLM

O Ibope se define como guardião de uma entidade intrínseca à sociedade brasileira. Entre os clientes já estão os atores de IA, e a preocupação passou a ser esse dado dentro de LLMs.

Definição

Cinco camadas entre a energia e o prompt

O painel partiu de uma régua: entre o prompt digitado e a resposta que aparece na tela existem cinco camadas. Energia na base; chips e GPUs acima; a infraestrutura de datacenters, combinação das duas; os modelos rodando dentro dela; e, no topo, as aplicações. Na camada de chips está a NVIDIA, apresentada como a maior empresa do mundo em valor de mercado, com trilhões correndo para casas como a OpenAI.

Sem energia, nenhum modelo se forma

A base da pilha não é software. E é da combinação de energia com capacidade computacional que sai o datacenter, a camada onde os modelos conseguem rodar.

R$ 23 bilhões, ou oito dias de Amazon

O PBIA prevê cerca de 23 bilhões de reais para inteligência artificial no Brasil nos próximos quatro anos. Na régua global, é o que a Amazon gasta a cada oito dias.

No topo, a aplicação e 200 milhões de pessoas

É na camada de aplicação que aparece o caminho para o país, e o argumento é de escala: um mercado interno de 200 milhões de pessoas.

Nenhuma inteligência artificial vai conseguir formar se não existir energia.

Em produção

Um enxame de agentes, e um deles confere o contrato

Superagentes, agentes e enxames supervisionados

Já há operações inteiras geridas por agentes, com estruturas supervisoras coordenando o conjunto. É o que dá escala de atendimento na prática hoje.

O receio inicial era de segurança, e passou

No começo havia resistência sobre como aquilo seria feito com segurança. Depois de insistência, vieram agentes para RH, comercial, atendimento a institucionais e conferência de cálculos de contrato.

A tese

Onde o Brasil vence: energia, aplicação e cultura

A pergunta foi direta: nessa divisão de cinco camadas, onde o Brasil compete de verdade? A resposta começou tirando uma delas do tabuleiro — a do modelo de fronteira. Depois veio a energia, que é o que traz datacenter para o país, e o tamanho e a inquietude do usuário brasileiro.

A fronteira é jogo de cinco ou seis

Competir com o frontier model fica caro e talvez ineficiente. A China, foi lembrado no palco, puxa a fronteira por outro caminho, diferente de tentar disputá-la de frente.

Microprocessador é desafio; aplicação, não

Apesar de uma capacidade industrial descrita como única, chips seguem fora de alcance. Já as aplicações essenciais deveriam, ficou dito na mesa, ser controladas pelo Brasil.

Ganhar em várias, ao menos no mercado doméstico

A leitura que ficou é que não é preciso vencer em uma das cinco camadas: dá para ganhar em várias ao mesmo tempo, pelo menos dentro do mercado doméstico.

Educar já seria revolucionário

Antes das camadas veio a cultura: fazer as pessoas entenderem o impacto da IA na vida, na saúde e no trabalho já seria, sozinho, transformacional para o país.

A gente tem que se preocupar com as camadas e se preocupar de educar, criar uma cultura para que as pessoas usem.

A ruptura

O acesso ao modelo virou decisão de outro país

O episódio entrou na conversa ali mesmo: naquele dia, o acesso ao modelo mais potente da Anthropic — citado no palco como Fable — apareceu restrito, com exigência de identificação, e o Brasil ficou de fora. A restrição partiu de exigência do governo americano. Foi revertido, mas a mesa registrou que serviu de prova e que pode se repetir.

Naquele dia, a análoga americana levava vantagem

A mesa registrou o dia em que, depois de 26 anos nos Estados Unidos, ficou claro que a equivalente americana teria vantagem competitiva. Extrapolado para a nação, isso não termina.

Quem define o limite do que se pode perguntar

Guardrails são os limites do que se pode perguntar. Pedir uma bomba tem resposta óbvia; o resto, não — e a pergunta que ficou é quem define esse limite quando não é o país que decide.

A cultura, quando a inteligência se iguala

Entrou na mesa uma cena de Pluribus, da Apple TV, em que uma cultura é destruída pela via da inteligência: quando se equipara a inteligência de todo mundo, a cultura deixa de fazer sentido.

A capacidade de inteligência sendo controlada por um país. Seja pelos Estados Unidos, seja pelo Brasil, seja pela China.

