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GOV Stage

12/08 · 15h20–16h05Regulation Rocks - FENASBAC45 min de sessãoresumo em 6 min

Experiência nacional, pontes internacionais: colaboração e oportunidades no mercado de ativos digitais

Ripple, Lumx e ZKsync mediram o Brasil dos dois lados: Pix e teste ao lado do regulador de um lado, capital exigido e liquidez fragmentada do outro.

Danielle TeixeiraJulia Rosin

O essencial

Contexto

Painel do GOV Stage, na trilha Regulation Rocks, da Fenasbac, com moderação de Danielle Teixeira. A mesa juntou três infraestruturas: uma americana que se diz ponte entre mercado financeiro e blockchain, uma brasileira de pagamentos com a maior parte da base de clientes fora do país e uma plataforma internacional de tokenização com privacidade. A pergunta foi onde o Brasil já é vantagem real e onde virou gargalo.

A sessão em detalhe

Abertura

Quem senta na mesa: Ripple, Lumx e ZKsync Latam

A moderação foi de Danielle Teixeira, da Fenasbac, que já havia conduzido mais cedo, no mesmo palco, um painel de interoperabilidade com Banco Central, Núclea e Bradesco. Aqui a mesa era outra: três empresas de infraestrutura, uma global e institucional, uma brasileira de pagamentos e uma de software de tokenização, cada uma olhando o país de um ângulo diferente.

Ripple: infraestrutura, tokenização e a RLUSD

A Ripple se apresenta como infraestrutura do mercado financeiro, contribuidora do XRP sem ser dona dele, emissora da RLUSD e com mais de 1 bilhão de dólares em tokenização.

Lumx: começou em tokenização e virou pagamento

No mercado desde 2022, pivotou para infraestrutura de pagamentos cross-border com stablecoins. Nasceu no Brasil, mas a maioria dos clientes é de fora e usa a casa para acessar o mercado local.

ZKsync Latam: tokenizar com privacidade e regra

O produto é software para que a tokenização tenha privacidade e siga o compliance de cada regulação. Como a regra muda por país, o roadmap é decidido em reunião com os líderes de cada praça.

O que trava

Onde o Brasil ganha e onde ele começou a travar

A pergunta que abriu o debate foi onde o ecossistema brasileiro já é vantagem competitiva real e onde ainda há gargalo. A resposta começou pelo sistema financeiro: o Pix é o principal exemplo, e por causa dele o país é sempre olhado com bons olhos. O contrapeso veio na mesma resposta — o talento, que muitas vezes trabalha para empresas de fora ou deixa o país.

A América Latina não é um bloco só

Em outros países da região a stablecoin é varejo, proteção contra inflação. No Brasil o crescimento vem do institucional; o Chile quase não tem essa demanda, e Colômbia e México a têm pontualmente.

O brasileiro já chegou acostumado ao 24 por 7

Com o Pix, a experiência instantânea virou o esperado. É também um país que adota tecnologia rápido: citou-se o Google, que lança produto aqui antes de qualquer outro país da América Latina.

Trouxe institucionalidade, virou gargalo

Era super aguardada e trouxe institucionalidade; depois mudou de rumo e passou a fechar oportunidades. Tirar quem não cumpre a regra é o objetivo, mas 10 milhões de capital não cabem em toda empresa.

Em produção

Na Lumx, produto novo começa pelo regulatório

Perguntada como se concilia lógica regulatória e lógica de mercado depois de uma mudança de produto, a mesa foi ao caso da Lumx: o primeiro efeito da regulamentação foi obrigar uma segregação explícita — o que cada linha de produto faz, para quem, e qual entidade do grupo executa, com o intercompany desenhado antes de construir.

Quatro moedas, quatro corredores e a regra de cada um

A operação roda hoje em quatro moedas e quatro corredores, entre eles dólar, euro e peso mexicano. Falar em dólar é ficar sujeito à regulação americana, e isso se incorpora no nível do produto.

Cliente brasileiro, usuário final lá fora

A pergunta prática é qual regra aplicar: a brasileira ou a da residência do usuário final. Jurisdição, indústria, atividade e perfil de risco mudam o que se pede no onboarding de compliance.

Uma stack de backoffice para reporte e reconciliação

Como atende outras instituições financeiras, a Lumx automatiza reporte, integração e reconciliação: espera-se dela que ajude os parceiros a estarem em compliance, não só que mova o dinheiro.

Não seja só uma plataforma que você move o dinheiro, porque eu acho que essa é a parte mais fácil. Eu acho que o difícil é o regulamento, o relatório, a compliance.

Em aberto

A liquidez fragmentada segue sem resposta

Veio do painel de interoperabilidade realizado mais cedo no mesmo palco a pergunta que sobrou: a fragmentação de liquidez, chave para um mercado global e escalável, está resolvida do ponto de vista tecnológico? Nenhum dos três disse que sim.

Ou se cria liquidez aqui, ou se passa por outra

O diagnóstico foi de várias stablecoins de dólar e poucas com liquidez real. Para plugar um pool grande no sistema brasileiro, ou se trabalha com market maker e infraestrutura local, ou se cria paridade.

Stablecoin e depósito tokenizado vão convergir?

A pergunta ficou aberta, ainda mais agora que empresas nativas de cripto estão virando instituições financeiras e bancos — e ninguém disse qual das duas pontas carrega a infraestrutura.

Conectando dois sistemas, qual regra prevalece?

Ficou na mesa a dúvida: quando os dois sistemas se conectam, qual regulação prevalece — se é que prevalece. Ficou dito também que a regra ideal traz critérios mínimos de uso e segurança, sem impor tecnologia.

Hoje, se eu tokenizo um security, um valor mobiliário, como que eu posso oferecer isso para alguém no exterior? A regulação do outro país importa imensamente.

