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LATAM Stage

12/08 · 17h05–17h50Criptorama in Rio45 min de sessãoresumo em 6 min

Ativos Virtuais e Segurança Pública: Cooperação no Combate ao Crime

COAF, Polícia Federal, MPSP e Chainalysis mostraram como a Magna Fraude mudou o papel do cripto e onde a cooperação ainda emperra.

Ricardo SaadiJulia MartinelliISALINO GIACOMETLISTER CALDAS BRAGA FILHOUgo Portela

O essencial

Contexto

Painel da trilha Criptorama in Rio, no LATAM Stage, moderado por Julia Martinelli, da ABcripto. Com o setor entrando de vez na regulação do Banco Central, a mesa juntou COAF, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e Chainalysis para responder o que mudou na prática: como o crime usa criptoativos hoje, o que já foi possível congelar e por que a comunicação de operação suspeita ainda não serve.

A sessão em detalhe

Abertura

De mercado sem regra a mercado 100% regulado

A abertura refez o caminho: a lei 14.478 como marco legal dos criptoativos, o decreto que nomeou o Banco Central como autoridade reguladora, as resoluções que vieram depois e, agora, a regulação dos prestadores de serviços de ativos virtuais. A leitura posta na mesa: o setor saiu de um mercado não regulado para um mercado 100% regulado — e só por isso já dá para falar de enforcement.

A largada foi pelo preconceito do setor

Em vez de começar pela regra, a mesa foi ao dado: do total de atividade envolvendo ativos digitais, quanto de fato acabou usado para fins ilícitos? A pergunta foi endereçada a quem mede isso.

Quatro cadeiras para o mesmo problema

A composição foi lida em voz alta na abertura: um representante de empresa relevante do setor, um promotor especializado em lavagem e cibercrime e a Polícia Federal, pela área de fraudes e golpes digitais.

Os números

A fatia ilícita cai; o dinheiro em jogo, não

A Chainalysis publica todo ano o que se observa na cadeia de blocos em relação ao crime, e o retrato só é possível por uma razão: na blockchain se enxerga quase tudo o que está acontecendo, ao contrário de outros canais, bem mais difíceis de rastrear.

A porcentagem associada ao ilícito vem caindo

Comparado ao volume transacional total em criptoativos, o percentual que a empresa associa a atividade ilícita tem tendência de baixa. É o número que a mesa usou para desmontar o senso comum.

Só que a indústria cresceu dez vezes

Uma fatia menor de um bolo dez vezes maior continua sendo muito dinheiro. E o ponto foi batido mais de uma vez: há mais regulação e mais monitoramento, e ainda assim há atividade ilícita acontecendo.

O problema é de criatividade, não de tecnologia

A resposta coube em uma frase que ninguém na mesa contestou: não é um problema da tecnologia, é um problema da criatividade infinita de quem quer usá-la para o crime.

A tese

Capacitação, tecnologia e cooperação: o tripé da PF

Os criptoativos entraram na conversa como mais um capítulo de uma história conhecida: todo fenômeno tecnológico recente causa desconforto em quem investiga. O mercado de câmbio dos anos 2000 serviu de lembrete — as autoridades ainda estão aprendendo a acompanhá-lo. A diferença agora está na velocidade e no valor das transações — com a contrapartida de a cadeia de blocos permitir rastrear, desde que se saiba como.

Há seis anos, o cripto era apenas a isca

Os primeiros casos eram promessas de investimento em que o criptoativo entrava como elemento para convencer a vítima. A modalidade continua, mas o papel do ativo evoluiu muito desde então.

Tentáculos junta as fraudes em uma base só

O repositório da Polícia Federal unifica registros de crimes ligados a fraudes eletrônicas e golpes digitais, alimentado por bancos, corretoras de câmbio e seguros, em volume massivo de dados.

Um projeto novo abre a porta para a ABcripto

A Polícia Federal começou um projeto com a ABcripto para que as associadas também entrem nesse fluxo. Relato padronizado, ficou dito, aumenta a velocidade do trabalho da polícia.

