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Stablecoin Stage

13/08 · 13h10–13h30StableCon Brazil20 min de sessãoresumo em 5 min

Gradualmente, depois de repente: como os produtos financeiros estão sendo reconstruídos nativos em stablecoin

A Avenia desistiu de embrulhar o sistema bancário e refez os produtos direto em stablecoin. A sessão contou por quê.

Leandro Noel

O essencial

Contexto

Palestra solo do Stablecoin Stage, dentro da StableCon Brazil, com Leandro Noel, um dos fundadores da Avenia. A sessão refez o caminho da casa: de uma mesa de arbitragem em quinze exchanges à emissão do BRLA, do cross-border a uma conta bancária pedida em fevereiro que só rodou a primeira transação em novembro — e à decisão de parar de embrulhar o sistema existente e reconstruir tudo from scratch.

A sessão em detalhe

Abertura

De 15 exchanges ao BRLA, e ao engano dos 30 bi

O time se juntou em dezembro de 2022, vindo de private equity, de sociedades em hedge funds e de public equities, com a Lei 14.478 citada como marco. A casa vinha de uma mesa quantitativa de cripto que, em 2022, era focada em arbitragem e estava presente em quinze exchanges brasileiras, americanas e europeias. Foi movendo dinheiro entre elas que a stablecoin apareceu como resposta.

A beleza estava em mover fluxo entre exchanges

Comparar o fluxo em stablecoin com o que se tinha no sistema tradicional mostrou o tamanho da oportunidade — havia founders pedindo, e faltava uma solução confiável, com tecnologia decente.

O BRLA foi a primeira tese, e a conta não fechou

Inspirado em USDT e USDC, que giravam 30 bilhões de dólares em AUM, o cálculo era repetir aquilo em real. A conta estava completamente errada: foi preciso reconstruir uma série de casos de uso.

A ruptura

A conta de fevereiro que só andou em novembro

Cross-border payments foi o produto que gerou tração: empresas de fora querendo crescer no Brasil esbarravam em abrir entidade local, seguir toda a regulação e conviver com dias de settlement num sistema que roda 12 por 5. A tentativa de contornar isso por dentro do trilho bancário virou o caso que mudou a estratégia da casa.

De fevereiro a novembro por uma transação

O cliente era uma multinacional com entidades brasileiras e holding em Singapura, que precisava mandar dinheiro para cá. Um dos bancos procurados topou e vendeu rapidez. Começou em fevereiro e a primeira transação saiu em novembro.

Um documento em Word para cada operação

Mais de cem e-mails trocados com o banco e, até hoje, cada transação a partir daquela conta exige enviar um documento em Word, por e-mail, pedindo que ela seja feita.

A gente tem que mandar um documento em Word, por e-mail, pra eles, pedindo que a transação seja feita. Claramente não é o nível de serviço que a gente quer oferecer.

A tese

Stablecoin não é meio de pagamento: é plataforma

Corrente, poupança, investimento, não-residente, escrow; nos Estados Unidos checking, savings, investment. Toda essa taxonomia de contas vira uma coisa só em stablecoin, a wallet. A complexidade multijurisdição, que cresce de forma exponencial no trilho bancário, deixa de existir quando tudo é a mesma primitiva — uma linguagem comum, o padrão do dinheiro.

Uma função só no lugar de oito trilhos

TED, boleto e Pix no Brasil; ACH, wire e FedNow nos Estados Unidos; SEPA e Swift na Europa. Em stablecoin todos esses métodos usam uma simples função chamada transfer.

Banking as a service obriga a refazer por país

Construir a mesma solução sobre bancos locais significaria reconstruir praticamente tudo em cada jurisdição, sem reaproveitar nada; sobre a linguagem padrão, a maior parte se reaproveita.

IA aproxima quem não é técnico da construção

Com as ferramentas de IA disponíveis, gente não técnica passa a produzir código, automações e workflows complexos — um encaixe perfeito para a tese da casa.

Muita gente enxerga as stablecoins como apenas um método de pagamento. E eu faço a provocação: que vocês reflitam sobre stablecoins muito mais como uma infraestrutura tecnológica.

Prova de campo

De céticos a clientes: o que mudou em fevereiro

Desde fevereiro deste ano, com clareza regulatória, o discurso do outro lado da mesa mudou. Empresas que doze meses antes estavam entre céticas e sem entender se aquilo era gray area passaram a chegar inclinadas a fechar negócio — com o Banco Central validando e garantindo que vai supervisionar os processos. Entre os nomes citados, o iFood e uma companhia listada com 50 anos de idade.

Velocidade, custo e incentivo tributário

Foram os três benefícios citados para explicar por que o negócio agora anda. Ao lado deles, ter um regulador como o Banco Central validando e supervisionando os processos facilita muito.

O iFood resolvia o local, faltava o global

O grupo já fazia pagamentos locais com a Zoop, o banking as a service que tem dentro de casa. Para o global, faltava parceiro com API programável para automatizar funções internas.

A chancela veio antes do primeiro real

Regulação e tecnologia foram construídas em paralelo: antes de lançar o primeiro produto e rodar o primeiro BRL, a casa já tinha a chancela, o que pesou junto a clientes estrangeiros.

Lá em 2023, nos eventos, a gente era conhecido como os chatões da regulação.

