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LATAM Stage

13/08 · 13h10–13h3020 min de sessãoresumo em 6 min

Inclusão financeira e ativos digitais na República Dominicana

Mais de 80% das empresas dominicanas são MPMEs e só 7% a 8% estão formalizadas — e a aposta é usar blockchain como histórico de crédito.

Cairo ArévaloCamila Suffiotti

O essencial

Contexto

Conversa do LATAM Stage entre Camila Suffiotti, da Decrypto, e Cairo Arévalo, da PROMIPYME, a casa pública dominicana da micro, pequena e média empresa. Em cerca de quinze minutos, a sessão saiu do diagnóstico — quem não tem histórico de crédito não entra no sistema financeiro — para o desenho de política pública: crédito mais barato que o do banco, sandbox regulatório e um Estado que ainda mira a empresa grande.

A sessão em detalhe

O que trava

O jovem empresário chega sem histórico para mostrar

A primeira pergunta da mesa foi direta: quais são hoje as principais barreiras para a micro e pequena empresa dominicana acessar o sistema financeiro tradicional. A resposta não começou pela tecnologia, e sim pela ausência de um dado — o histórico de crédito que a concessão exige e que quem está começando não tem como apresentar.

O score de crédito que ninguém construiu

A análise depende de obter alguma validação de qual foi o desempenho passado. Isso impacta principalmente os jovens, que ainda não tiveram a experiência, e é o primeiro elemento nomeado na conversa.

Crédito mal administrado também deixa marca

Não é problema só de idade: para as pessoas adultas entra o elemento de alto risco, porque créditos podem ser mal administrados no passado e isso prejudica o mesmo histórico.

Modelo de negócio novo, régua de avaliação velha

O segundo elemento são os modelos de negócio que usam tecnologias emergentes — blockchain, inteligência artificial, realidade virtual — sem que exista forma consolidada de estruturá-los e avaliá-los.

A casa está redesenhando as etapas de avaliação

A frente de inovação da PROMIPYME trabalha essas etapas de avaliação de modelos de negócio para compreender para onde o mercado se dirige e se adaptar rapidamente ao jovem empreendedor.

A tese

A contabilidade nasce junto com a transação

Quando o tema passou a ser como reduzir as lacunas de inclusão com ativos digitais, o blockchain apareceu como a tecnologia de maior potencial de inclusão massiva na economia dominicana. O argumento tem duas pernas: o acesso pelo celular, que já existe, e um efeito colateral do próprio registro em rede.

A contabilidade que vem por padrão

Quando a transação é realizada na rede, o registro é gerado sozinho. É esse rastro que permite ao empreendedor demonstrar como transaciona — e é dele que sai a análise de score de crédito.

O celular já é a porta de entrada

A facilidade de acesso por aparelhos móveis e outros dispositivos é o primeiro motivo apontado para o potencial de inclusão. Nesse ponto, a infraestrutura de acesso não é o gargalo.

Acima da fintech, a camada de liquidez

Além do elemento da fintech, tratado como primário no blockchain, a vantagem principal apontada é a liquidez e a facilidade de transacionar, com novos instrumentos: compra, venda, poupança, staking.

Eu acho que blockchain, particularmente, tem o maior potencial de gerar uma inclusão massiva na nossa economia.

Os números

Um país de micro e pequenas, quase todas informais

Para dimensionar o problema, a sessão trouxe a proporção: mais de 80% do tecido empresarial dominicano é micro, pequeno e médio, e só algo entre 7% e 8% dessas empresas está formalizado. A formalização é o que traz transparência e visibilidade — e é exatamente esse fator que, no argumento apresentado, o registro em blockchain pode oferecer.

A informalidade tira a empresa do mapa

Sem formalização não há transparência nem visibilidade. É o fator que o blockchain pode oferecer neste caso e que, hoje, segue sendo desperdiçado.

800 mil a 1 milhão de turistas por mês

A República Dominicana é uma ilha em posição estratégica que recebe esse volume de visitantes. Turismo somado a fintech é o potencial apontado como pista de onde levar os novos modelos.

Um fator de visibilidade que blockchain neste caso pode oferecer, e essa é uma grande vantagem.

Em produção

O crédito a 12% e o que ele exige em troca

O tema então desceu ao concreto: que tipo de empréstimo está contemplado. A resposta veio como número — 12% ao ano — colocado ao lado da referência de mercado, que gira entre 14% e 15% entre os bancos. O acesso, porém, não é automático, e a exigência recai sobre o mesmo ponto do começo da conversa.

Garante e avaliação, nessa ordem

O requisito principal mencionado é ter um garante, somado à possibilidade de avaliar quem pede. E a avaliação volta ao mesmo lugar: tudo passa pelo score de crédito.

Quem é fornecedor não tem score — e trava

Sem esse histórico, quem atua como fornecedor não terá score e vai encontrar obstáculos, conforme ficou dito, no setor comercial tradicional.

Capital para as primeiras etapas

O objetivo declarado é acelerar a inovação: financiar as primeiras etapas sem ter que entrar em contato com investidores, negociar e absorver a complexidade dessa transação.

