← Programação completa
Stablecoin Stage

13/08 · 11h15–11h55StableCon Brazil40 min de sessãoresumo em 6 min

Redes globais, baixo custo e adoção em massa: O novo Ecossistema transacional das stablecoins

Solana, RedotPay e Coopfy discutiram o que a stablecoin já entrega a quem compra o pão — e onde a adoção em massa ainda esbarra na regra.

Fernando ZanattaLucas GomesAntonio NetoRyan KirkleyOseas Xavier Neto

O essencial

Contexto

Painel do Stablecoin Stage, na trilha StableCon Brazil, com Antonio Neto (Solana Foundation), Lucas Gomes (RedotPay) e Fernando Zanatta (Coopfy), conduzido por Oseas Xavier Neto, da Vincia. A cada rodada a mesa voltou ao mesmo lugar: o que disso chega à mão de quem está comprando pão. Saíram dali a queda do custo por transação, o cartão como interface do varejo, a stablecoin que não é de dólar e a trava nomeada no fim — regra, não engenharia.

A sessão em detalhe

A tese

Stablecoin é uma segunda camada de dinheiro

A conta começou pelo caixa das empresas: o tesouro rendendo, o custo de transação em queda e o capital que antes ficava parado voltando a circular. Dali saiu a formulação que atravessou a sessão inteira — a stablecoin não é o dinheiro, é uma camada em cima dele.

Dinheiro parado no tesouro não se move rápido

A imagem que ficou da sessão: existe um dinheiro que fica no tesouro, no bolso, e não anda. A stablecoin deixa a liquidez disponível o tempo todo, para a transação fechar direto e o pagamento terminar.

O mesmo compliance para um dólar e para um milhão

Ficou dito na mesa que o custo de mover um dólar e o de mover um milhão de dólares são os mesmos, porque a exigência de compliance é fixa. Quando entra escala, a diferença vira brutal.

A eficiência não é só custo menor, é capital livre

A tecnologia não reduziu apenas o custo por transação: liberou para outros usos um capital que antes ficava preso. É isso que a construção do ecossistema de DeFi veio permitir.

Eu costumo falar que stablecoins é uma segunda camada de dinheiro, onde tá ali um dinheiro que tá lá num tesouro, num bolso, onde ele não move rápido.

O relógio

Quem levou o varejo para dentro foi a exchange

A adoção não começou agora: em 2016 e 2017 já se via uso de stablecoin, puxado por gente que precisava de um dinheiro mais rápido e mais seguro do que o que tinha na mão — em países como a Argentina e em regiões como a África, onde as estruturas de movimentação sempre foram caras.

O gatilho foi a Stripe comprar a Bridge

Pagamento com stablecoin já tinha product-market fit antes da aquisição. Foi ela que virou a chave do discurso: dali em diante, todo mundo passou a dizer que agora dava para pagar assim.

O varejo do mundo entrou pela corretora

O principal on-boarder de varejo no mundo foram as exchanges — a FTX entre as lembradas. É esse papel de porta de entrada que hoje aparece deslocado para outro tipo de casa.

Agora o facilitador é o neobank

No momento atual, é o neobank que junta num lugar só as oportunidades de serviço que antes estavam espalhadas pela exchange, e que passa a ser o ponto de acesso do usuário final.

Em produção

O que sobra na mão de quem só quer comprar o pão

A pergunta voltou inteira mais de uma vez: o que disso tudo se materializa na mão de quem está comprando pão ou café? A resposta veio pelo lado do varejo — o cliente final não está olhando para o custo do câmbio nem para a conta de entrada e saída da rede; está olhando para o cartão, para a velocidade e para o jeito de guardar o que ganhou.

O cliente final não vê o custo do FX

Quem procura um cartão como o da RedotPay não está atrás da taxa de câmbio nem da conta de on-ramp e off-ramp. Está atrás de poupar, de pagar rápido e de mandar dinheiro para dentro e para fora.

Banco para os desbancados, onde o tradicional não vai

Nos mercados sub-representados, a moeda corrente não dá a segurança que o dólar e o euro dão. É onde o neobank entra: gente procurando o que o banco tradicional não oferece.

Estados Unidos e Europa não têm a mesma pressa

Lá a adoção em massa não empolga do mesmo jeito. Aqui, e nas regiões citadas antes na sessão, a demanda vem de quem precisa de uma proteção que a própria moeda não dá.

Há dois, três anos, cartão com cripto era surreal

Carregar um cartão com cripto e gastar parecia fora da realidade; hoje existe uma infinidade deles. O que o usuário quer segue igual: reserva de valor, remessa, folha de pagamento e proteção cambial.

Ele não quer a blockchain. Ele quer uma solução melhor e mais barata.

A ruptura

Fora do dólar, a demanda é carry trade e folha

Puxada para África e Ásia, a conversa foi para o que a sessão chamou de discussão mais latente da indústria: as stablecoins que não são de dólar. Se a stablecoin é uma segunda camada do dinheiro, o passo seguinte seria sair da conta bancária em real e ir para uma moeda estável local com as mesmas características de movimentação.

No Brasil e no México a demanda é carry trade

O mercado de carry trade existe aqui e existe no México, e não existe na Bolívia, onde o que acontece é dolarização. É o uso que puxa a moeda, e não o contrário.

