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Stablecoin Stage

13/08 · 10h00–10h20StableCon Brazil20 min de sessãoresumo em 5 min

Contando os efeitos na MiCA

O veredicto sobre o MiCA com o período de transição já fechado: pouco mais de 300 licenças, zero emissor de ART e uma reforma já em consulta pública.

Thomaz De Arruda

O essencial

Contexto

Palestra solo de Thomaz De Arruda, do European Banking Institute, no Stablecoin Stage, dentro do StableCon Brazil. O recorte foi o que funciona e o que não funciona no MiCA agora que o período de transição acabou: quantos players sobraram de pé, por que a régua europeia protege demais e o calendário da reforma que já está aberta em consulta pública.

A sessão em detalhe

Abertura

O que funciona e o que não funciona no MiCA

A palestra abriu já depois das dez e fechou no horário previsto, às 10h20 — e ficou o aviso, já perto do fim, de que o veredicto viria rápido porque não havia muito tempo. O recorte anunciado foi a regulação europeia, com o MiCA no centro, mas sem parar nele.

A régua europeia não para na stablecoin

O que está em jogo lá é a integração do cripto ao sistema financeiro como um todo: fundos de investimento, serviços financeiros e pagamentos em geral, não só o mundo das stablecoins.

O período de transição acabou em julho

O prazo grande dado aos prestadores de serviços de cripto e aos emissores de stablecoin na Europa terminou em julho deste ano. É de lá que saem os números do regime hoje.

Os números

Seis mil players viraram pouco mais de 300 licenças

Antes: um regime na Alemanha, outro na França

O mercado europeu era muito fragmentado, com regime próprio na Alemanha, na França, em Luxemburgo e por aí afora, somando cerca de seis mil players na Europa inteira.

Depois: 300 e poucos com licença plena

Hoje há pouco mais de 300 players autorizados operando com full license. A consolidação foi o efeito prático mais visível do regime único europeu sobre o setor.

Trinta e poucos emissores de stablecoin

Em torno de 35 estão na categoria de token de moeda eletrônica, o lastro um para um em moeda fiduciária. Na categoria ART não há nenhum. Somados, os emissores passam pouco de trinta.

Hoje você tem um pouco mais de 300 players já autorizados, que tão operando com a full license.

A tese

Uma regulação que olha para dentro e protege demais

Quando a proposta saiu, a pergunta era como proteger consumidor e mercado de risco sistêmico, de fraude e de lavagem de dinheiro — e, junto, como harmonizar um mercado europeu partido em regimes nacionais. O MiCA de hoje é o resultado desses dois objetivos de nascença.

Proteger primeiro, harmonizar depois

Os dois intuitos vieram nessa ordem e explicam o desenho: uma regulação voltada para dentro do bloco, pensada para blindar o mercado interno antes de disputar mercado fora dele.

O risco de hiper-regular o setor

A leitura crítica é que o excesso de proteção contra riscos ainda imaginados pode, ele próprio, causar danos maiores depois — hiper-regular o setor tem preço.

Onde o mercado é extremamente dinâmico

O crescimento é de 31% sobre o ano anterior e os volumes são expressivos, mas o share global de stablecoin não chega a 1%. O campo descrito como extremamente dinâmico foi o da prestação de serviços.

É uma regulação que é extremamente protegida, [...] olha para dentro da Europa e não para fora. Protege excessivamente, talvez, contra riscos imaginados.

O relógio

Setembro fecha a consulta; a reforma vem no ano que vem

A Europa não está revendo só o cripto. Há uma discussão ampla de simplificação regulatória, que passa por pagamentos e pelo mundo bancário, com redução de capital e a intenção declarada de tornar o mercado mais competitivo no plano global. O MiCA entra nessa esteira.

A cláusula de revisão já vinha no texto

O próprio MiCA nasceu com uma cláusula enorme de revisão, o que dispensa qualquer ruptura para mexer nele: a reabertura estava prevista desde o início.

Pagamentos: do PSD2 para o PSD3 e o PSD4

A reforma do setor de pagamentos já está articulada e corre em paralelo, junto com a frente de lavagem de dinheiro, que passa a alcançar também o setor cripto.

Supervisão centralizada na mão do ESMA

A proposta em discussão passaria a supervisão, inclusive a dos prestadores de serviços, para a autoridade europeia de mercado de capitais, buscando um mercado mais consolidado.

Uma reforma do MiCA que tende a flexibilizar, o mercado saindo dessa ansiedade inicial de protecionismo.

O que trava

Banco grande entra, e a régua pesa no player menor

A institucionalização já é visível

Vê-se muito banco entrando no mercado de cripto na Europa: a institucionalização é grande. E a pergunta que sobra é quão proporcionais as regras são para os players menores.

