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Stablecoin Stage

13/08 · 13h35–14h15StableCon Brazil40 min de sessãoresumo em 6 min

Câmbio e Stablecoins: A corrida institucional por pagamentos mais fluídos

Com 1% do câmbio fora do código tradicional, a pergunta no palco era quem fica com o cliente. A mesa inteira respondeu a mesma coisa: simbiose.

Evan JrRenato LimaMarcelo Ferreira LimaGuilherme Santos

O essencial

Contexto

Painel do Stablecoin Stage, dentro da StableCon Brazil, moderado por Marcelo Ferreira Lima, assessor técnico de Câmbio e Trade da FEBRABAN, com Nautt Finance, Onda Finance e Interlace na mesa. A sessão partiu da tese que circula entre os bancos associados — a disrupção do câmbio já teria acontecido, e fora dos bancos — para cobrar uma resposta: isso é a maior reconfiguração do mercado desde o câmbio livre ou só uma camada nova sobre a mesma infraestrutura?

A sessão em detalhe

Abertura

A disrupção do câmbio já teria acontecido, fora dos bancos

A moderação veio do lado da federação dos bancos, e a origem da pergunta ficou explícita: entre os associados, a discussão é que remessas e pagamentos internacionais já são liquidados em minutos, com acesso que os canais tradicionais não têm. A provocação veio dupla, com o pedido de que os três respondessem juntos.

Reconfiguração do câmbio ou só camada nova?

A primeira pergunta foi se isto é a maior reconfiguração do mercado de câmbio desde a criação do câmbio livre, ou apenas uma nova camada de criptomoedas rodando sobre a mesma infraestrutura de sempre.

A segunda: o varejo sai do sistema bancário?

Em seguida veio a pergunta se dá para dizer que, em alguns anos, a maior parte do câmbio de varejo passará a se liquidar fora do sistema bancário tradicional.

Três casas que já operam nesse trilho

Nautt usa stablecoin para o turista pagar o merchant sem depender da casa de câmbio; Onda faz cross-border em mais de 30 moedas e mais de 170 países; Interlace emite cartão a partir de Singapura.

Os números

Um por cento: o tamanho real da disrupção

Dois códigos de câmbio, e o segundo é 1%

A rodada foi interrompida para pôr número na mesa: existem dois códigos, o do modelo tradicional e outro fora dele, e pelo segundo correu apenas 1% do volume, R$ 18 bilhões no ano passado.

O que hoje é tradicional troca de lado

A régua voltou invertida: os bancos estão avançando bastante e a segregação de hoje ainda deve durar, mas a projeção foi de um ponto em que o banco ou para de operar certo fluxo, ou o mantém para clientes de requerimento muito específico.

O Brasil se tornou um dos maiores mercados globais de uso de stablecoins.

Em produção

Duas semanas esperando o dinheiro chegar

A conversa desceu para o chão de operação. Na importação pelo caminho tradicional, o dinheiro leva duas semanas para chegar, às vezes mais, e o atraso vira transtorno e prejuízo. Pagar a partir de uma stablecoin faz a mesma liquidação acontecer em alguns minutos, com preço e burocracia menores — e foi esse salto, ficou dito, que trouxe modernização profunda ao setor.

Farinha para a Turquia, no relógio antigo

O caso levado ao painel foi o de um cliente que exportava farinha para a Turquia, usado para medir o ganho: no método tradicional era uma transação; hoje a agilidade é outra.

Na China, o canal do banco fecha no fim de semana

Pagamento na China depende de um ou outro banco chinês com acesso ao CIPS, e esse canal roda 24 por 5, não 24 por 7. É exatamente a janela que a stablecoin fecha.

A SWIFT também corre atrás dos segundos

A SWIFT está lançando um payment scheme para chegar em segundos pelo banco — esforço em que também foi lembrado o trabalho de Julio Nagay, que estivera no palco antes.

Então ele consegue fazer pagamentos, por exemplo, 24 por 5, né? Mas não 24x7.

A tese

A fazenda do mundo e um câmbio que não acompanha

O agro exporta rápido, o dinheiro não

O Brasil é a fazenda do mundo e o número só cresce, ficou dito; o que falta é entrar num processo de desburocratização, com cripto e tokenização, junto com os demais países.

Singapura já está regulada e consolidada

Outros países saíram na frente, e Singapura foi o exemplo dado. A aposta apresentada foi no apetite do executivo brasileiro e na capacidade do país de importar, exportar e abastecer o mundo.

O oceano em que ninguém molhou o dedo

Do palco do que foi chamado de maior evento da América Latina, ficou a leitura de que o mercado é grande demais para o que já foi tocado, com cobrança de investimento dos grandes bancos e iniciativa dos governos.

Onde concordaram

Concorrência ou simbiose: os três foram de simbiose

A pergunta central da sessão era quem fica dono da relação com o cliente. Banco e fintech chegam ao mesmo cliente final e ao mesmo ativo, mas partem de modelos diferentes: o banco protege margem e relacionamento, a fintech persegue experiência, a exchange vive de liquidez. Nenhuma das três casas escolheu o lado da disputa.

Disputar o mesmo cliente vira guerra de preço

Não há necessidade de os dois lados atenderem o mesmo cliente, e a disputa já tirou margem do mercado: agora ganha quem compra melhor e faz melhor tesouraria.

