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Main Stage

13/08 · 10h00–10h4040 min de sessãoresumo em 6 min

Pagamentos e liquidações internacionais: construindo a próxima geração da infraestrutura global de pagamentos

A mesa concordou no diagnóstico: a stablecoin já virou trilho de pagamento, mas privacidade, escala e regra clara ainda faltam.

Rocelo LopesRafael CastanedaGuido MessiFrederico Succi

O essencial

Contexto

Painel do Main Stage sobre pagamentos e liquidações internacionais, conduzido por Rafael Castaneda, com Frederico Succi (Visa), Guido Messi (Ripio) e Rocelo Lopes na bancada. A conversa saiu rápido do elogio à velocidade e ao custo baixo e foi para o que ainda não existe: privacidade nas cadeias públicas, capacidade no pico, regra clara e banco dentro da rede, não só consumindo.

A sessão em detalhe

Abertura

A pergunta de abertura: por que a stablecoin saiu da bolha

A sessão abriu pela moldura: nem sempre a disrupção vem da visão idealizada que deu origem à tecnologia. Os primeiros usos da stablecoin não eram pagamento internacional, eram um meio de estabilizar o mercado cripto, num tempo em que o Bitcoin era a reserva de valor daquele mundo. De repente, o mesmo ativo passou a liquidar pagamentos com bancos no mundo inteiro.

A stablecoin nasceu para segurar o preço

O primeiro papel do ativo era estabilizar posição dentro do próprio mercado cripto: sair da altcoin de risco e voltar depois. O ciclo se media pela dominância de uma sobre a outra.

Na Argentina, Bitcoin foi câmbio antes de investimento

A Ripio nasceu de uma software house que atravessou controle de capital: o fundador usou Bitcoin ponto a ponto entre países, sem exchange, para mandar e receber dinheiro.

A tese

Depois da primeira transação, ninguém volta atrás

A resposta veio sem mistério: quando uma tecnologia entrega experiência melhor, o desenvolvedor usa, o varejo adota e a instituição chega por último. Foi assim com o Bitcoin, com o Ethereum e com cada produto do setor. Não dá para bloquear o sol, e era questão de tempo até as grandes instituições entrarem.

No cripto, a ordem é varejo, empresa, instituição

O usuário final experimenta o trilho primeiro, depois vêm os pequenos negócios e, por último, as instituições. A mesa não explicou por quê, apenas constatou que é assim que o setor funciona.

Um milhão de dólares por um dólar de taxa

Se a transferência custa um dólar ou cinquenta, o resto não importa muito. O que se procura é segurança, transparência e um sistema robusto, com instituições em que dê para confiar.

Manda dez dólares e confere do outro lado

O teste que virou hábito: envia-se um valor pequeno, pergunta-se se chegou e, em alguns segundos, a confirmação do outro lado libera o restante da transferência.

Mas a verdade é que, uma vez que você faz uma transação com stablecoins, você simplesmente não pode voltar.

Definição

O que falta não é a tecnologia: é o trabalho a ser feito

Ao diagnóstico somou-se um acréscimo de vocabulário: o trabalho a ser feito. A tecnologia em si é incrível, e a história está cheia de inovações incríveis que só escalaram quando encontraram o trabalho que resolviam. A comparação escolhida foi com a indústria farmacêutica, onde se investe muito num remédio e o uso que emplaca acaba sendo outro.

Valores diferentes para casos de uso diferentes

A tecnologia não tem um valor único: cada caso de uso extrai um valor diferente dela, e há trabalhos que continuam pendentes de solução, esperando quem os resolva.

Liquidação instantânea e operação 24 por 7

Entre os benefícios fundamentais estão a confirmação imediata de que a transação liquidou e o funcionamento ininterrupto. Para alguns casos de uso, isso é simplesmente incomparável.

Empresa grande não anda sem regra clara

O que ainda falta, em alguma medida, é regulação: as maiores companhias não dão passos largos enquanto não se sentem confortáveis de que as regras estão claras, e para todos.

Eu adicionaria o conceito do trabalho a ser feito. Porque a tecnologia, em si, é incrível.