Definição

Ponte técnica não conecta mercado

A pergunta saiu então do plano técnico: com ou sem blockchain, mandar dinheiro para outro país significa cumprir os critérios daquele país, e às vezes se tenta resolver como problema de tecnologia o que é problema de mercado. No painel do dia anterior, relatou-se, reguladores de Brasil, Peru, Uruguai e Paraguai discutiam justamente isso — não adianta tokenizar se, na hora de liquidar, não se sabe em que país nem sob qual regra.

Bridge conecta camada, não conecta mercado

Quando se fala em interoperabilidade, pensa-se logo em ponte: uma camada do meu blockchain conectada a outra. Isso não significa que um mercado esteja conectado ao outro.

O EVM mostrou o que um padrão faz pelo mercado

Ao virar padrão, ele criou gente qualificada e canais alinhados no mesmo objetivo. Quanto mais padrões que caibam na maior parte dos casos de uso e das regulações, mais o mercado evolui junto.

Acho que o problema da fragmentação vai começar a ser resolvido quando cada vez mais colocarmos pessoas diferentes na mesma sala para conversar.

Onde concordaram

Concorrentes na mesma rede, parceiros no produto

Cinco bancos rivais tokenizando na mesma rede

Foi citado o Canton Network, que reúne cinco dos maiores bancos dos Estados Unidos tokenizando depósitos. Saiu da prova de conceito e está em produção, com o regulador conseguindo checar.

A Ripple entra pela academia e pelo regulador

A área UBRI financia pesquisa com universidades como Berkeley, a FGV e faculdades em Singapura. Com mais de 75 licenças, a empresa diz cumprir a regra mesmo onde ela ainda não saiu.

Na Lumx, cliente é chamado de parceiro

O produto é uma API e o usuário final é do parceiro, então o sucesso de um depende do outro. A casa também troca conhecimento com entidades autorizadas a operar no mercado de câmbio.

O recado

O que a mesa quer ver aqui no ano que vem

Pagamentos, num tema ainda 'muito early'

Os closing remarks abriram por uma frente de pagamentos classificada ali mesmo como muito early, e ficou o registro da curiosidade de ver como ela vai evoluir até lá.

A regulação da CVM e os pilotos, revisitados

Ficou o pedido de que o palco do ano que vem discuta o que a regulação da CVM sobre tokenização ajudou ou não, com a conversa já num momento posterior: o de contar o que deu certo.

Falta tecnologia na conversa: privacidade e quântica

Fora da caixa, ficou a falta que esse tipo de assunto faz nos eventos: computação quântica e privacidade, tema que no dia a dia da tokenização encosta na LGPD.

O que ficou

Assentado

  • Os três painelistas disseram que a fragmentação de liquidez não está resolvida, nem no lado técnico nem no regulatório.
  • A regulamentação brasileira foi elogiada como o que institucionalizou o mercado e apontada como o que hoje o aperta.
  • A Lumx opera em quatro moedas e quatro corredores e monta produto a partir da regra, antes de escrever o código.
  • Nenhuma rede foi tratada como concorrente: o mercado ainda é pequeno demais para isso, na leitura que ficou na mesa.

Em aberto

  • Não ficou definido se stablecoins e depósitos tokenizados vão convergir, nem qual dos dois carrega a infraestrutura.
  • Ao conectar dois sistemas regulados, qual regulação prevalece — se é que alguma prevalece — segue sem resposta.
  • Oferecer no exterior um valor mobiliário tokenizado aqui continua dependendo da regra do outro país.
  • O capital de 10 milhões apontado como incompatível com empresas menores não teve encaminhamento na mesa.

Termos citados

RLUSD
Stablecoin emitida pela Ripple, apresentada no painel como de uso institucional.
Citada no painel entre as frentes da empresa.
XRP
Ativo e ecossistema aos quais a Ripple contribui sem ser dona deles, segundo a apresentação.
A empresa foi separada do ativo logo na abertura.
UBRI
Área da Ripple que financia pesquisa em blockchain junto a universidades.
Berkeley, FGV e faculdades em Singapura foram os exemplos citados.
DREX
Projeto do Banco Central do Brasil em torno de infraestrutura financeira digital.
Parceiros nos Estados Unidos só descobriram o projeto depois, segundo o relato da mesa.
LIFT Lab
Laboratório de inovação financeira ligado à Fenasbac e ao Banco Central.
As empresas foram perguntadas sobre a participação do ano passado.
Fragmentação de liquidez
Dinheiro espalhado por várias stablecoins e redes, sem profundidade suficiente em cada uma.
Foi a pergunta trazida de outro painel do mesmo palco.
Depósito tokenizado
Depósito bancário representado como token, mantido dentro do sistema bancário.
Tese forte nos Estados Unidos e base do Canton Network, conforme apresentado no painel.
EVM
Padrão de execução vindo do Ethereum que virou referência comum entre desenvolvedores.
Citado como exemplo do que um padrão faz pelo mercado.
Corredor de pagamento
Rota entre duas moedas e jurisdições por onde a operação de pagamento passa.
A Lumx opera quatro moedas e quatro corredores.
BIS
Banco de Compensações Internacionais, citado como fórum capaz de fixar critérios mínimos.
Pediu-se clareza desses organismos sobre o que a regulação deve exigir.

Citados na sessãoRipple·Lumx·ZKsync Latam·Fenasbac·Banco Central·Pix·DREX·LIFT Lab·Anbima·CVM·Núclea·Bradesco·RLUSD·UBRI·Berkeley·FGV·Canton Network·BIS·Google

TemasRegulação·Stablecoins·Tokenização·Pagamentos cross-border·Interoperabilidade

Quem falou

Também na programaçãoJulia Rosin

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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