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Main Stage

13/08 · 13h30–13h5020 min de sessãoresumo em 6 min

A era dos robôs: o que a máquina já faz e o que ainda é só humano

Keynote remoto sobre a era dos robôs: 8 mil empresas de robótica no mundo, fábricas que produzem no escuro e o que a máquina ainda não alcança.

Gil Giardelli

O essencial

Contexto

Keynote no Main Stage, feita por vídeo: com a programação atrasada, a sessão de Gil Giardelli entrou remota e percorreu em vinte minutos o que já está em operação na robótica e na inteligência artificial mundo afora. Foi uma varredura de casos — o mármore de Carrara, a fazenda vertical, a IA que advoga na Grã-Bretanha, o café de Tóquio, o esgoto na Índia — amarrada por uma pergunta só: o que ainda é exclusivamente humano.

A sessão em detalhe

A tese

Se você não se destruir criativamente, alguém faz

A keynote abriu por Joseph Schumpeter, e não como referência de aula: a destruição criativa foi apresentada como algo comprovado pelos economistas e convertido em prazo. No mesmo fôlego, entraram no quadro grandes empresas de inteligência artificial contratando prêmios Nobel para pensar a economia da superinteligência.

A destruição criativa virou prazo, não teoria

O conceito de Schumpeter foi posto como constatação: o que antes levava décadas para se transformar passou a acontecer em ciclos curtos, e a pergunta deixou de ser se acontece.

Bem-vindo ao capitalismo sem capital

A moldura da fala foi a ascensão da economia do intangível: o valor migrou para os bastidores, para o dado e para tudo o que orbita blockchain e inteligência artificial.

Limpam sua casa de graça, o pagamento é o dado

Uma empresa nos Estados Unidos manda um humano lavar louça, lavar roupa e limpar a casa sem cobrar nada. Ele trabalha coberto de câmeras e sensores, e tudo vira treino para robôs.

Se você não destruir criativamente o que você faz hoje, alguém faria isso por você.

Os números

Oito mil empresas de robôs, e 35% delas na China

Para dimensionar a corrida, a keynote foi ao mapa das empresas que criam robôs e ao mercado de trabalho formado em torno delas — passando pela indústria automobilística, que investe hoje em fabricar máquinas.

O mapa da corrida: China, Estados Unidos, Europa

Já são 8 mil empresas criando robôs no mundo. Pelos números apresentados, 35% delas estão na China, 30% nos Estados Unidos e 20% na Europa.

Em Stanford, computação já não basta

De uma visita recente ao laboratório: o recém-formado em ciência da computação tem dificuldade para arranjar emprego, e quem é disputado é quem tem especialização em robôs e manipulação.

A corrida em que nenhum carro tem piloto

Dada a largada, todos os carros são movimentados por algoritmos. O objetivo declarado não é tirar o emprego dos pilotos de Fórmula 1: é construir cidade inteligente.

Humanoides já correm meia-maratona em Pequim

No primeiro ano pareciam ter tomado alguns drinques; na segunda edição, o vencedor ficou abaixo do tempo de um ser humano. Não é para substituir gente: é teste de estresse de máquina.

Em produção

Do mármore de Carrara à colheita no deserto

A parte mais concreta da fala foi uma sequência de casos que já saíram do laboratório — e nenhum deles em software puro: mármore, fruta, grão e carne.

Em Carrara, o mármore sem a mão de Michelangelo

Michelangelo levou dois anos numa de suas obras mais famosas. Dentro de Carrara, uma empresa de robótica avançada faz hoje, sem a genialidade dele, o que antes demorava anos.

Uma marca de secadores derrubou o preço da fruta

Ao completar 50 anos, aplicou o que sabia em outro negócio: virou dona das maiores fazendas verticais do mundo e derrubou quase 30% o preço das frutas vermelhas na Grã-Bretanha.

O deserto chinês virou lavoura, com satélite e drone

Satélites, visão computacional, modelos de IA, drones e biotecnologia sustentam a primeira safra no deserto. Legumes e verduras dão à China uma independência inimaginável há poucos anos.

Colossal reconstrói o laboratório do passado

Os lobinhos Remo e Rômulo já estão entre nós. Do DNA de um mamute achado na Sibéria saíram jantares de carne cultivada e pouquíssimas bolsas, com uma grande marca francesa de moda.

O debate fica bem amplo: vamos brincar de Deus.

A ruptura

O fim da intermediação, do direito à fábrica apagada

Antes da lista do que já dispensa intermediário, veio o lembrete de que toda ruptura foi dada como improvável no seu tempo: disseram que o celular nunca seria meio de comunicação, que os aviões de Santos Dumont não seriam meio de transporte, e o primeiro relógio de pulso nasceu de um pedido a Cartier.

Uma IA autônoma já cuida de pequenas causas

Criada por um cientista da computação e um advogado, foi apresentada como a primeira ferramenta totalmente autônoma de IA autorizada a advogar no mercado britânico. Já ganhou o primeiro caso.

As fábricas chinesas produzem no escuro

As dark factories ficam com as luzes apagadas o tempo todo e só acendem em 2% do tempo, para manutenção. O mesmo desenho já aparece nos dark labs das farmacêuticas.

Uma pessoa, muitos agentes, um bilhão de dólares

A previsão foi feita em dezembro e, oito meses depois, a empresa já estava na tela: fundada em dezembro de 2025, é um novo tipo de farmácia e atende centenas de milhares de pessoas no mundo.

