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Stablecoin Stage

13/08 · 12h25–13h05StableCon Brazil40 min de sessãoresumo em 7 min

Desafios da distribuição de ativos digitais

BTG Pactual, Binance e Nonco na mesma mesa: o gargalo não é o ativo, é a distribuição — e a régua do compliance subiu para todos.

Thiago SarandyLucas RangelRay NasserEduardo GalvãoTiago Theodoro

O essencial

Contexto

Painel do Stablecoin Stage sobre o que trava a distribuição de ativos digitais no Brasil. De um lado o banco tradicional, do outro a exchange global; entre os dois, a regulação, que dominou a conversa sem ser o tema anunciado. A sessão começou com uma cadeira vazia e terminou numa pergunta da plateia: as tokenizadoras pequenas morrem ou conseguem se plugar nas grandes?

A sessão em detalhe

Abertura

A pergunta que abriu: o que é distribuição hoje?

O painel foi anunciado como uma conversa sobre distribuição, com a ressalva de que a regulação entraria junto, mais pertinente do que nunca. A pergunta de abertura foi direta: em 2026, que não é igual a 2027, o que é distribuição dentro do mercado de ativos digitais? A mesa respondeu na ordem, e cada um começou por um recorte diferente do mesmo problema.

A mesa começou com uma cadeira vazia

A sessão abriu com o aviso de que um dos convidados anunciados ainda não estava no palco, e a mesa começou assim mesmo: o tempo era curto para a quantidade de informação que havia para trazer.

Um banco tradicional e uma exchange global

De um lado o BTG Pactual, apresentado como o banco que vem inovando e distribuindo; do outro a Binance, com um general manager recém-empossado e doze anos de mercado nas costas.

A tese

Não é disrupção: os dois lados sobem para a mesma estrutura

O desafio da distribuição muda de ano em ano. Em 2021 era convencer para dentro — assessores, bankers — e mostrar o valor de mercado; cinco anos atrás o público era muito mais varejo, e hoje quem está na mesa é instituição grande. Com a maturidade, a pergunta virou outra: que fluxos são possíveis, como se fica compliant para entregar liquidez e onde vai parar o ativo distribuído.

Cripto e banco sobem, não colidem

Não é disrupção, e sim o sistema financeiro se adaptando. Stablecoins, tokenizados e cripto em geral formam uma estrutura nova, e os dois lados estão subindo para se encontrar nela.

Agora a conversa é com quem faz há 20 anos

Distribuir bitcoin era convencer o mercado inteiro. Hoje a conversa é com o especialista de renda fixa ou de ações que faz aquilo há vinte anos dentro do banco, e é preciso comprovar que dá para fazer melhor.

A prova é custo e taxa, não discurso

O argumento que fecha internamente é financeiro: gerar custo melhor e taxa melhor para os dois times, como uma joint venture entre a área de cripto e a área tradicional, para sobrar mais para todo mundo.

Então, stablecoin, tokenizados, criptos em geral… Ambos estão indo pra cá se encontrar nessa nova estrutura.

A ruptura

O jogo acabou: compliance alto e carteira rastreada

Com a regulação, a régua subiu, e as instituições passaram a ser multadas e sancionadas pelo que fizeram no passado. Não importa quem você é: banco também está levando multa pesada. A leitura do momento coube numa frase curta — o jogo acabou, agora é sério — e o efeito prático aparece no cadastro de cada cliente novo.

A era da arbitragem sentado em casa acabou

Três, quatro anos de gente ganhando dinheiro com arbitragem sem sair da cadeira. Esse ciclo terminou, e agora é preciso trazer solução para empresa, achar mercado novo e abrir mercado novo.

Educação custa, e é o maior desafio

Levar o instrumento cripto a quem precisa de estruturação custa educação e custa tempo. Esse custo foi apontado como um dos maiores desafios da distribuição daqui para a frente.

Muito barulho, e o conselho é não se polarizar

O momento foi lido como de guerra e barulho de todos os lados. A recomendação foi tomar precaução, buscar a convergência e ter muito cuidado para não se polarizar politicamente.

Agora, a regra do compliance tá muito mais alta. Agora, a gente precisa ver quem é, vê da onde veio o dinheiro, da onde que vem a carteira.

Definição

A palavra bonita e o carro de Fórmula 1

A tokenização não era o tema anunciado, mas tomou conta da mesa — e a primeira coisa que a sessão fez foi separar o que é tokenização do que apenas se chama assim. Existem ativos que já funcionam bem independentemente de estarem em blockchain, e o que interessa são os benefícios que a tecnologia entrega de fato: o 24x7 e a globalização. Mais tarde a pergunta voltaria em outra forma: a tokenização é o grande disruptor?

A Fórmula 1 que viaja em cima do caminhão

A imagem que ficou da mesa: tokenizar um ativo sem o trilho é comprar o carro de Fórmula 1 mais rápido do mundo e descobrir que ele não anda na rua. Para ir de São Paulo ao Rio, o carro sobe no caminhão — e quem anda é o caminhão.

Ação tokenizada que fecha às cinco da tarde

Na mesma linha, a ação tokenizada que só negocia até as cinco, no mesmo horário e com o mesmo limite de sempre. Antes de vender isso como novidade, ficou dito, é preciso fazer as pessoas desaprenderem.

A tokenização de mentira é um bebê reborn

A outra imagem que a mesa adotou: por mais que se anuncie um bebê, o que está ali é um reborn. Parece, mas não é — e o critério é se aquilo corre mesmo no trilho blockchain.

O game changer é o trilho completo

O critério do game changer ficou posto assim: negociar globalmente, 24x7, com tudo representado nos trilhos da blockchain. Se ainda é preciso liquidar num post-trade e pagar dois dias depois, dá para marketar, mas não é.

