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LATAM Stage

13/08 · 11h35–11h5520 min de sessãoresumo em 5 min

Inovação Financeira: avanços e desafios no âmbito da SMV do Peru

Duas décadas de digitalização, quase US$ 11 bilhões captados em doze anos e um sandbox que o mercado de valores peruano ainda não tem.

Daniel García

O essencial

Contexto

Apresentação da Superintendência do Mercado de Valores do Peru no LATAM Stage, com Daniel García. A sessão situou um mercado de capitais ainda pequeno e em desenvolvimento e separou duas listas: o que a SMV já implementou para digitalizar a relação com supervisionados e investidores desde 2003, e o que segue pendente — RegTech, SupTech, dados, orçamento e um sandbox que o mercado de valores peruano ainda não tem.

A sessão em detalhe

Abertura

Um mercado ainda pequeno, sob três reguladores

A apresentação abriu situando o terreno: o mercado de capitais peruano segue pequeno, em desenvolvimento, com desafios de inovação, liquidez e profundidade. O sistema financeiro do país tem três reguladores — o Banco Central de Reserva na política monetária e nos sistemas de liquidação, a superintendência que cuida de bancos e entidades financeiras, e a SMV, à frente de intermediários, corretoras, administradoras de fundos e emissores de oferta.

O papel fundamental é proteger o investidor

Transparência e integridade do mercado vêm junto com a transparência da informação, mas o objetivo declarado como central foi a proteção do investidor.

Regular, supervisionar e também educar

A instituição se descreve por três funções: regulação, supervisão e orientação. A educação apareceu como pilar fundamental do acionar da casa, não como acessório.

Um marco flexível, com pilares inegociáveis

A fórmula repetida na abertura: marco regulatório flexível, apoiado em pilares que não comprometam a integridade do sistema nem a da informação.

Um marco normativo que protege o investimento, que promova a digitalização e não a limite.

Em produção

MVNet, 2003: informação que vai direto ao portal

A lista de avanços começou pela relação com os supervisionados. Em 2003 a SMV implantou o MVNet, sistema de troca de informação online e em tempo real nos dois sentidos, com firma digital certificando que o que chega é informação válida.

Publicação automática, sem intermediário

O que o supervisionado remete pelo sistema é publicado automaticamente no portal da SMV, disponível dali para o público em geral.

2013: canal virtual para qualquer pessoa

Dez anos depois veio um sistema similar para quem não é supervisionado: iniciar um trâmite com a SMV sem impressão e sem ir até a sede.

Rastreabilidade é o ganho menos óbvio

Além de reduzir custo e tempo de cumprimento, os sistemas registram quem envia, quem remete e de que maneira remete — trilha que o papel não deixava.

Os números

Formulário padronizado e US$ 11 bilhões em doze anos

Para emitir valores é preciso preencher os formulários e documentos próprios da oferta e apresentá-los ao regulador. A SMV digitalizou e padronizou esses formatos: a empresa baixa o formulário eletrônico do portal, completa apenas os seus dados e remete pelo sistema, sobre modelos preestabelecidos e já revisados pelo regulador.

O custo que caiu foi o de assessoria legal

Com documento padronizado e previamente revisado, o gasto jurídico da estruturação da oferta caiu, junto com os tempos e os custos do trâmite.

Quase US$ 11 bilhões em doze anos

Foi o número apresentado logo em seguida, em números grossos: o financiamento captado no mercado na última década — os últimos doze anos.

A ruptura

2020: o cliente deixou de precisar ir ao balcão

Um pacote normativo de 2020 revisou as regras de brokers e administradoras de fundos para que, em pleno ambiente de pandemia, seguissem prestando serviço sem exigir presença física.

Contrato digital em ambiente virtual

Os contratos com clientes passaram a poder ser digitais, sem que o investidor precisasse ir até o administrador para estabelecer a relação comercial.

Extrato por canal virtual, com consentimento

O estado de conta, informação que o cliente exige, passou a ser remetido por canais virtuais mediante consentimento prévio e firma eletrônica ou digital.

Subscrição e resgate também viraram remotos

Os trâmites do investidor junto às entidades administradas, como subscrição e resgate, passaram a poder ser feitos por mecanismo virtual, com parâmetros de segurança.

Prova de campo

Cinco corretoras e 50 mil novos investidores

Há alguns anos os intermediários peruanos — as sociedades agentes de bolsa, como são chamadas no país — passaram a oferecer apps e plataformas de acesso direto: pela infraestrutura do broker, o investidor lança a própria ordem no mecanismo de negociação da Bolsa de Valores do Peru.

Já são cinco sociedades agentes de bolsa

Uma das pioneiras se associou a uma fintech colombiana, e o impacto foi descrito como muito relevante em acesso e em inclusão de novos investidores.

Mais de 50 mil investidores desde 2023

Em três anos, em sua maioria pessoas físicas, esse contingente acessou o mercado de capitais e a bolsa por meio dessas facilidades tecnológicas.

Número modesto fora, expressivo no Peru

A leitura apresentada foi essa: para um mercado pequeno, é um número muito importante — e evidência de impacto não só em custo, mas em inclusão financeira.

