12/08 · 12h10–12h3020 min de sessãoresumo em 8 min
O neobank em cima da stablecoin, com a LATAM no centro
Enquanto o bitcoin caía pela metade, o volume fez 4x: a tese de que o mercado de stablecoin descolou do ciclo cripto.
4xde volume em um ano, com o bitcoin caindo pela metadeKAST · gráfico de abertura
US$ 730 biem transações cripto na América Latina no último anodado apresentado na sessão · LATAM
12%de taxa promocional na conta reserva do tier privateKAST · anúncio no palco
16 moedascom 0% de FX no cartão até o fim de 2027KAST · campanha na América Latina
O essencial
Não existe bear market em stablecoin
O gráfico de abertura mostrou o preço do bitcoin caindo pela metade depois do pico de setembro e outubro, enquanto a curva de volume subia cerca de 4x no mesmo período. O uso deixou de acompanhar o ciclo de preço.
A stablecoin saiu do trading e virou conta em dólar
Por quase dez anos ela foi meio de troca do mercado cripto. A constatação apresentada é que rompeu para pagamento e banking em dólar — e é sobre essa camada que se propõe construir uma fintech global entre EUA e América Latina.
A dor da LATAM já existe antes do produto
US$ 730 bilhões em transações cripto no último ano e usuários ativos por mês crescendo 18%, três vezes o ritmo dos EUA. As causas apontadas são instabilidade severa das moedas locais e remessas que custam de 6% a 10%.
Produto global, história local
O mesmo conjunto de produtos é contado de outro jeito em cada país. No Brasil, o crescimento acelerou depois da entrada do PIX como forma de depósito, e o cartão passou a ser lido como cartão de viagem, mais barato e com cashback.
Os anúncios vieram com prazo curto
Conta reserva pagando até 12% no tier private no dia seguinte, contas em euro e em real iminentes, app para empresas em poucos dias, assistente de IA no app e 0% de FX em 16 moedas até o fim de 2027.
Licença e trilho próprio como barreira de entrada
A corrida fintech global começou há dois anos para a casa, uma das últimas a entrar e hoje na segunda posição. O caminho apresentado para o topo é ser dona da infraestrutura e acumular licenças — em obtenção no Brasil, já existentes na Europa, em expansão na Ásia —, o que abre mais rotas de pagamento direto.
Contexto
Apresentação da KAST no Main Stage, com Raagulan Pathy e Rai Auad, dividida entre a visão global da empresa e a estratégia para a América Latina. A tese que dá nome à sessão — não há bear market em stablecoin — foi sustentada por um gráfico de divergência e desdobrada num plano de neobank global construído sobre a camada de stablecoins, com anúncios de produto feitos ao vivo. A segunda metade dimensionou a LATAM e explicou por que o produto é global, mas a história precisa ser local.
A sessão em detalhe
Abertura
O bitcoin caiu pela metade e o volume fez 4x
A sessão abriu por um gráfico de divergência, não por uma promessa: o preço do bitcoin fez pico entre setembro e outubro e depois caiu pela metade, enquanto a curva de volume apresentada no palco — série que começa em julho de 2024 — subiu cerca de 4x no mesmo intervalo. A leitura oferecida não foi de descolamento passageiro. Se, em plena queda de preço, o uso continua crescendo, então o que move o volume não é mais o ciclo cripto — e daí sai a frase que dá título à sessão.
A queda do preço não apareceu no uso
A expectativa dita no palco é que o preço volte a subir e o mercado se mexa de novo, mas o argumento apresentado não depende disso: o volume subiu com o preço caindo.
Quase dez anos como meio de trading
As stablecoins cresceram dentro do mercado cripto, servindo à negociação. O gráfico foi usado justamente para mostrar que esse papel já não explica o volume que aparece agora.
Não existe bear market em stablecoin. Se alguma coisa, as coisas estão acelerando.
A tese
A stablecoin virou camada de banking em dólar
A origem da empresa foi contada como uma constatação vinda de dentro da Circle, emissora do USDC: depois de quase uma década servindo ao trading, a stablecoin rompeu para o caso de uso de pagamento e de conta bancária em dólar. Se existe uma camada assim, é possível construir em cima dela uma fintech global — um neobank, na palavra usada no palco — operando entre os Estados Unidos e a América Latina. O Brasil entrou na tese como caso à parte: com apoio do Banco Central e uma economia de mais de 200 milhões de pessoas, é onde as stablecoins fora do dólar, em real, aparecem com mais força.
A tese do dólar segue de pé, mas não sozinha
A oportunidade grande continua sendo a conta em dólar. O que foi apontado como novo é a mesma tecnologia estendida para stablecoins de real, num mercado do tamanho do brasileiro.
Neobank, e não corretora
O produto descrito não é de negociação: é depósito, cartão, remessa e conta remunerada. Serviço bancário comum rodando sobre trilho de stablecoin.