Tokenização não é a resposta pra tudo. Tokenização é a palavra bonita que muita gente tá usando sem saber o que significa, né?

Em produção

Comitê semanal no banco, real global na exchange

Os dois lados descreveram máquinas diferentes. A trava do banco ficou explicada na mesa: comitê legal, comitê de crédito, comitê executivo — e é preciso ensinar cada um, porque quem não entende diz não. Do lado do banco, a rotina que roda desde 2019; do lado da exchange, uma aposta externa que tem nome: globalizar o real.

Desde 2019, toda semana, com a alta gestão

O banco mantém um comitê semanal em que passa à alta gestão as atualizações do mercado, a regulação e os produtos. São cinco anos de gente lá em cima já atualizada quando chega uma proposta nova.

Comprar dívida brasileira sem representante legal

Hoje o investidor de varejo na Ásia precisa de representante legal, custodiante e conta em banco para comprar dívida brasileira. Com mais comprador de dívida, foi o argumento, o juro cai.

Renda fixa que rende no fim de semana

A casa passou a lançar produtos além do cripto — ações americanas e renda fixa que rende inclusive nos finais de semana — para levar o 24x7 para dentro do investimento.

O stablecoin já passou as duas bandeiras

A movimentação em stablecoins foi apresentada como maior que a das duas principais bandeiras de cartão do mundo somadas, na casa dos trilhões de dólares por mês.

O que trava

As pequenas só passam debaixo de um guarda-chuva

A pergunta veio da plateia, de uma tokenizadora: com os grandes distribuidores de um lado e dezenas de tokenizadoras nascendo do outro, as pequenas morrem? A resposta da mesa não foi consoladora. Quem tem o cliente é quem tem o poder na negociação, e a maioria das tokenizadoras menores acaba virando commodity — a comparação foi com as securitizadoras. Produto realmente diferente, esse sim interessa e entra na base do distribuidor grande.

Não é só o comercial: é a régua regulatória

Ao motivo comercial somou-se o segundo: a construção regulatória, montada de um jeito que pega na curva. É o mesmo caminho projetado para as exchanges pequenas, que devem acabar fechando.

O guarda-chuva que a regra ainda não permite

A proposta foi deixar a menor operar sob a supervisão e a responsabilidade de uma maior, como o banco faz com agente autônomo. Não existe regra para isso, e o Banco Central estaria estudando o tema.

R$ 2 milhões levantados, R$ 20 milhões de licença

O adendo veio de outro ponto da mesa, pelo custo de entrada: a fintech com boa ideia levanta dois milhões e descobre que precisa de vinte só para o regulatório. A saída apontada foi pegar carona na licença de uma casa maior.

O que ficou

Assentado

  • A mesa tratou o movimento como convergência: cripto e sistema financeiro tradicional subindo para uma infraestrutura comum.
  • A régua do compliance subiu para todos, banco incluído: origem do dinheiro e da carteira viraram condição da distribuição.
  • Tokenizar sem negociação 24x7 e sem liquidação na rede foi tratado como rótulo de marketing, não como tokenização.
  • Ninguém contestou que quem tem a base de clientes é quem manda na negociação com a tokenizadora.

Em aberto

  • Não há regulação que permita a uma tokenizadora pequena operar sob a licença e a supervisão de uma instituição maior.
  • A globalização do real ficou como plano declarado, sem data: o produto de hoje é para brasileiros e tem lista de espera.
  • Ninguém disse o que faria a regra andar; o Banco Central foi citado como quem estaria trabalhando no tema.

Termos citados

Distribuição
Levar o ativo até o investidor final; a ponta comercial que liga o produto à base de clientes.
Tema da sessão e, para a mesa, o verdadeiro gargalo do mercado de ativos digitais.
Tokenização
Representar um ativo em token para que ele circule nos trilhos da blockchain.
A mesa passou boa parte do tempo separando o que é tokenização do que é só rótulo.
Trilho
O caminho por onde a transação corre: o sistema tradicional ou a rede blockchain.
O trilho completo virou o critério de quem estava tokenizando de verdade.
24x7
Negociar e liquidar sem parar em fim de semana nem em horário de pregão.
Apontado como benefício real da blockchain, ao lado da globalização.
Post-trade
A etapa depois do negócio fechado: liquidação e transferência entre as partes.
Se ainda existe post-trade de dois dias, para a mesa não é tokenização.
Stablecoin
Token que representa uma moeda fiduciária e serve de trilho de pagamento.
Citado com movimentação na casa dos trilhões de dólares por mês.
Crypto as a service
Modelo em que uma instituição licenciada abriga operações menores sob a própria licença e responde por elas.
Citado da mesa como regulação que ainda não existe — foi o pedido explícito ao regulador.
Piggyback de licença
Operar pegando carona na licença de uma instituição maior, que responde pela operação.
Apontado como saída para fintechs e tokenizadoras sem caixa para o regulatório.
Marcos citados
  1. 2019No BTG, o primeiro lançamento da frente de ativos digitais e o começo do comitê semanal com a alta gestão.
  2. 2021O desafio da distribuição ainda era convencer para dentro: assessores e bankers, e mostrar o valor de mercado.
  3. 2022Ano de entrada na Binance do atual general manager; no período, o mercado ganha maturidade rápido.
  4. Há ~6 mesesA Binance passa a ter novo general manager, empossado poucos meses antes do painel.

Citados na sessãoBinance·BTG Pactual·Nonco·Banco Central·CVM·Bitcoin·Ethereum·Itaú·FoxBit·B3·Dubai·Abu Dhabi·El Salvador·Blockchain.RIO

TemasDistribuição·Tokenização·Regulação·Stablecoins·Mercado de capitais

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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