Em aberto

O sandbox que a sessão pede

A pergunta sobre o que teria de mudar para que a MPME dominicana acessasse serviços financeiros de forma mais simples, competitiva e inclusiva teve uma palavra como resposta: sandbox. Regulação prática para tecnologia desenvolvida em nível local, apoiada no poder que o setor público tem — de visibilidade e de negociação — apesar de todas as suas limitações.

Propriedade intelectual entra no desenho

A propriedade intelectual aparece como tema que entra em jogo já no desenho do sandbox, e não depois — ao lado do acompanhamento oferecido ao empreendedor.

A política pública foi feita para a empresa grande

O Estado trabalhou na construção das grandes empresas, ou seja, com os setores e as empresas que mais produzem produto interno. Essa é a régua que precisa mudar.

A inovação vem de uma ou duas pessoas

Pela experiência que se está vivendo agora, quem gera inovação são empreendedores e fornecedores individuais — uma ou duas pessoas que se juntam. Partir da base é o que ficou nomeado como inovação pública.

Adaptar os instrumentos de financiamento

A outra peça é adaptar os instrumentos financeiros para que o empreendedor se sinta mais confortável com esse financiamento e consiga escalar mais rapidamente.

E temos trabalhado na construção das grandes empresas. Ou seja, trabalhamos com os setores ou as empresas que mais produzem produto interno.

O recado

Reconhecer a tecnologia e provar o caso de uso

No fecho, a pergunta foi sobre o sonho: o que deveria mudar hoje para a adoção cripto crescer no país. A resposta dividiu a responsabilidade em duas — a do Estado, que precisa reconhecer a tecnologia e se adaptar ao ritmo do setor privado, e a de cada um, que precisa demonstrar o caso de uso.

A adoção hoje é P2P, não corporativa

Sobre a adoção dominicana ser mais de varejo ou corporativa, a resposta foi direta: fundamentalmente transações P2P. O sistema financeiro não tem visibilidade sobre o que elas financiam.

O Estado é mais lento, e reconhece

Da política pública vem o reconhecimento de que é preciso se adaptar ao ritmo do setor privado, ainda que mais devagar, com passos de modernização da organização do Estado para responder a esse ritmo.

Incubar aqui, conectar lá fora

Os programas de empreendedorismo e inovação da casa recebem ideias, incubam as de potencial de crescimento local e conectam com oportunidades internacionais — para o empreendedor não deixar o país.

Cada um de nós é responsável por demonstrar que o caso de… o uso específico que tivermos, ao usar essa tecnologia, realmente tem um impacto importante em nosso país.

O que ficou

Assentado

  • Mais de 80% do tecido empresarial dominicano é micro, pequeno e médio, e só 7% a 8% está formalizado.
  • Os empréstimos descritos na sessão saem a 12% ao ano, contra 14% a 15% praticados entre os bancos.
  • O acesso a esse crédito exige um garante e uma avaliação que passa pelo score de crédito do solicitante.
  • A adoção cripto no país acontece fundamentalmente em transações P2P, e não pelo lado das empresas.

Em aberto

  • O sandbox regulatório para tecnologia desenvolvida em nível local ficou como proposta, sem prazo nem desenho.
  • Como a política pública deixa de mirar a empresa grande e passa a partir do empreendedor individual.
  • O sistema financeiro não enxerga que atividades as transações P2P financiam — e ninguém disse como resolver.
  • Turismo somado a fintech ficou apontado como potencial enorme, sem programa, número ou prazo associado.

Termos citados

MPME (mipyme)
Micro, pequena e média empresa; na sigla espanhola usada na República Dominicana, mipyme.
Mais de 80% do tecido empresarial dominicano se enquadra nessa faixa.
PROMIPYME
Casa pública dominicana que promove e desenvolve a micro, pequena e média empresa.
É a casa no centro da conversa; a frente de inovação dela redesenha as etapas de avaliação.
Score de crédito
Nota que resume o histórico de crédito e serve de régua para conceder ou negar um empréstimo.
É o dado que o jovem empresário não tem para apresentar.
Formalização
Registro legal da empresa, que lhe dá o elemento de transparência e o fator de visibilidade.
Só 7% a 8% das MPMEs dominicanas chegaram lá.
Sandbox regulatório
Ambiente de regulação prática em que uma tecnologia nova pode ser testada sob supervisão.
A proposta central da sessão para a tecnologia desenvolvida em nível local.
P2P
Transação feita diretamente entre duas pontas, sem instituição financeira no meio.
A forma dominante de adoção cripto no país, conforme ficou dito na sessão.
Staking
Travar criptoativos em uma rede em troca de rendimento, como uma forma de poupança.
Citado entre os instrumentos novos: compra, venda, poupança e staking.
Fintech
Serviços financeiros digitais; no argumento da sessão, o elemento primário da camada blockchain.
Acima dela vem a camada de liquidez e de novos instrumentos.

Citados na sessãoPROMIPYME·República Dominicana·Decrypto

TemasInclusão Financeira·República Dominicana·MPMEs·Política Pública·Ativos Digitais

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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