Um consórcio de bancos grandes quer uma stablecoin

Bancos grandes se juntaram em um consórcio que quer fazer uma stablecoin europeia de peso. O ponto veio na mesma passagem sobre a entrada dos bancos no mercado de cripto europeu.

Quanto o mercado europeu quer abrir ao dólar

A pergunta de fundo é de política monetária séria para o bloco, e se articula com o euro digital, descrito como algo que sai do papel para ser implementado nos próximos anos.

Em aberto

Adolarizar o mercado ou proteger um mercado nacional

O veredicto veio na forma de escolha, não de prognóstico: o relatório amadurece, há apetite grande por proporcionalidade e uma revisão parcial das regras deve deixar as coisas mais fáceis, articulada com a reforma mais ampla da legislação europeia.

Depósito tokenizado como linha paralela

Além de tentar competir com a stablecoin americana e com formas mais dinâmicas do mundo cripto, a Europa deve seguir também pela via do depósito tokenizado, tocada em linha paralela.

Categoria jurídica que se sustente sozinha

O alerta final foi não inventar história ao criar categorias: elas precisam se articular com as que já existem, a de pagamentos e a de valores mobiliários e instrumentos financeiros.

Um momento de inflexão, nos próximos meses

A virada apontada é de um cenário de medo e de ansiedade regulatória para outro de competição global, e deve se decidir nos próximos meses e no ano que vem.

Se eu quero adolarizar o mercado, se eu quero abrir o mercado, ou se eu quero proteger o mercado e fomentar, de certa forma, um mercado nacional que não vai ser tão relevante quanto o dólar.

O que ficou

Assentado

  • O período de transição do MiCA terminou em julho deste ano, e hoje há pouco mais de 300 players com licença plena.
  • A categoria ART, que mais preocupava o regulador europeu por risco sistêmico, segue sem nenhum emissor autorizado.
  • A consulta pública sobre a revisão do regime já está aberta e fecha no final de setembro deste ano.
  • O mercado europeu cresce 31% sobre o ano anterior, mas responde por menos de 1% do share global de stablecoin.

Em aberto

  • Quão proporcionais as regras vão ficar para os players menores, num mercado que se institucionaliza com bancos grandes.
  • Se a Europa abre o mercado ao dólar ou protege um mercado nacional que não será tão relevante quanto ele.
  • O conteúdo da reforma do MiCA, que só vira proposta no ano que vem, depois do relatório da Comissão Europeia.

Termos citados

MiCA
Regulação europeia de mercados de criptoativos, que substituiu os regimes nacionais fragmentados.
Objeto da palestra: o que funciona e o que não funciona nela.
EMT (token de moeda eletrônica)
Stablecoin lastreada um para um em uma moeda fiduciária e tratada como moeda eletrônica.
Em torno de 35 emissores na Europa.
ART (token referenciado a ativos)
Token referenciado a uma cesta ou a ativos compostos, fora do lastro um para um em moeda.
Maior preocupação sistêmica do regulador europeu — e zero emissor.
Período de transição
Prazo em que os players já ativos podiam operar antes de precisar da licença do novo regime.
Terminou em julho deste ano.
Full license
Autorização plena para operar como prestador de serviços de cripto sob o regime europeu.
Pouco mais de 300 players já operam com ela.
ESMA
Autoridade europeia de mercado de capitais, candidata a concentrar a supervisão do setor.
Proposta de supervisão centralizada, alcançando também prestadores de serviços de cripto.
PSD2, PSD3 e PSD4
Diretivas europeias de serviços de pagamento: a que regulou o setor e as duas que vêm a seguir.
Reforma que corre em paralelo à do MiCA.
Euro digital
Moeda digital do banco central europeu, ainda em fase de saída do papel para a implementação.
Citado como algo a ser implementado nos próximos anos.
Depósito tokenizado
Depósito bancário representado por token, tocado como linha paralela à das stablecoins.
Uma das vias que a Europa tenta seguir para competir.
Cláusula de revisão
Dispositivo que obriga a rever o próprio texto legal depois de um tempo de aplicação.
Já vinha no MiCA e é o que abre a reforma agora.
Marcos citados
  1. JulhoTermina o período de transição do MiCA para prestadores de serviços de cripto e emissores de stablecoin na Europa.
  2. SetembroFecha a consulta pública que alimenta o relatório da Comissão Europeia sobre a revisão do regime.
  3. Ano que vemDeve ser proposta a reforma do MiCA, articulada com a simplificação mais ampla da legislação europeia.

Citados na sessãoMiCA·Comissão Europeia·ESMA·PSD2·PSD3·PSD4·Alemanha·França·Luxemburgo·European Banking Institute

TemasMiCA·Regulação·Stablecoins·Europa·Licenciamento

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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