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LATAM Stage

13/08 · 10h25–11h0540 min de sessãoresumo em 6 min

Peru: infraestrutura de pagamentos e ativos digitais em construção

O Peru já faz 665 pagamentos digitais por adulto ao ano, mas ainda não tem norma — nem definição — para ativo digital, criptoativo ou stablecoin.

Daniel GarcíaJaddy FernándezBryan Aguilar

O essencial

Contexto

Painel do LATAM Stage dedicado ao Peru, conduzido em espanhol, com Jaddy Fernández, da Gambaru Corporation, Daniel García, da Superintendencia del Mercado de Valores, e Bryan Aguilar, da Perú Blockchain Conference. A abertura veio pelos dados de pagamentos digitais do Banco Central de Reserva e a conversa foi dividida em três blocos — ecossistema, regulação e educação, e o horizonte de cinco anos. O fio: o país paga digital e não regula o ativo digital.

A sessão em detalhe

Abertura

O país que já paga digital e ainda não regula o ativo

O painel abriu por número, não por futurologia: em 2025 o Peru chegou a 665 pagamentos digitais por adulto ao ano, cerca de 1,8 por dia, segundo dados atribuídos ao Banco Central de Reserva. A pergunta que a mesa se propôs foi como passar desse volume de pagamentos para um ecossistema de ativos digitais.

Mercado incipiente, e assumido como tal

O Peru foi descrito como mercado ainda incipiente em infraestrutura digital, em crescimento, e o desafio ficou posto: desenhar o entorno para o país ficar no páreo com os vizinhos.

Sem regulação de ativos digitais

Ficou lembrado que o Peru ainda não tem regulação de ativos digitais, enquanto Brasil, El Salvador e Paraguai já mostram iniciativas em evolução — e foi por aí que se abriu o segundo bloco.

O vocabulário ainda não existe

Falta definir o que é um criptoativo, o que é uma stablecoin, o que é um ativo digital e que estrutura tem o DeFi. O ponto voltou mais adiante: sem isso, não se começa a conversa.

A tese

Inovação e proteção não são caminhos opostos

À pergunta de como o Peru constrói esse ecossistema, a resposta veio como enfoque: inovação responsável. A proteção ao investidor é o objetivo pelo qual existe a Superintendencia del Mercado de Valores, e ela não se opõe à inovação — anda junto, sustentada por transparência e gestão de riscos.

A regra não pode ser limitante

Regulação não deve travar a inovação, deve promovê-la de forma responsável. E ficou reconhecido na mesa que às vezes se quer regular, supervisionar e controlar mais do que se deveria.

Mesma atividade, mesmos parâmetros

A supervisão não deve se concentrar na tecnologia que está por trás, e sim na atividade, com parâmetros e lineamentos claros — desenho que sobrevive à troca de tecnologia ao longo do tempo.

Educação financeira digital é de todos

O terceiro eixo foi desenho centrado no uso e educação financeira digital. Função que, ficou dito, não é só do regulador: é de todo o ecossistema que se quer sólido e sustentável.

Inovação e proteção têm que andar de mãos dadas. Não têm que ser caminhos opostos.

O que trava

A tecnologia avança mais rápido do que a norma responde

No bloco de regulação a pergunta era de que nível de norma o Peru precisa. A resposta começou por um reconhecimento: os avanços tecnológicos vão muito mais rápido do que a regulação consegue responder, e partir da premissa de supervisionar à maneira tradicional, entidade por entidade, não dá conta do fenômeno.

Princípios, proporcionalidade e risco

Em vez de regra fechada, um marco por princípios, com proporcionalidade e visão de riscos, flexível o bastante para não limitar uma solução tecnológica que vai avançar mais rápido do que ele.

Entorno sem fronteira exige cooperação

Os ativos digitais operam num entorno sem fronteira e em escala internacional. Daí a cobrança de cooperação entre reguladores e supervisores e de troca da informação de que vive quem supervisiona.

Não começar do zero nem inventar a pólvora

A mesa lembrou que já há padrões, lineamentos e sandboxes rodando em outros países. Aproveitá-los evitaria reconstruir tudo e aceleraria o processo de adoção.

O saldo que se busca é confiança

Diligência devida, gestão de riscos e transparência permanecem como constantes: o que se busca com elas é um entorno de confiança para quem oferece o serviço, para o investidor e para o usuário.

Prova de campo

Um hub não se decreta: o que o Peru já tem

O bloco seguinte olhou o Peru pela ponta da indústria e dos eventos, e partiu de uma premissa: hub não se decreta. Não basta dizer que é, é preciso demonstrar. E o que o país já tem é talento e sede de inovação — matéria-prima que, ficou dito, precisa ser aproveitada agora.

Carteiras e exchanges com base grande

Foram citados 15 milhões de usuários em carteiras digitais e um mercado cripto em que Lemon já lidera, com Binance logo atrás; Bitcoin e Dash apareceram entre os nomes lembrados na resposta.

Da Bolívia perguntam como chegar ao Peru

Da experiência de quem organiza conferências pela região veio o relato: empresas locais na Bolívia perguntam como iniciar operações no Peru, porque sabem que ali há talento e potencial de médio prazo.