Em produção

Master account, subcontas e reporte no nome do cliente

Uma conta-mãe e quantas subcontas quiser

O cliente direto é sempre um business e recebe uma master account. Sob ela abre quantas subcontas quiser, cada uma com wallet, QR Code e Pix, e com ACH e wire nos Estados Unidos.

O reporte sai no nome do cliente final

Passado o KYC, pessoa física ou jurídica começa a transacionar, e os reportes à Receita Federal e ao Banco Central saem direto no nome dela, com markup e rebate para o parceiro.

API para milhares, dashboard para dezenas

Neobanks que rodam dezenas de milhares de transações por dia só param de pé na API; para um punhado ou dezenas de operações, o dashboard funciona bem. Tudo em tempo real, sem Excel.

Em aberto

Depois do app: o dinheiro que o agente movimenta

A demanda cresceu de forma exponencial: mais de 160 clientes ativos e um time que terminou o ano passado com 16 pessoas e hoje passa de 30. A leitura do que vem depois é que a operação financeira sai do aplicativo e passa a ser feita por código.

Da promessa de agentes ao dinheiro programável

A promessa é de agentes lidando com operações financeiras de forma autônoma. Para isso, a API precisa bater numa wallet com dinheiro programável dentro, que é exatamente o que é uma stablecoin.

Linhas de código com dinheiro custodiado

A stablecoin é a representação digital do dinheiro em linhas de código, com o valor custodiado em Treasury Bills e títulos do tesouro. É o que torna a wallet programável sem deixar de ser dinheiro.

Ainda são os early days do mercado

A clareza regulatória não tem nem seis meses, e empresas que a casa nem imaginava interessadas passaram a chegar por inbound no site. Foi de pouquinho em pouquinho até virar onda.

Daqui em diante, não vai ser mais através de aplicativos. Não vai chegar dentro do Internet Banking App e apertar confirmar, né?

O que ficou

Assentado

  • A Avenia desistiu de embrulhar o trilho bancário existente e passou a construir os produtos direto em stablecoin.
  • Cross-border payments foi o primeiro produto construído sobre o BRLA a gerar tração.
  • Desde fevereiro deste ano, com clareza regulatória, empresas antes céticas passaram a fechar negócio na casa.
  • A operação está em mais de 160 clientes ativos, com time que saiu de 16 pessoas para pouco mais de 30.

Em aberto

  • Como e quando agentes autônomos vão de fato movimentar dinheiro: ficou dito na sessão que é difícil prever.
  • A conta bancária de não-residente segue de pé e, até hoje, cada transação depende de um Word enviado por e-mail.
  • Crédito, trade finance, investimento e cartão foram postos como visão de banco, sem prazo nem produto anunciado.

Termos citados

Stablecoin-native
Produto financeiro construído direto sobre stablecoin, em vez de embrulhar o sistema bancário existente.
A tese que dá título à sessão.
BRLA
Stablecoin de real criada pela Avenia como primeira tese, inspirada no que USDT e USDC faziam em dólar.
A base sobre a qual os produtos da casa foram construídos.
Conta de não-residente
Conta usada por empresa domiciliada no exterior para movimentar recursos dentro do Brasil.
O caso que foi de fevereiro a novembro, com mais de cem e-mails.
Wallet
Endereço que guarda e movimenta ativos em blockchain, com o saldo registrado em rede.
Abstrai corrente, poupança, investimento, não-residente e escrow numa primitiva só.
transfer
Função única de transferência que, em stablecoin, substitui os métodos de pagamento de cada país.
No lugar de TED, boleto, Pix, ACH, wire, FedNow, SEPA e Swift.
Banking as a service
Infraestrutura bancária vendida a terceiros para que embutam serviços financeiros no próprio produto.
A Zoop, do grupo iFood, citada como o BaaS que resolvia os pagamentos locais.
Master account
Conta-mãe do cliente business, sob a qual ele abre quantas subcontas quiser, cada uma com wallet.
Base da arquitetura que a Avenia entrega hoje.
KYC
Verificação de identidade exigida antes de a conta poder transacionar e receber pagamentos.
Porta de entrada da subconta, seja pessoa física ou jurídica.
Treasury Bills
Títulos de curto prazo do tesouro americano, usados como lastro custodiado.
Onde fica o dinheiro que a stablecoin representa em linhas de código.
Marcos citados
  1. 2022Mesa quantitativa de cripto focada em arbitragem, operando em quinze exchanges brasileiras, americanas e europeias.
  2. Dez/2022Time formado com gente de private equity, hedge funds e public equities; a Lei 14.478 é citada como marco.
  3. 2023Nos eventos do setor, a casa já era conhecida como os chatões da regulação.
  4. Ano passadoO time termina o ano com 16 pessoas, contra pouco mais de 30 hoje, depois do salto de demanda.
  5. Fev. deste anoClareza regulatória destrava a adoção: uma série de empresas antes céticas passa a fechar negócio.

Citados na sessãoAvenia·BRLA·USDT·USDC·iFood·Zoop·Banco Central·Receita Federal·Pix·Swift·FedNow·SEPA·Singapura·Blockchain.RIO

TemasStablecoins·Pagamentos cross-border·Regulação·Infraestrutura financeira·Programabilidade

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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