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Stablecoin Stage

13/08 · 10h50–11h10StableCon Brazil20 min de sessãoresumo em 6 min

Um cartão, todas as credenciais: pagamento, acesso, fidelidade e ativos digitais em um único toque

Argumentou-se que o cartão de pagamento já é hardware seguro distribuído: autentica login, abre catraca e guarda stablecoin.

Michael Hughes

O essencial

Contexto

Apresentação solo no Stablecoin Stage, dentro da trilha StableCon Brazil, com Michael Hughes, da Arculus by CompoSecure — fabricante de boa parte dos cartões de metal em circulação. A tese da sessão: o cartão que já está na carteira é hardware seguro subutilizado, e autenticação, acesso físico, fidelidade e custódia de ativos digitais cabem no mesmo toque, sem trocar a infraestrutura de pagamento.

A sessão em detalhe

Abertura

Quem fabrica o cartão de metal veio falar de software

A abertura foi uma provocação de escopo: mudar o entendimento da plateia sobre o que é possível fazer com um cartão de pagamento. Veio acompanhada de uma credencial de fabricante — se alguém ali tem um cartão de crédito de metal, é provável que tenha saído da Arculus by CompoSecure. A mágica está na tecnologia embutida naquela chapa, e quase ninguém sabe que ela existe.

Cinco funções no mesmo pedaço de metal

Pagamento, autenticação, acesso físico a instalações, fidelidade resgatada no ponto de compra e ativos digitais: tudo apresentado como uso do mesmo cartão.

A aceitação por aproximação já está instalada

Os terminais de praticamente todos os mercados já aceitam o toque, e alguns ainda pedem inserção. O comportamento é conhecido, o que dispensa ensinar gesto novo.

Dentro do cartão existe um elemento seguro

É a parte que quase ninguém enxerga: um chip capaz de operações criptográficas que tradicionalmente não se conseguia fazer num cartão.

A tese

O cartão vira autenticador, e a chave não sai do chip

O argumento da autenticação parte de uma constatação incômoda: a credencial de software vive num ambiente interceptável. E-mail é interceptável e serve para phishing; o número de telefone, capturado num SIM swap, entrega as senhas de uso único e, com elas, as contas. A proposta não é trocar software por hardware, e sim somar os dois nas situações críticas.

SIM swap: o telefone vira ponto único de falha

Quem toma o número de telefone recebe as senhas de uso único enviadas para ele e passa a ser dono das contas. O efeito foi descrito como devastador.

Trinta mil dólares apagados de uma conta

O relato foi de um caso em um país da América Latina: a vítima caminhava pela rua, conseguiu voltar para casa e a conta tinha sido esvaziada.

Hardware junto do software, não no lugar dele

Ficou explícito: não se trata de substituir a credencial de software, e sim de combinar as duas em situações de risco, como a troca de e-mail da conta.

As chaves privadas são geradas no chip e nunca podem ser extraídas.

A ruptura

A conta da fraude está passando para a instituição

O segundo motor do argumento não é técnico, é regulatório. A leitura é a de um cenário em movimento: as regras contra fraude estão apertando e, mais importante para o negócio de quem vende hardware, a conta do prejuízo está deixando de cair no bolso do cliente para cair no balanço de quem opera a conta.

Limite diário e registro de aparelho no Brasil

Os mandatos antifraude do Banco Central brasileiro citados na sessão incluem limites para transações diárias e o cadastro dos dispositivos usados.

No Chile, quem responde é a instituição

A lei chilena mencionada determina que, quando o problema acontece, a responsabilidade recai sobre a instituição, e não necessariamente sobre o indivíduo.

Com a conta mudando de dono, o hardware entra

É a leitura que sustenta o resto da apresentação: com a responsabilidade migrando para as instituições financeiras, o hardware aparece como o caminho mais seguro, e não mais como luxo.

Em produção

O mesmo cartão paga, abre a porta e recompensa

O segundo bloco saiu da segurança e foi para o engajamento. Um grande local de eventos já usa o toque do cartão para dar acesso, e o problema que isso resolve é antigo: com revenda de ingresso, o organizador não sabe quem está entrando. Quem tem ingresso de temporada ganha acesso VIP pelo mesmo cartão, e a fidelidade passa a acontecer no mesmo gesto do pagamento.

O toque na catraca diz quem realmente entrou

Com a revenda de ingresso, o organizador não sabe quem passa pela porta. O cartão de pagamento usado como credencial de entrada resolve a identificação.

Resgatar pontos não deveria exigir outro site

Hoje a recompensa vive descolada do pagamento: para resgatar, é preciso ir a um site e fazer outra coisa. Ligar as duas pontas junta gasto e ganho no mesmo ato.

Vinte tokens só para você voltar a aparecer

O exemplo de reengajamento foi literal: faz tempo que não te vejo, toque aqui e receba 20 tokens, como agradecimento pela volta.

Um cartão de pagamento pode agora se tornar um veículo de engajamento. Algo que você usa para impulsionar a adoção e o engajamento, lealdade e retenção.