O que trava

A governança adiada já é uma escolha feita

O funcionário resolve em casa, em dez minutos

A rota real do dado ficou descrita assim: o colaborador leva a tarefa para casa, abre um assistente para resolver em dez minutos, e a informação da empresa já não está mais dentro dela.

Dois problemas, e o pior é ninguém usar

De um lado, dados despejados em IAs pela decisão isolada de cada colaborador. De outro, descobrir que entre dois mil colaboradores ninguém explorou IA — o segundo, ficou dito, é o mais grave dos dois.

Um modelo aberto rodando dentro de casa

Ficou relatado na mesa um teste no Ibope com modelo open source criado para o grupo, com dado do próprio grupo. Sem teto de tokens: muitas empresas dão 20 dólares por dia a quem está criando.

O recado

Trate a IA como videogame e passe pelo portal

O spellcheck já foi essa mesma discussão

Antes do corretor ortográfico, a correspondência de uma empresa era de um jeito. Depois que a ferramenta existiu, errar virou preguiça — e aquilo passou a ser a barra mínima.

Um mês explorando muda o resto

O conselho, admitido como controverso na própria mesa: usar IA como videogame por um mês, sem a barreira de que aquilo precisa ser sério. Passado o portal, você vê tudo diferente.

Um relógio de fila de 15 anos, achado por IA

Foi contado o caso de um líder que usou IA para localizar e comprar num duty free um Rolex de lista de espera de 15 anos. No mesmo dia concluiu que sua empresa tinha que mudar.

O que ficou

Assentado

  • A mesa não viu o Brasil disputando o modelo de fronteira: energia e aplicação foram as camadas apontadas.
  • Ficou registrado que o acesso ao modelo mais potente já foi restringido uma vez, e que pode se repetir.
  • Adiar a decisão de governança de dados, ficou dito na mesa, já é uma decisão tomada.
  • A adoção de IA foi tratada como inevitável, sem contestação, pelo mesmo caminho que o corretor ortográfico abriu.

Em aberto

  • Quem define os guardrails, e o que um país faz quando esse limite é decidido fora dele, ficou sem resposta.
  • A tributação dos GPUs importados para datacenters estava em debate no Senado, sem desfecho citado.
  • Como financiar as camadas de chip e de infraestrutura ficou em aberto: o incentivo local apareceu como necessidade, sem plano.
  • A conversa de soberania como sociedade, e não apenas como empresa, foi apontada como a que ainda falta.

Termos citados

PBIA
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, documento que organiza o investimento público na área.
Citado com cerca de 23 bilhões de reais para os próximos quatro anos.
Modelo de fronteira
O modelo mais avançado de um dado momento: o mais potente, o que mais exige computação e o mais caro.
A camada apontada na mesa como a que o Brasil não deveria tentar disputar.
Guardrails
Limites impostos ao modelo sobre o que pode ou não ser perguntado e respondido.
O exemplo extremo dado no palco foi pedir a construção de uma bomba.
Sovereign AI
Termo usado para a capacidade de um país manter controle sobre sua própria infraestrutura de IA.
O termo circula, mas ficou dito na mesa que falta falar de agência.
Agência
O poder de decisão sobre o próprio futuro, do núcleo pessoa ao núcleo nação.
Apontado como o ponto que a conversa de soberania ainda não cobre.
Modelo open source
Modelo que pode ser rodado localmente, sem enviar os dados a um laboratório externo.
Apresentado como saída para não compartilhar dado com nenhum laboratório.
AI First
Empresa já nativa de inteligência artificial, construída em torno dela desde o começo.
Usado na pergunta final, para separar essas empresas de todas as outras.
Hyperscaler
Grande provedor global de nuvem e de capacidade computacional em escala.
Citado na mesa a partir de líderes de duas dessas empresas na América Latina.
Marcos citados
  1. OntemLula reúne ministros no Planalto e diz que o país entra na era da IA, sem volta — citado na abertura.
  2. HojeO acesso ao modelo mais potente da Anthropic aparece restrito e o Brasil fica de fora; a mesa diz que já foi revertido.
  3. Esta semanaO Senado discute a tributação dos GPUs importados para a construção de datacenters no Brasil.
  4. 4 anosÉ o horizonte do PBIA para aplicar cerca de 23 bilhões de reais em inteligência artificial no país.

Citados na sessãoLula·Planalto·Amazon·NVIDIA·OpenAI·Anthropic·Ibope·Cultura Builder·Liqi·Chiliz·Senado·Pluribus·Apple TV·Rolex

TemasInteligência Artificial·Soberania digital·Governança de dados·Open source·Brasil

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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