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LATAM Stage

12/08 · 16h15–17h00Criptorama in Rio45 min de sessãoresumo em 5 min

Criptoeconomia 2030: O Que Ainda Precisamos Construir?

Convocada para falar de 2030, a mesa passou a hora em 2026: autorização, governança, custo de compliance e os limites que travam a tokenização.

Raquel MedeirosMarcus FonsecaRenata ManciniMarcelo Castro

O essencial

Contexto

Painel da trilha Criptorama in Rio, no LATAM Stage, moderado por Marcelo Castro, do Machado Meyer, com uma cadeira a mais do que a anunciada: além de Renata Mancini (Ripio), Raquel Medeiros (Oobit) e Marcus Fonseca (Demarest), sentou-se Pedro, do Banco Central. O exercício de futurologia durou pouco: a conversa se fixou no que já virou regra e no que as empresas precisam entregar para pedir autorização.

A sessão em detalhe

Abertura

"Vamos regular?" já passou; agora é calibrar

A abertura trouxe a contextualização que serviria de fio condutor: o Brasil se consolidou rápido como grande mercado emergente de ativos virtuais, e por muito tempo cresceu dentro de uma lacuna regulatória que trouxe aprofundamento da inovação e insegurança jurídica na mesma dose. Esse tempo acabou — e a pergunta virou como calibrar o que já existe.

O Banco Central chegou antes da lei

Já em 2014 publicou um primeiro comunicado sobre a natureza das então chamadas criptomoedas e em 2018 voltou ao tema pelas questões cambiais, antes de receber a competência da lei 14.478.

Duas consultas públicas depois, vieram as normas

Com a competência da lei e do decreto veio um dos maiores esforços regulatórios do setor: duas consultas públicas com ampla participação civil e, depois, a norma de negócios e a de autorização.

A CVM entrou pelo mercado de capitais

Já em 2018 tratou da natureza de determinados criptoativos e do eventual enquadramento como valor mobiliário; depois admitiu tokens de renda fixa no crowdfunding e abriu aos fundos a exposição direta.

O relógio

O que muda quando o regulador olha por dentro

A primeira resposta veio do Banco Central. O ponto de virada não é a norma publicada, e sim a autorização: quando as instituições passarem a operar autorizadas e a comunicar operações, o regulador terá canal direto e acompanhamento contínuo do segmento.

A lacuna de informação é o alvo declarado

Com dado obtido diretamente do mercado, o Banco Central espera enxergar como o setor funciona de verdade — na parte boa e na ruim — e ajustar a norma, corrigindo eventuais excessos.

Regular esse setor é mirar um alvo móvel

Como acontece com as fintechs, instituições mais recentes, a implementação envelhece naturalmente com a evolução do mercado, e a régua precisa ser recalibrada o tempo todo.

Nenhuma grande lacuna, na visão do regulador

Sobre o que ainda falta na regra, ficou dito que não há neste momento nenhuma grande lacuna a ser preenchida: o que falta é o acesso direto para ajustar o que está escrito à realidade.

A tese

Stablecoin não pode ter régua diferente do Pix

Simetria entre instrumentos parecidos

O objetivo é garantir o mesmo tratamento entre uma stablecoin e qualquer ativo semelhante, como uma conta de pagamento transacionada por Pix, do ponto de vista do consumidor e da prevenção a fraudes.

A definição de stablecoin subiu ao Legislativo

O tema entrou por uma pergunta feita na mesa: o enquadramento como ativo virtual virou debate no Legislativo, e o que vale depende do entendimento que for colocado em lei.

O objetivo não é limitar o uso de blockchain

Pelo contrário: o Banco Central diz ver ganho de eficiência relevante na tecnologia e pretende regular emissão e reserva para garantir a segurança do instrumento, não para frear o uso.

Não é nosso papel escolher vencedores, não é? Condições iguais de competição para todos.

Em produção

Colocar a casa em ordem antes de falar de 2030

Na Ripio, a leitura é que não dá para ter qualquer perspectiva para 2030 sem antes entender o que vem pela frente nos próximos anos. Na prática, o que mais pesa hoje na empresa é a preparação: estar pronta, com governança e controles.

Compliance como atividade-fim, não como área

Nessa leitura, o compliance ajuda de todas as formas, porque a atividade-fim é justamente estar sempre em conformidade com o que o regulador pede e com as melhores práticas.

A caixa já existia; agora é construir dentro

Como associada da ABcripto, a empresa já seguia o código de autorregulação. Com a regulação publicada, a primeira fase é preencher essa caixa da melhor maneira, com o máximo de governança.

Quando falamos de regulação, falamos em colocar a casa em ordem, de trazer maturidade, de trazer governança. Falamos de segurança.

Prova de campo

O que operar em vários países ensina ao Brasil

A comparação internacional entrou na mesa pela Oobit, que opera em vários países e precisa entregar um produto adequado a cada um deles, respeitando o que cada mercado entende como cultura e como regra.

Cliente global exige produto global

Se os clientes estão em todos os lugares, o produto precisa estar também, com a menor fricção possível — aproveitando os trilhos de cada país para não onerar excessivamente a operação.