O argumento do Proyecto Cripto

A mesa lembrou o Proyecto Cripto, que prepara normas para digitalizar em blockchain valores mobiliários, propriedade e títulos. Paul Atkins e o livro de Hernando de Soto apareceram citados junto.

Se a potência já prepara a norma

O raciocínio extraído daí: se os Estados Unidos já lançam projetos e preparam normativa, não há por que o Peru não seguir. A indústria avança conforme o regulador de cada país.

O Peru tem uma grande oportunidade, em nível regional, de demonstrar todo o crescimento e o potencial que tem, e de se consolidar como um hub empresarial.

O relógio

Cinco anos: institucionalidade antes da tokenização

No terceiro bloco a pergunta era onde a Superintendencia del Mercado de Valores se vê em cinco anos. Antes da resposta veio um comentário fora do roteiro: que o país não troque de presidente tantas vezes quanto trocou. A institucionalidade tem que prevalecer, e isso é relevante para além do mercado financeiro.

Inclusão, eficiência e competência

Os três conceitos postos na mesa para o horizonte de cinco anos, com a tokenização de ativos vinda do mercado de capitais como ferramenta para levar mais empresas e pessoas ao investimento.

Custo menor é o argumento de eficiência

Uma infraestrutura digital desenhada pensando no usuário reduz custos de transação e aproxima as pessoas dos mercados financeiros. É por aí que a tecnologia foi associada a ganho de eficiência.

Quem espera a onda chega atrasado

Na parte de competitividade o recado foi direto: seguir esperando que a onda leve o país é ficar para trás vendo o mundo passar por outro lado — e assim se perde competitividade no mercado financeiro.

O recado

Inclusão: minerador artesanal, stablecoin e sala de aula

A última pergunta da mesa não era sobre norma nem sobre mercado. Ela foi para as populações vulneráveis — mulheres artesãs em Cusco e em Santa María de Nieva, gente do agro, população não bancarizada — e as respostas vieram de cada lado do balcão.

Minerador artesanal e cadeia de segurança

Propôs-se usar as novas tecnologias para dar cadeia de segurança à pequena mineração artesanal, atacando junto o problema da mineração informal. O país tem os recursos; falta saber usá-los.

Formalizar exige serviço adequado

Mais de 70% da economia peruana é informal. O desafio não é só facilitar o caminho: é dar às pessoas os serviços de que precisam para ampliar produção, ter renda mais segura e se formalizar.

Internet primeiro, stablecoin depois

A conectividade ficou na frente, inclusive a internet satelital, e as stablecoins como porta de entrada: comissão baixa, transferência rápida e gateways de pagamento para negócios.

A academia foi chamada de volta

Blockchain precisa entrar nas grades curriculares, ficou cobrado, e hoje se faz muito pouco. A mesa citou círculos de blockchain no Pacífico e na Católica, e a LATAM Blockchain Academy.

Como fazemos para que a população vulnerável também tenha acesso a serviços financeiros de qualidade?

O que ficou

Assentado

  • O Peru ainda não tem regulação de ativos digitais, e a mesa tratou isso como ponto de partida, não como polêmica.
  • A régua posta na mesa foi regular a atividade exercida, e não a tecnologia por trás — proposta que não teve contestação no painel.
  • Educação ficou posta como responsabilidade de todo o ecossistema, e não como tarefa exclusiva do regulador.
  • A tokenização de ativos foi apresentada como ferramenta de inclusão, saindo do mercado de capitais para mais gente.

Em aberto

  • De que nível de regulação o Peru precisa, e em que prazo ela sai, ficou sem resposta ao fim do painel.
  • Como chegar ao minerador artesanal e às comunidades rurais com serviço adequado, e não apenas com acesso.
  • Quando e como o Peru vai fixar as definições de criptoativo, stablecoin, ativo digital e DeFi que hoje faltam.

Termos citados

Regulação por atividade
Modelo em que a norma olha o que está sendo feito, e não a tecnologia usada para fazer.
Defesa central do painel: mesma atividade, mesmos parâmetros e lineamentos.
Tokenização de ativos
Representação digital de um ativo para acesso, negociação e custódia em rede.
Apresentada como ferramenta de inclusão vinda do mercado de capitais peruano.
Stablecoin
Criptoativo de valor estável, usado para pagar e transferir com comissão baixa.
Apontada no painel como a porta de entrada do usuário comum.
Sandbox regulatório
Ambiente controlado em que empresas testam produtos sob acompanhamento do regulador.
Citado como algo que já roda em outros países e evitaria começar do zero.
Credencial verificável
Comprovante digital que terceiros conseguem checar sem depender de quem o emitiu.
No exemplo do agro, prova a posse da parcela e a rastreabilidade da produção.
Proyecto Cripto
Iniciativa citada no painel para preparar normas que digitalizem valores mobiliários em blockchain.
Citado como sinal de que os EUA já preparam normativa.

Citados na sessãoBanco Central de Reserva·Superintendencia del Mercado de Valores·Perú Blockchain Conference·Latam Blockchain Events·LATAM Blockchain Academy·Universidad de Lima·Universidad del Pacífico·Hernando de Soto·Paul Atkins·Lemon·Binance·Bitcoin·Dash·Blockchain.RIO

TemasPeru·Regulação·Ativos digitais·Inclusão financeira·Educação

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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