Definição

Token de loop fechado e stablecoin no mesmo trilho

Aqui o argumento vira dinheiro. Emitir o próprio token elimina a taxa de intercâmbio que os processadores costumam cobrar, e a mesma trilha serve para stablecoin: a seleção argentina já emitiu o seu, e o cartão passa a ser onde esses tokens ficam guardados e são gastos dentro dos locais da organização.

Sem Visa e sem Mastercard no caminho

Pagamento em stablecoin que liquida em moeda local não passa pelos processadores tradicionais, e é assim que se contorna a taxa de intercâmbio.

Times e varejo emitindo o próprio token

A seleção argentina já tem o seu. O exemplo desenvolvido na sessão foi o de um torcedor com token do time num evento no estádio do Real Madrid, incentivado a gastá-lo ali mesmo; e uma grande varejista usa o mecanismo para puxar de volta o cliente que sumiu, recompensando em token.

Pessoa física guarda as chaves no próprio cartão

A solução de consumidor mantém as chaves no cartão, com frase-semente para recuperação, e ficou dito que não se trata de um segundo cartão à parte.

Instituição fica com um pedaço da chave

No arranjo MPC, parte da chave está no cartão e parte com a instituição, que reconstitui o acesso se o cartão sumir, além de aplicar limites e checagens de compliance.

O que isso permite que você faça é pegar uma parte da chave, não a chave inteira.

O recado

O aparelho já está na carteira; falta ligar o software

O fecho foi um convite operacional: comece pelo fim. A pergunta que mais chega das organizações é como fazer o cliente se engajar, já que todo mundo conhece o pagamento por aproximação — e a resposta é dar um motivo para tirar o cartão do bolso e tocar dentro do aplicativo.

O difícil é distribuir hardware, e já foi feito

Lançar algo novo em hardware é a parte cara e lenta. Nesse caso, o aparelho já está na carteira das pessoas e a distribuição já aconteceu.

Comece pelo fim: por que a pessoa tiraria o cartão?

A recomendação repetida às organizações é definir antes o motivo do toque. Todo mundo conhece o pagamento por aproximação; falta a razão para tocar.

O toque vira análise de coorte

Quem opera assim consegue cruzar quem toca por recorte geográfico, demográfico e socioeconômico, e entender o que incentiva cada grupo a tocar.

Se você não ligar, ninguém vai saber

O software fica ali, desligado, e ninguém percebe. Ligado, abre uma via de engajamento descrita como impossível de obter por outro meio.

A tecnologia já está disponível, tudo que você precisa fazer é considerar adicionar software.

O que ficou

Assentado

  • O elemento seguro do cartão permite gerar a chave privada no próprio chip, sem que ela possa ser extraída de lá.
  • A rede de aceitação por aproximação já está instalada; o que se pede às organizações é acrescentar software.
  • A seleção argentina já emitiu o próprio token e uma grande varejista já recompensa em token de loop fechado; o cartão passa a servir para guardá-los e gastá-los no local.
  • Pagamento em stablecoin liquidado em moeda local dispensa Visa e Mastercard e as taxas de intercâmbio.

Em aberto

  • Os casos citados vieram sem nome: o grande local de eventos e a grande varejista não foram identificados.
  • Quanto custa e quanto demora habilitar esse software nos cartões já distribuídos ficou sem resposta.
  • A clareza regulatória do BCB foi apontada como destravante, mas norma, prazo e alcance não foram detalhados.

Termos citados

Elemento seguro
Chip dentro do cartão capaz de gerar e guardar chaves criptográficas sem expô-las.
É onde a chave privada do cartão é criada, e de onde ela não sai.
Passkey
Credencial de login que substitui a senha e funciona com um par de chaves criptográficas.
A proposta é gerar essa chave no chip do cartão, e não apenas em software.
SIM swap
Golpe em que alguém assume o número de telefone da vítima e passa a receber seus códigos.
Citado como o caminho pelo qual o atacante toma as contas da pessoa.
Tomada de conta
Situação em que um terceiro assume a conta e começa a alterar dados como o e-mail.
O cenário em que o toque do cartão entra como verificação adicional.
Token de loop fechado
Token emitido por uma organização para circular apenas dentro do próprio ecossistema.
Times e varejistas emitem o seu; o cartão passa a guardá-lo e a gastá-lo.
Taxa de intercâmbio
Tarifa embutida na transação de cartão e cobrada pelos processadores de pagamento.
É a taxa que o pagamento em stablecoin liquidado em moeda local contornaria.
Frase-semente
Sequência de palavras que recupera o acesso a uma carteira de ativos digitais.
Método citado para a pessoa física, com as chaves guardadas no próprio cartão.
MPC
Arranjo que divide a chave em partes, de modo que nenhuma delas sozinha abre a carteira.
Uma parte fica no cartão e outra com a instituição, que reconstitui o acesso.

Citados na sessãoArculus·CompoSecure·Banco Central do Brasil·Visa·Mastercard·Real Madrid·Seleção argentina

TemasPagamentos·Stablecoins·Autenticação·Fidelidade·Cartões

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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