O objetivo maior não é outro, senão ferir lucros, lucros e lucros.

Prova de campo

Magna Fraude: o cripto virou infraestrutura

A Operação Magna Fraude chegou à mesa pelo elogio ao workshop sobre o caso e ao bloqueio de ativos identificados como de origem ilícita. A resposta veio pelo agradecimento: o pessoal da Tether ajudou bastante, e foi graças a eles que se alcançaram valores bastante relevantes.

Antes objeto do crime, agora serviço do crime

Nas pirâmides, o criptoativo era o objeto e o material do golpe, usado para fisgar o investidor. Na Magna Fraude apareceu como infraestrutura: movimentação, lavagem, serviço prestado ao crime.

O improviso de ontem virou obra em andamento

O que os órgãos fizeram de forma improvisada e imediata durante a operação é exatamente o que está sendo construído agora entre eles, de maneira permanente, estruturada e planejada.

Doze a dezoito meses para reestruturar

O próximo capítulo ganhou prazo: a reestruturação do sistema para evitar que incidentes do mesmo tipo se repitam e, quando ocorrerem, para minimizar os seus efeitos.

Nos anos 2000 tínhamos mais tempo para se adaptar. E agora, quando a gente aprende, já mudou, não se aplica mais.

O relógio

Congelar antes que o dinheiro volte ao banco

O percurso do dinheiro nos casos de crime com criptoativos foi desenhado na mesa: ele vem do sistema financeiro tradicional, passa pelo golpe — uma pirâmide, por exemplo — e tenta voltar ao sistema financeiro do outro lado. O X da questão é agir mais rápido do que esse retorno.

O sucesso da Magna Fraude foi o congelamento

Os fundos foram travados antes de entrar em outra exchange, que muitas vezes nem sabe o que está acontecendo, ou de se espalhar por um número desconhecido de contas de laranja.

A análise saiu do reativo para o proativo

Antes se esperava o caso acontecer para agir. Hoje o monitoramento existe para que não aconteça — ou, se acontecer, para encurtar o tempo de reação. Foi a virada apontada nas ferramentas.

Agir a tempo é suficiente para impedir que esse dinheiro retorne ao sistema financeiro.

O que trava

30 mil comunicações por dia e nenhum padrão

Com a regulação do Banco Central, o setor de ativos virtuais passa a comunicar ao COAF as operações suspeitas — e também as propostas de operação. O órgão faz a análise prévia, identifica indício de criminalidade e encaminha a polícia e Ministério Público. A escala do funil ficou na mesa: 30 mil comunicações por dia, 7,5 milhões por ano.

Primeiro comunicar, depois comunicar bem

O setor foi tratado como recém-chegado à obrigação: há boa vontade, mas as comunicações ainda precisam amadurecer. O passo a passo começa por comunicar e só depois melhora a qualidade.

Quem comunica sozinho perde o cliente

Sem um padrão acordado sobre o que comunicar, a obrigação vira desvantagem competitiva. Hoje, ficou dito, algumas empresas deixam de comunicar porque sabem que o cliente vai escapar.

O sistema novo não pode sair só do COAF

O órgão gerencia o sistema, mas quem o alimenta é o setor. Por isso o sistema novo está sendo desenhado com o mercado de ativos digitais à mesa, para dizer o que serve, o que não se aplica e o que precisa ser moldado.

A comunicação não pode ser por padrão. Não é só dizer, estou me comunicando. Não há nenhum contexto. É preciso contextualizar.

O recado

Cooperação é fácil no palco, difícil no caso

Roma, 400 pessoas e uma pergunta incômoda

Num evento com polícia e Ministério Público, todos falavam em cooperação internacional e em bloqueio de bens desde o início da investigação. Veio a pergunta: quantos ali já haviam participado de um caso assim?

Que não dependa de uma pessoa só

O pedido foi de institucionalidade: mais reuniões, mais trabalho e uma articulação que sobreviva às pessoas, virando projeto de governo e de estado em vez de mérito de um indivíduo.