O que trava

Privacidade e pico: as duas travas que sobraram

A infraestrutura chegou e as empresas estão chegando nela, em cadeias baratas como Polygon, Solana e Plasma. Mas duas coisas continuam faltando, e a primeira aparece no instante em que a transferência sai da carteira: quem recebe passa a enxergar o saldo de quem enviou.

Quem recebe vê o saldo de quem mandou

À pergunta sobre em qual blockchain isso se resolve hoje, o veredito foi: nenhuma das que estão no mercado. A Liquid chegaria perto, com segurança razoável, mas sai cara demais.

As cadeias de hoje não aguentam o pico

A segunda trava é volume: se as blockchains atuais suportam a quantidade de transações por segundo no pico, a resposta dada foi que não. Por isso a infraestrutura global não está construída.

Dez anos depois, o pedido é o mesmo: tempo

Há dez anos, a resposta à proposta era que o mercado não estava pronto. Hoje, a leitura trazida à mesa é que Visa, Mastercard e os bancos pediriam mais um pouco de tempo para resolver essas pendências.

Quando eu mando USDT da minha carteira para a sua, você vai conseguir ver o meu saldo. Isso é seguro? Precisamos cuidar da privacidade.

Onde concordaram

Do câmbio ao Itaú: o caminho que a adoção vai fazer

O ambiente brasileiro foi descrito como duro e caro, mas o movimento do Banco Central de tratar stablecoin como operação do mercado de câmbio, com reporte, foi lido como bom para o setor. Banco e remessadora estavam hesitantes diante de uma dúvida simples: aquilo era pagamento ou era só um ativo?

A resposta educada e a resposta verdadeira

Pergunte a uma empresa de cripto o que o cliente faz e a resposta é 90% stablecoin, porque preferem o dólar às moedas latino-americanas. A verdade é que estão fazendo pagamentos.

Quando der para fazer pelo Itaú e pelo Santander

O cliente já usa stablecoin por exchange e por outros players. No dia em que der para fazer pelos bancos grandes, a adoção dispara, e é aí que Visa, Mastercard e Stripe entram.

Implantar blockchain vai virar um negócio

A comparação foi com as empresas que implantaram Salesforce: haverá casas dedicadas a implantar ambientes de blockchain em instituição financeira, país por país, ensinando banco a banco.

Banco não vai só consumir a rede

Quem desenha e controla a rede fica com a receita e com o poder. Por isso a aposta é que bancos centrais e bancos grandes queiram participar da construção, e não assistir de fora.

A ruptura

O dinheiro não se move: os livros-razão é que mudam

A segunda pergunta da sessão tirou o foco do custo e da velocidade. O usuário final não interage com infraestrutura; quem interage são as empresas, em nome dele. E a infraestrutura de hoje é uma malha de integrações ponta a ponta entre bancos, cada um com o próprio sistema, às vezes um Cobol dos anos 70.

Um pagamento Swift atravessa até cinco bancos

No caminho, cinco, seis, sete livros-razão diferentes precisam ser atualizados, um par de cada vez. O dinheiro não anda: o que anda é a atualização de registro.

De sete registros em Cobol para um só

Liquidar em blockchain significa trocar essa pilha por um livro-razão unificado, atualizado pela mesma transação. É daí que vem parte do barateamento da operação.

O que muda para quem usa é a transação atômica

O ganho perceptível não é o preço: é uma operação atômica entre Brasil e Estados Unidos, ou Turquia, que o sistema bancário tradicional não faria dessa maneira.

E o dinheiro não está se movendo; são os livros-razão que estão sendo atualizados.

O recado

Precisamos que Visa e Mastercard entrem nessa

O fecho comparou a cena com a chegada da internet ao Brasil, quando banco dizia que não entraria por causa do risco. Hoje um banco sem internet é um banco morto, e o cartão que se aprovava por telefone virou um número digitado. Para blockchain a leitura é a mesma.

O mercado de blockchain ainda não é profissional

Na leitura trazida ao palco, hoje é criança brincando de blockchain. Para virar coisa real precisa de Visa, Mastercard e dos bancos grandes dentro, e a Visa já está fornecendo infraestrutura.