O KYC brasileiro é mais exigente que o europeu

Sobre o que chama atenção na regra brasileira, o destaque foi o onboarding de clientes: as normas pedem mais por aqui, e isso fecha um pouco a porta para a fraude.

A dor futura é o custo dos controles

Controles e compliance foram postos como o que viabiliza o produto — livre de fraude e de problema, para todos — e a dor de 2030 ficou situada no risco de esse custo não caber mais.

Eu diria que KYC, sistema de onboarding de clientes. Há KYC melhor no Brasil, não vejo na Europa.

O que trava

Resolução 88: dois limites travam a tokenização

Sobre o gargalo ainda não enfrentado no mercado de capitais, a resposta foi direta: a consulta pública aberta pela CVM para mudar a Resolução 88. Boa parte dos projetos de tokenização passa por ali para captar recursos, e a régua atual limita o alcance.

R$ 40 milhões de receita, R$ 15 milhões de emissão

São os dois limites apontados como mais relevantes hoje. Retirá-los seria muito bem-vindo: o volume da captação deixaria de definir quem consegue emitir ali dentro.

Tokenizar imóvel esbarra em leis diferentes

No RWA a tokenização imobiliária segue dura, porque envolve mudanças em leis distintas — ainda que os próprios cartórios já tenham trazido a tecnologia blockchain para dentro.

Debênture tokenizada, e não token sintético

A lógica jurídica vem antes da estrutura: argumentou-se na mesa que o certo é falar em debênture tokenizada, e não em token sintético criado por fora para representar o ativo.

Uma consulta pública para mudar a Resolução 88, que, na minha visão, hoje tende a ser um gargalo da forma como está hoje.

O recado

O diálogo, sem promessa de flexibilização

Do ROF em MS-DOS ao regulador que ouve

A mesa lembrou o Banco Central paternalista de outras décadas, quando registrar uma operação de cessão de crédito no exterior passava por uma tela de MS-DOS extremamente burocrática.

O recado do regulador é continuar procurando

O Banco Central pediu que o mercado siga levando problemas, dúvidas e reclamações ao regulador, e colocou a própria resposta como reação ao que se vê acontecer no mercado.

Inovar com técnica, olhando um pouco à frente

No fecho, a mesa pediu um mercado mais maduro e transparente, com controles seguros para a sociedade, e apontou o diálogo entre empresas, associações e regulador como a peça fundamental.

O que ficou

Assentado

  • A regulação deixou de ser hipótese: o Banco Central já publicou a norma de negócios e a de autorização.
  • As empresas estão na fase de preparar o pedido de autorização para prestar serviço de ativos virtuais.
  • O Banco Central declarou não ver, neste momento, nenhuma grande lacuna regulatória a ser preenchida.
  • Mesa e regulador convergiram no diálogo aberto como o mecanismo que sustentou a construção da regra.

Em aberto

  • O enquadramento das stablecoins como ativo virtual subiu ao Legislativo, e o que vai prevalecer depende do que virar lei.
  • A consulta pública da CVM sobre a Resolução 88 ainda não virou regra: os dois limites seguem valendo como estão.
  • Como tokenizar imóvel no Brasil segue sem resposta prática, mesmo com os cartórios já usando a tecnologia.
  • O custo dos controles foi apontado como a dor possível de 2030, sem número nem estimativa apresentada na mesa.

Termos citados

PSAV
Prestador de serviços de ativos virtuais, a figura que precisa de autorização para operar.
O recado final do Banco Central foi endereçado a quem prepara esse pedido.
Lei 14.478
Lei do marco dos ativos virtuais, que deu ao Banco Central a competência regulatória sobre o setor.
Citada na abertura como a origem da competência do regulador.
Resolução 88
Regra da CVM que rege a captação por plataforma e hoje impõe dois limites: de receita bruta e de emissão.
Apontada na mesa como o gargalo atual dos projetos de tokenização.
Stablecoin
Ativo digital desenhado para manter valor estável em relação a uma moeda de referência.
Seu enquadramento passou a ser debatido no Legislativo.
KYC
Know Your Customer: as checagens de identificação e onboarding exigidas de cada cliente.
As exigências brasileiras foram consideradas mais duras que as europeias.
RWA
Real World Assets: ativos do mundo real representados em token, como um imóvel.
A frente em que a tokenização ainda esbarra em leis diferentes no Brasil.
Singleness of money
Princípio de que o dinheiro vale o mesmo independentemente da forma como é usado.
Citado a partir de estudos do BIS, no argumento de que a discussão não é só brasileira.
ROF
Antigo registro de operações financeiras com o exterior, exigido pelo Banco Central.
Lembrado como a tela de MS-DOS da era burocrática do regulador.
Marcos citados
  1. 2014O Banco Central publica um primeiro comunicado sobre a natureza das então chamadas criptomoedas.
  2. 2018O Banco Central volta ao tema pelas questões cambiais e a CVM se comunica com o mercado sobre criptoativos.
  3. 2022Ponto de partida citado na mesa para medir o caminho andado: de lá para cá, já são quatro anos.

Citados na sessãoBanco Central·CVM·ABcripto·Ripio·Oobit·Demarest Advogados·Machado Meyer·BIS·Pix

TemasRegulação·Banco Central·Stablecoins·Compliance·Tokenização

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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