Educação de graça para o setor público

O trabalho não é só vender ferramentas e dados. Comparada a capacitação de hoje com a de quatro anos atrás na América Latina, a mudança de percepção é grande.

Terceiros de boa-fé, e às vezes vítimas

O fecho tratou o setor como econômico e produtivo, digno de fiscalidade e de autorizações para se desenvolver, com as empresas na posição de intermediárias e não de suspeitas.

O que ficou

Assentado

  • Os prestadores de serviços de ativos virtuais passam a comunicar operações suspeitas ao COAF sob a regulação do Banco Central.
  • Na Magna Fraude, o congelamento de parte dos valores desviados veio da cooperação com a iniciativa privada, com ajuda da Tether.
  • A Polícia Federal começou um projeto com a ABcripto para levar as associadas ao repositório Tentáculos, de fraudes eletrônicas.
  • A mesa tratou a rastreabilidade da cadeia de blocos como vantagem da investigação, e não como obstáculo a ser vencido.

Em aberto

  • O padrão do que comunicar ao COAF ainda não existe, e sem ele a obrigação segue pesando de forma desigual no setor.
  • O sistema novo do COAF foi apresentado como construção conjunta, sem prazo, escopo nem desenho detalhados no palco.
  • A reestruturação citada na sessão tem janela de 12 a 18 meses, mas nenhum responsável foi nomeado durante o painel.

Termos citados

PSAV
Prestador de serviços de ativos virtuais, a figura que a regulação do Banco Central passa a alcançar.
A sigla apareceu ao situar a etapa atual da regulação brasileira.
Lei 14.478
Marco legal dos criptoativos, citado como ponto de partida da regulação brasileira do setor.
Dela veio o decreto que nomeou o Banco Central como autoridade reguladora.
COAF
Órgão que recebe as comunicações de operação suspeita e as transforma em relatório para polícia e Ministério Público.
Foi descrito na sessão como o ponto de encontro entre o setor público e o setor privado.
Comunicação de operação suspeita
Aviso obrigatório que o setor regulado envia ao COAF ao identificar indício de operação atípica.
A cobrança na mesa foi que venha contextualizada, e não apenas registrada por obrigação.
Tentáculos
Repositório da Polícia Federal que unifica registros de crimes ligados a fraudes eletrônicas e golpes digitais.
Alimentado por bancos, corretoras de câmbio e seguros, e alvo do projeto novo com a ABcripto.
Magna Fraude
Operação citada como o caso em que o criptoativo apareceu como infraestrutura do crime, e não como objeto.
Rendeu bloqueio de ativos de origem ilícita e recuperação de parte do valor desviado.
Conta de laranja
Conta aberta em nome de terceiro para dispersar dinheiro de origem ilícita e dificultar o rastreio.
A dispersão por várias delas foi citada como o custo de reagir tarde demais.
Siscoaf
Sistema pelo qual as comunicações chegam ao COAF, discutido com o setor sobre o que serve e o que não se aplica.
O sistema novo deve ser desenhado junto com o mercado de ativos digitais.
Marcos citados
  1. Anos 2000A sessão situou nessa década a evolução do mercado de câmbio que as autoridades ainda estão aprendendo a acompanhar.
  2. Há 5 anosNessa altura, o dinheiro de um golpe simplesmente ia embora, sem como cortar o cripto na raiz.
  3. Meses atrásEvento em Roma com 400 pessoas de polícia e Ministério Público falando de cooperação, relatado na sessão.
  4. 12 a 18 mesesJanela apontada para reestruturar o sistema e evitar que incidentes como a Magna Fraude se repitam.

Citados na sessãoABcripto·COAF·Polícia Federal·Ministério Público de São Paulo·Chainalysis·Banco Central·Tether·Magna Fraude·Tentáculos·Siscoaf·Roma

TemasSegurança Pública·Regulação·Investigação·Compliance·Cooperação público-privada

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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