Um depende do outro para coexistir

A mesa foi direta: não existe banco que ofereça cripto ponta a ponta, nem fintech que se baste. Alguns serviços vão precisar de banco, outros de fintech, e o encaixe é banking as a service.

O vendedor de liquidez não quer o varejo

Somou-se que cada agente já está posicionado num papel: quem vende liquidez em geral não quer atender varejo, e os dois perfis são incompatíveis. Pela leitura da mesa, não é uma guerra.

Se disputar o mesmo cliente, vira guerra. É uma guerra de preços, leilão, e todo mundo perde.

Definição

Ativo virtual ou moeda eletrônica: falta decidir

Entrou na mesa a discussão que corre em paralelo à do câmbio: a stablecoin vai seguir tratada como ativo virtual ou vai ser moeda eletrônica? A resposta foi que o problema é ela ser híbrida — juridicamente, num país ela é investimento e em outro é forma de pagamento — e que essa definição, somada à amplitude do que a tecnologia entrega como utilidade, é o que falta para alcançar todo o potencial.

Proteção para o merchant de moeda fraca

Ela foi descrita como produto que protege o merchant instalado num país de moeda fiduciária vulnerável e lhe dá consistência para pagar fornecedores ao redor do mundo em tempo real.

A dependência do fiduciário não some

Ficou lembrado que quem paga com stablecoin tem dependência nativa da moeda fiduciária e da necessidade de um banco, e por isso a entrada dos bancos no setor foi bem recebida na mesa.

Passaporte tokenizado, o horizonte apontado

Olhando adiante, entraram na conversa o passaporte internacional tokenizado e a identidade digital soberana, que permitiriam ao cliente circular entre plataformas sendo reconhecido em cada ponta.

Prova de campo

O pior lugar do mundo para esconder dinheiro

A sessão trouxe o tema de prevenção à lavagem de dinheiro e apontou o problema técnico: com liquidação instantânea, o monitoramento tradicional em lote e pós-evento perde eficácia, e o screening de sanções passa a precisar ser em tempo real. Ficou também a pergunta de quem arca com esse custo na cadeia. A resposta da mesa foi na direção contrária à do senso comum.

A corretora bloqueou o terceiro de boa-fé

Foi contado o caso de alguém que recebeu ativos vindos de uma carteira já rastreada pelas autoridades: ao liquidar na corretora, teve os ativos bloqueados e o episódio comunicado.

Em 2015 era Faroeste, e não se pedia KYC

A comparação entre as duas épocas apontou a implementação do travel rule como a mudança gigante. Hoje uma carteira drenada é rastreada em meia hora, quarenta minutos.

Quem acha que a blockchain esconde está desatualizado

O fechamento foi que a rastreabilidade é profunda e visível desde a criação da carteira, com KYC exigido das duas contrapartes e reports já enviados ao Banco Central.

Utilizar ativos digitais é um péssimo negócio pra quem tá procurando cometer um ato ilícito, na minha opinião ao menos.

O que ficou

Assentado

  • Os três painelistas responderam simbiose: nenhum defendeu que banco e fintech disputem o mesmo cliente final.
  • A ponta fiduciária não some — câmbio, liquidez e infraestrutura seguem passando por instituição regulada.
  • Pela conta da FEBRABAN, o câmbio fora do código tradicional ainda é 1% do volume: R$ 18 bilhões no ano passado.
  • A mesa afirmou sem contestação que a rastreabilidade dentro da blockchain hoje supera a visibilidade de um banco.

Em aberto

  • Se a stablecoin será enquadrada como ativo virtual ou como moeda eletrônica seguiu em discussão, sem prazo.
  • Quem arca com o custo do PLD e do screening de sanções em tempo real foi perguntado e ficou sem resposta.
  • Se o banco integra a tecnologia ou perde o fluxo é a bifurcação que a sessão deixou dependendo do próprio banco.

Termos citados

Stablecoin
Criptoativo com valor atrelado a uma moeda fiduciária, usado no painel como trilho de liquidação.
A mesa discutiu se ela será tratada como ativo virtual ou como moeda eletrônica.
Cross-border
Pagamento ou remessa que atravessa fronteira, com câmbio e mais de uma instituição envolvida.
É o mercado em que Onda Finance e Interlace operam.
PLD/FT
Prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, obrigação das instituições reguladas.
Ficou a pergunta de como aplicá-la em tempo real diante da liquidação instantânea.
Travel rule
Regra que obriga a troca de dados de originador e beneficiário entre instituições numa transferência de cripto.
Citada no painel como a mudança que encerrou o Faroeste de 2015.
KYC
Processo de identificar e verificar o cliente antes de operar por ele.
A exigência de KYC nas duas contrapartes da transação foi citada no painel.
CIPS
Sistema chinês de pagamentos interbancários, acessível no Brasil por um banco chinês.
Ficou dito que esse canal opera 24 por 5, e não 24 por 7.
Banking as a service
Modelo em que o banco fornece a infraestrutura regulada para a fintech operar em cima dela.
O arranjo foi apontado no painel como a forma prática da simbiose.
Sujeito obrigado
Instituição que a lei obriga a identificar clientes e reportar operações às autoridades.
O termo foi usado para dizer que a fintech age como braço do regulador.

Citados na sessãoFEBRABAN·Nautt Finance·Onda Finance·Interlace·Banco Central·SWIFT·Julio Nagay·CIPS·Pix·Visa·Polícia Federal·Blockchain.RIO

TemasStablecoins·Câmbio·Cross-border·Regulação·PLD

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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