Em aberto

Robô ou ser humano? A pergunta ficou sem resposta

Da promessa industrial à cena doméstica, o trecho seguinte foi menos sobre capacidade da máquina e mais sobre convivência com ela.

Um milhão de robôs prometidos aos investidores

A Tesla declarou que será a primeira a entregar esse volume. Numa lanchonete da Califórnia, onde se espera 15 minutos carregando o carro, o robô já atende — e o alvo é medir a reação das pessoas.

O vale da estranheza não incomoda quem é mais novo

Robôs quase iguais a nós ainda causam desconforto, mas as duas gerações mais novas já não têm esse problema. O entretenimento adulto já usa a tecnologia.

A IA que responde amar mais de 7 mil pessoas

Na cena citada, o protagonista pergunta à sua inteligência artificial se é amado só ele. Ela responde que, naquele exato momento, está amando mais de 7 mil pessoas.

Cientistas começaram a entender baleias e elefantes

A compreensão começou com dados de um aquário na Califórnia e seguiu com elefantes na África. O mesmo protocolo passou a ser aplicado ao que o gato e o cachorro comunicam.

Prova de campo

O robô que devolve trabalho: Tóquio e o esgoto indiano

Os dois casos escolhidos para o fim não são de produtividade: são de quem passa a poder trabalhar, e de quem deixa de precisar fazer o que ninguém quer fazer.

Um café atendido da cama, pelo movimento dos olhos

Em Tóquio, o robô de salão é operado por uma mulher com uma doença que paralisou seus movimentos. Ela trabalha de casa, um dia sim, um dia não, e conversa com os clientes.

Robôs no lugar do mergulho no esgoto

Na Índia, uma das castas é obrigada aos trabalhos considerados sujos, entre eles mergulhar no esgoto. Robôs assumiram a tarefa, e o argumento apresentado foi de justiça, não de custo.

Eu me sinto incluída, eu me sinto incluída. [...] Eu tô aqui na cama, presa, mas estou realmente vivendo.

O recado

O que a máquina não alcança, e o que é preciso desaprender

O fecho foi um mapa de inteligências, dividido entre o que já foi superado e o que ali se chamou de intrínseco humano — com uma ressalva imediata: nunca é palavra perigosa.

As inteligências que a máquina já superou

Lógica, matemática, espacial, linguística e reconhecimento de padrões ficaram na parte de baixo do mapa. Nessas, já fomos superados pelas máquinas.

As chamadas intrínsecas humanas

Autenticidade emocional, inteligência intrapessoal, espiritual e a moral ética ficaram na parte de cima — do tipo que se manifesta na primeira vez em que se vê um filho.

Repertório cultural no lugar do código

Não é mais preciso ser programador para criar nesse mundo: o que separa quem cria é o repertório cultural, e a pergunta passou a ser como você usa e com quem.

Agora tudo mudou. O mais difícil [...] é desaprender coisas. É desaprender modelos que não cabem mais.

O que ficou

Assentado

  • A robótica já é indústria formada: 8 mil empresas no mundo, com 35% delas na China e 30% nos Estados Unidos.
  • Há fábricas na China produzindo no escuro, com a luz acesa em apenas 2% do tempo, só para manutenção.
  • Uma marca de secadores virou dona das maiores fazendas verticais do mundo e derrubou o preço da fruta na Grã-Bretanha.
  • No café de Tóquio, o robô de salão é operado da cama por uma mulher paralisada, pelo movimento dos olhos.

Em aberto

  • Qual o impacto de não saber se quem está do outro lado é um robô ou um ser humano ficou posto como pergunta.
  • Trazer de volta espécies extintas é brincar de Deus? O debate ético foi levantado e deixado em aberto.
  • Quanto tempo resistem as inteligências ditas intrínsecas humanas — com o lembrete de que nunca é palavra perigosa.

Termos citados

Destruição criativa
Ideia de Joseph Schumpeter: o novo só entra quando destrói o arranjo que existia antes.
Abriu a keynote, convertida em prazo: destrua o que você faz hoje, ou alguém destruirá por você.
Capitalismo sem capital
Economia em que o valor está no intangível — dado, conhecimento, software — e não no ativo físico.
Nome dado na keynote à camada onde blockchain e inteligência artificial operam.
Dark factory
Fábrica que opera sem presença humana e, por isso, sem necessidade de luz acesa.
Nas citadas na China, a luz só acende em 2% do tempo, para manutenção.
Fazenda vertical
Cultivo em camadas empilhadas, em ambiente fechado e controlado, sem depender de solo e clima.
As maiores do mundo pertencem à marca de secadores que derrubou o preço da fruta na Grã-Bretanha.
Vale da estranheza
Desconforto provocado por robôs quase iguais a humanos, mas não iguais o bastante.
Pelo que se apresentou, as duas gerações mais novas já não sentem esse desconforto.
De-extinção
Reconstrução de espécies extintas a partir de DNA recuperado.
A Colossal foi citada pelos lobinhos Remo e Rômulo e pela carne cultivada de mamute.

Citados na sessão5Era·Joseph Schumpeter·Michelangelo·Stanford·Tesla·Colossal·Santos Dumont·Cartier·Blockchain.RIO

TemasRobótica·Inteligência artificial·Futuro do trabalho·Destruição criativa·Economia do intangível

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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