Em produção
O que já está de pé: 170 países, PIX e cartão
Antes dos anúncios veio o inventário do que já funciona: presença em mais de 170 países, com arcabouço de licenciamento cobrindo mais de 100; depósito tanto em stablecoin quanto em dinheiro — no Brasil, via PIX, há bastante tempo —; cartão; pagamentos globais; e suporte a mais de 18 moedas hoje, com meta declarada de passar de 50. O envio por Swift amplia o alcance para perto de 200 países, enquanto os trilhos diretos construídos pela própria empresa entregam dinheiro instantaneamente em mais de 50 países, mirando mais de 90.
Depósito em dinheiro, não só em cripto
A entrada por moeda local foi apresentada como diferencial da casa: dá para pôr dinheiro, dá para pôr stablecoin, e o saldo serve para cartão e pagamento global do mesmo jeito.
Swift para alcance, trilho próprio para velocidade
Swift resolve cobertura, e o trilho direto resolve tempo. O plano dito é sair de mais de 50 para mais de 90 países no envio instantâneo, e passar de 18 para mais de 50 moedas suportadas.
A plataforma sendo aberta para agentes
Além da interface de IA nativa no app, foi dito que a plataforma está sendo aberta para ser usada por agentes — o software operando a conta em vez do dedo do usuário.
O anúncio
Conta reserva a até 12%, contas em euro e real, app para empresas
A sequência de anúncios veio com prazo curto. A conta reserva, que entra no ar no dia seguinte à apresentação, paga taxa promocional de até 12% para membros do tier private: o dinheiro fica só em stablecoin e o rendimento extra é bancado como subsídio pela empresa, sem ser investido — o argumento usado para dizer que continua seguro. Contas em euro e em real foram descritas como iminentes. O app KAST for Business, puxado pela demanda de brasileiros que tocam negócios globais, muitos com LLC nos Estados Unidos, sai em poucos dias. E fecha a lista um assistente de IA nativo no app, para consultar transações, fazer transferência e pegar endereço on-chain por conversa, sem navegar telas.
O rendimento é subsídio, não investimento
O dinheiro fica em stablecoin e a taxa extra sai do bolso da empresa, usada como ferramenta de retenção. No palco, 5% a 6% apareceu como o patamar corrente do mercado e 9% como o da conta padrão da própria casa, dito já bastante acessível — a taxa de até 12% é a do tier private.
0% de FX em 16 moedas, até 2027
O cartão é lastreado em dólar e cobra taxa de câmbio na compra fora. A campanha zera essa taxa em toda a América Latina, com compromisso até o fim de 2027: hoje o valor volta como reembolso semanal; em breve, aplicado na hora, com o cashback mantido.
Empresa também é usuário
A demanda por conta empresarial foi descrita como massiva e vinda sobretudo do Brasil: quem toca negócio global quer a mesma experiência do app pessoal aplicada ao CNPJ ou à LLC.
Os números
US$ 730 bilhões e usuários crescendo 3x mais rápido que nos EUA
A segunda metade dimensionou a região antes de falar de estratégia. A América Latina movimentou US$ 730 bilhões em transações cripto no último ano, com uma fatia relevante feita só em stablecoin, e o número de usuários cripto ativos por mês cresceu 18% — ritmo três vezes maior que o dos Estados Unidos. As causas apresentadas não vêm do mercado cripto: instabilidade severa das moedas locais, que atinge Brasil, Argentina e vizinhos, e tarifas de remessa que ficam, em média, entre 6% e 10%.
Dólar como proteção de salário
Guardar parte do dinheiro em dólar aparece na região como defesa contra a inflação, e não como aposta. Foi o caso citado de usuários que mantiveram o salário em dólar e ficaram protegidos.
Remessa cara é a porta de entrada
Entre 6% e 10% de tarifa média em remessa foi o número usado para explicar por que a região adota mais rápido do que os EUA: a alternativa antiga custa caro demais.
Prova de campo
O Brasil destravou depois que o PIX entrou
A estratégia coube em quatro palavras: produto global, história local. O catálogo é o mesmo em todo lugar — cartão, remessa, conta remunerada —, mas cada país recebe uma cunha diferente, escolhida a partir da dor específica daquele usuário, e isso não é questão de traduzir para português ou espanhol: é ter time no chão para descobrir o que aquele mercado precisa. No Brasil, o crescimento acelerou depois da entrada do PIX como forma de depósito, quando antes só havia stablecoin, e o cartão passou a ser lido como cartão de viagem: mais barato e com cashback.
Trilho local em quatro países
São quatro os países com trilho local para depósito em moeda, e não só em stablecoin — entre eles Brasil, Argentina e Colômbia. É o que permite entrar e sair da conta pelo sistema doméstico de pagamento.
Estrangeiro pagando com PIX no dia anterior
Foi contado no palco que funcionários da empresa, em primeira visita ao Brasil, fizeram compras com PIX na véspera — algo normalmente indisponível para quem não é residente.