Na Nigéria, o cNGN já paga funcionário

O exemplo citado de stablecoin local em uso: a naira tokenizada aplicada em pagamento de funcionários, rodando em rede privada.

No sul global é o OTC; no norte, o prime broker

Os provedores de liquidez são a ponte com o sistema bancário tradicional. Fazem mais ou menos a mesma coisa, com estrutura legal diferente — e é ali que a conversão acontece.

Essa moeda estável local não é de varejo

Quem é varejo tem acesso fácil ao dólar, então a stablecoin local não o segura. Uma de real poderia fazer algum sentido se pagasse yield, mas mesmo assim a leitura foi de que se trata de coisa institucional.

O que trava

O jogo está pronto; falta quem apita

Quando a conversa foi para o regulatório, as camadas se separaram: engenharia e tecnologia já estão bem resolvidas, e a produção já entrega produtos cada vez mais específicos — para pagamento, para investimento, para colateral. O que continua na frente de tudo é a regra.

Sem regra clara, a adoção não acontece

A comparação foi com um jogo: se não está claro o que pode, é difícil alguém entrar. Empresa de cripto tem espírito de liberdade e de curiosidade, mas não é assim que as coisas efetivamente funcionam.

Ninguém sabe como o cartão de crédito funciona

Você entra, paga e pronto — quase ninguém pensa na Visa nem na adquirência por trás. A mãe que foi comprar pão também não vai querer saber: ela só queria pagar o pão dela.

O apito está com quem controla a economia nacional

O compliance melhorou muito, a infraestrutura entrega e os produtos finais existem. Sobrou a cadência do juiz do jogo, que tem de fato o controle da economia nacional.

Eu acho que o jogo tá incrível pra ser jogado. A questão é se vão deixar.

Os números

O relógio da Solana e o custo que cai com escala

A última rodada foi sobre o que acontece com o custo quando o volume cresce. A resposta veio pelo desenho da rede: a Solana nasceu com a capacidade de transacionar qualquer coisa e com um consenso que construiu o próprio relógio — cada pacote de informação é registrado no tempo e, por consequência, sequenciado.

Criar uma carteira custa hoje uns 40 centavos

É o valor cobrado para abrir a conta na rede. Com a rede muito mais estabilizada do que era, esse custo pode ser reduzido — e, por consequência, o custo da transação também vem diminuindo.

65 mil no marketing, 4 mil em produção

O número que a rede divulga é de 65 mil transações por segundo. O que roda hoje, em produção, é da ordem de 4 mil — e ainda não é maior do que a Visa.

De 400 para 150 milissegundos, já em teste

A previsão citada chega a 1,5 milhão de transações por segundo, e os blocos, hoje em 400 milissegundos, já estão sendo testados em 150. O teto depende do equipamento de quem valida.

O que ficou

Assentado

  • O custo por transação caiu e o capital que ficava parado no tesouro voltou a circular — ninguém contestou.
  • O usuário final é agnóstico à rede: quer solução melhor e mais barata, e não quer a blockchain.
  • Em produção, a Solana roda hoje na casa das 4 mil transações por segundo, e não das 65 mil do marketing.
  • Em mercados sub-representados, o neobank ocupa o espaço que o banco tradicional não atende.

Em aberto

  • Se a stablecoin fora do dólar serve ao varejo: a sessão respondeu que não — talvez a de real, se pagar yield.
  • A cadência da regulação ficou com o juiz do jogo, e a mesa não disse o que faria esse apito soar.
  • A previsão de 1,5 milhão de transações por segundo segue em teste, sem data para entrar em produção.

Termos citados

Segunda camada de dinheiro
Camada que fica em cima do dinheiro tradicional e faz o valor se mover rápido, sem ser o dinheiro em si.
Formulação usada na sessão para explicar o ganho de eficiência.
On-ramp e off-ramp
Entrada e saída entre o dinheiro tradicional e a rede, onde aparecem o câmbio e a taxa.
O custo que o cliente final não enxerga na ponta.
Stablecoin não-dólar
Moeda estável lastreada em algo que não é o dólar, como o real, o peso ou a naira.
A discussão apontada na sessão como a mais latente da indústria.
cNGN
Stablecoin da naira, moeda da Nigéria, citada em uso para pagamento de funcionários.
Exemplo de stablecoin local já rodando, em rede privada.
Carry trade
Operação que busca ganho na diferença de juros entre duas moedas.
A demanda que existe no Brasil e no México, e não na Bolívia.
OTC
Mesa que fecha a operação fora da exchange e faz a ponte com o sistema bancário tradicional.
No sul global é onde a conversão acontece; no norte, o prime broker.
Neobank
Banco digital que atende quem o banco tradicional não atende, sem agência e sem estrutura herdada.
Modelo apresentado na sessão como banco para os desbancados.
TPS
Transações por segundo: a medida de capacidade de processamento de uma rede.
65 mil no material da Solana, cerca de 4 mil no que roda em produção.
Proteção cambial
Uso de uma moeda estável forte para escapar da desvalorização da moeda local.
Uma das necessidades listadas para o varejo na sessão.

Citados na sessãoSolana·RedotPay·Coopfy·Vincia·Stripe·Bridge·FTX·Visa·cNGN·Pix

TemasStablecoins·Pagamentos·Neobanks·Regulação·Adoção em massa

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

Ver a programação