A Western Union já está fazendo a sua

A transferência que levava de três a quatro dias e passava por quatro ou cinco bancos hoje chega em segundos, e a própria remessadora tradicional está lançando a sua stablecoin.

Da infraestrutura de cartão para a de blockchain

O que se enxerga para o futuro próximo é Visa, Mastercard e os demais migrando da infraestrutura atual para uma de blockchain, e ajudando a construí-la.

O que ficou

Assentado

  • Ninguém na mesa contestou: sem regra clara e igual para todos, companhia grande não dá passo largo.
  • Tratar stablecoin como operação de câmbio, com reporte, foi apresentado como bom movimento do Banco Central.
  • Ninguém contestou que a stablecoin já é trilho de pagamento internacional, e não apenas refúgio do trading.
  • Visa, Mastercard e Stripe entrando na camada de infraestrutura foi tratado como fato em curso, não previsão.

Em aberto

  • Nenhuma blockchain de mercado esconde saldo hoje; a Liquid foi citada como exceção, e como cara demais.
  • Se as cadeias atuais aguentam o volume de transações no pico ficou em aberto, com a leitura de que não.
  • Quanto tempo Visa, Mastercard e bancos ainda precisam para resolver privacidade e escala não foi respondido.
  • Como o banco vai participar da rede, em vez de apenas consumi-la, ficou como aposta, sem desenho na mesa.

Termos citados

Stablecoin
Criptomoeda com valor atrelado a uma moeda oficial, no caso do painel o dólar americano.
O ativo que a mesa inteira tratou como trilho de pagamento internacional.
USDT
Stablecoin lastreada em dólar, apresentada como saída para a volatilidade do Bitcoin no pagamento.
O plano foi ouvido em Hong Kong, em 2016, ainda antes de virar padrão de mercado.
Livro-razão
Registro contábil em que cada banco anota, na própria casa, saldos e movimentações de conta.
O que a rede unifica: de cinco a sete registros por pagamento para um só.
Swift
Trilho de mensagens que os bancos usam para coordenar entre si um pagamento internacional.
Um pagamento pode atravessar até cinco bancos até chegar ao destino.
Transação atômica
Operação em que as duas pontas acontecem juntas, ou não acontecem nenhuma das duas.
Apontada como o ganho real entre Brasil e Estados Unidos, ou Turquia.
Cobol
Linguagem de programação antiga que ainda roda no núcleo de sistemas bancários em operação.
Descrita na mesa como sistema dos anos 70 ainda costurado por integrações ponta a ponta.
Carteira quente
Carteira conectada à rede, cujo saldo e movimentação ficam visíveis para qualquer um.
O exemplo usado para mostrar que dá para medir quanto uma empresa movimenta.
Cartão atrelado a stablecoin
Cartão que gasta saldo em stablecoin usando a malha de aceitação que já existe hoje.
Uma das saídas apontadas pela Visa para tirar o atrito do consumidor e do lojista.
Marcos citados
  1. 1994Referência trazida à mesa: aprovação de cartão por telefone, antes de o banco brasileiro aceitar a internet.
  2. 2015Conversa com a Visa sobre o primeiro cartão para usuário de Bitcoin, que já pagava contas no Brasil.
  3. 2016Em Hong Kong, os criadores do Tether apresentam o plano de uma moeda atrelada ao dólar para arbitrar entre exchanges.
  4. Há ~10 anosCom o cartão pronto para carregar em USDT, a resposta recebida foi que o mercado ainda não estava pronto.
  5. Últimos 3 anosA stablecoin passa a ser usada como trilho de pagamento entre países, e as grandes empresas se mexem.

Citados na sessãoVisa·Mastercard·Ripio·Oxus Finance·Bitcoin·Ethereum·Tether·Bitfinex·Polygon·Solana·Plasma·Liquid·Stripe·Itaú·Santander·Western Union·Banco Central·Salesforce

TemasPagamentos Internacionais·Stablecoin·Infraestrutura·Regulação·Bancos

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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