No México, pagar em moeda local
Quem visita o México consegue pagar em moeda local com o mesmo cartão. A promessa é atravessar EUA e América Latina sem a fricção de trocar dinheiro em cada fronteira.
O recado
Ninguém precisa saber o que é uma stablecoin
O fechamento tirou a tecnologia do centro. O que a região ensinou, ficou dito, é que o usuário não quer entender o que está embaixo: quer que o dinheiro saia do ponto A e chegue ao ponto B rápido, todo dia, sem pensar no assunto. É a mesma lógica por trás da ambição declarada — número dois de uma corrida fintech global em que a empresa entrou há apenas dois anos, uma das últimas a chegar, com a expectativa dita no palco de que no ano que vem o número dois seja o número um —, sustentada por infraestrutura própria e por licenças em obtenção no Brasil, já existentes na Europa e em expansão na Ásia. Para o Brasil, a aposta seguinte é a conta em real, apresentada como divisor de águas.
Private banking para o brasileiro comum
Mover dinheiro para fora sem fricção é hoje, foi dito, privilégio dos brasileiros mais ricos, que têm private banking. O objetivo declarado é levar essa mesma experiência para o usuário de todo dia.
Entrou tarde na corrida e assume isso
Dois anos de operação, uma das últimas concorrentes a entrar, ainda alcançando os primeiros. A resposta apresentada para a diferença é velocidade de produto: entregar mais e mais funcionalidades.
As pessoas só querem ter certeza de que o dinheiro delas funciona, que vai do ponto A ao ponto B rápido.
O que ficou
Assentado
O volume mostrado no gráfico cresceu cerca de 4x em um ano, no mesmo período em que o preço do bitcoin caiu pela metade.
A conta reserva paga até 12% ao tier private, fica só em stablecoin e tem o rendimento extra bancado como subsídio, sem investimento.
A campanha de 0% de FX cobre 16 moedas da América Latina, com compromisso assumido até o fim de 2027 e cashback mantido.
O crescimento no Brasil acelerou depois da entrada do PIX como forma de depósito; antes disso, só havia stablecoin.
Quatro países da região já têm trilho local de depósito em moeda, entre eles Brasil, Argentina e Colômbia.
Em aberto
A fatia em stablecoin dos US$ 730 bilhões movimentados na região foi dita no palco, mas a legenda partiu a cifra em duas ("three hundred and thirty…" / "…24 billion"): a leitura mais provável é algo em torno de US$ 324 bilhões, e a captação não permite fixar o valor exato.
A taxa de até 12% foi apresentada como promocional, mas não foi dito por quanto tempo ela vale nem o custo do subsídio.
As contas em euro e em real foram descritas como iminentes, sem data anunciada no palco.
Nenhum número absoluto de usuários, receita ou volume em dólares da própria empresa foi apresentado — só a variação de 4x.
A licença brasileira ainda está em obtenção, e não foi dito o que muda no produto quando ela sair.
Termos citados
Stablecoin
Criptomoeda pareada a uma moeda fiduciária, como o dólar, usada aqui como saldo de conta e meio de pagamento.
A tese da sessão é que ela saiu do trading e virou camada de banking.
USDC
Stablecoin de dólar emitida pela Circle.
A passagem pela emissora foi citada como a origem da leitura apresentada no palco.
Neobank
Banco totalmente digital; aqui, construído sobre a camada de stablecoins em vez do trilho bancário tradicional.
É a forma como o produto foi descrito: conta, cartão e remessa entre EUA e América Latina.
Trilho local
Integração com o sistema de pagamento doméstico de um país, como o PIX no Brasil.
Quatro países da região já permitem depósito em moeda local, e não só em stablecoin.
0% FX
Isenção da taxa de conversão cambial nas compras feitas com o cartão fora do país de origem.
Vale para 16 moedas da América Latina; hoje volta como reembolso semanal, em breve na hora da compra.
Tier private
Categoria premium de usuário do app, elegível à taxa promocional de até 12% na conta reserva.
O saldo fica só em stablecoin, e a taxa extra é subsídio da empresa.
Marcos citados
Julho de 2024Início da série de volume mostrada no gráfico de abertura, base da comparação com o preço do bitcoin.
Setembro e outubroPico do preço do bitcoin, antes da queda pela metade usada na comparação com o volume.
Dia seguinte à sessãoEntrada no ar da conta reserva, com taxa promocional de até 12% para o tier private.
Próximos diasLançamento do app KAST for Business, puxado pela demanda de brasileiros com negócios globais.
Ano que vemExpectativa declarada no palco de que o número dois da corrida fintech global passe a número um.
Fim de 2027Prazo do compromisso de 0% de taxa de câmbio no cartão em 16 moedas da América Latina.
Citados na sessãoKAST·Circle·USDC·Pix·Swift·Banco Central do Brasil·Bitcoin