É um número muito importante para o mercado peruano, com evidência de que as facilidades tecnológicas têm impacto não só em matéria de custo, mas em matéria de inclusão financeira.

O que trava

O sandbox que o mercado de valores não tem

A SMV tem mapeado há algum tempo implementar um sandbox no mercado de capitais, marco controlado para provar uma inovação tecnológica. No mercado de valores peruano isso ainda não existe; do lado bancário, o regulador já implementou o seu.

Um único projeto entrou, e veio do maior banco

A experiência bancária peruana registra um só projeto submetido, impulsionado pelo principal banco do país. Depois dele, não chegaram outras ideias.

O objetivo é achar a norma que trava

Um sandbox serve para identificar o que estaria limitando a inovação: provar em cenário controlado e então decidir se a norma muda ou se o problema é outro.

Talvez a norma permita e falte compromisso

A hipótese admitida foi essa: se a regra já permite, o que falta é compromisso e infraestrutura de apoio. O projeto está na agenda e depende dos participantes.

O regulador bancário implementou um sandbox no Peru e, no entanto, só há um projeto que foi submetido. Não houve mais ideias.

Em aberto

RegTech e SupTech esbarram no dado e no caixa

A última parte foi de desafios pendentes. RegTech e SupTech já têm uso no mercado de valores e trazem benefício a reguladores e participantes, mas o insumo delas é o dado: o que supervisores mais têm são dados, e processá-los exige facilidades tecnológicas.

Lavagem de ativos e perfil de risco

Os usos citados foram monitorar e reportar risco, incluindo lavagem de ativos, e delinear o perfil do investidor para casá-lo com os produtos dos participantes.

Padronização, qualidade e cibersegurança

O risco não está só na quantidade de dados: há a responsabilidade de cuidar e proteger a informação, com segurança de dados e cibersegurança do lado do supervisor.

O fecho: alguns passos atrás, e aprendendo

No encerramento ficou dito que o Peru ainda está alguns passos atrás, e que o desafio é seguir crescendo e aprender com outros países, sem limitar a inovação.

Falar de avanços tecnológicos, de inovação, sem orçamento é uma utopia. Precisamos de recursos, precisamos investir.

O que ficou

Assentado

  • O MVNet troca informação em tempo real com os supervisionados desde 2003, com firma digital e publicação automática.
  • Os formulários eletrônicos de emissão estão em uso, e o mercado captou quase US$ 11 bilhões em doze anos.
  • Cinco sociedades agentes de bolsa já operam plataformas de acesso direto ao mercado peruano.
  • Desde 2023, mais de 50 mil investidores, em sua maioria pessoas físicas, entraram na bolsa por essas facilidades tecnológicas.

Em aberto

  • O sandbox do mercado de valores segue como projeto na agenda da SMV, sem prazo dito na apresentação.
  • Por que só um projeto entrou no sandbox do regulador bancário ficou sem explicação na apresentação.
  • Padronização, qualidade e proteção dos dados foram citadas como riscos, sem solução apresentada.
  • De onde virá o orçamento para RegTech e SupTech ficou como pedido de compromisso a governos e setor.

Termos citados

SMV
Superintendência do Mercado de Valores, reguladora peruana de intermediários, fundos e emissores de oferta.
A instituição apresentada na sessão: regula, supervisiona e orienta o mercado de capitais.
MVNet
Sistema da SMV para trocar informação online e em tempo real com as entidades supervisionadas.
Em operação desde 2003, com firma digital e publicação automática no portal.
Sociedade agente de bolsa
Nome dado no Peru à corretora que intermedeia as ordens dos investidores na bolsa.
Cinco delas já operam plataformas de acesso direto ao mercado.
Sandbox regulatório
Marco controlado em que uma inovação é provada sob supervisão antes de mudar a norma.
Existe na banca peruana, com um único projeto; no mercado de valores, ainda não.
RegTech
Tecnologia aplicada ao cumprimento das obrigações regulatórias pelos participantes do mercado.
Citada com a SupTech entre os desafios pendentes da SMV.
SupTech
Tecnologia usada pelo próprio supervisor para processar dados e monitorar riscos.
Usos citados: lavagem de ativos, reporte de risco e perfil do investidor.
Ventanilla virtual
Canal online da SMV para qualquer pessoa iniciar um trâmite sem impressão e sem ir à sede.
Implantada em 2013, dez anos depois do MVNet.
Banco Central de Reserva
Autoridade monetária do Peru, responsável por política monetária e sistemas de liquidação.
Um dos três reguladores do sistema financeiro peruano citados na abertura.
Marcos citados
  1. 2003A SMV implanta o MVNet, troca de informação online e em tempo real com os supervisionados, com firma digital.
  2. 2013Entra em operação o canal virtual que permite a qualquer pessoa iniciar um trâmite sem ir à sede da SMV.
  3. 2020Em ambiente de pandemia, a SMV revisa regras de brokers e administradoras para permitir contrato e atendimento digitais.
  4. 2023Marco inicial dos três anos em que mais de 50 mil investidores, em sua maioria pessoas físicas, entraram no mercado peruano.

Citados na sessãoSuperintendencia del Mercado de Valores·Banco Central de Reserva·Bolsa de Valores de Perú·MVNet

TemasRegulação·Mercado de Capitais·Peru·Digitalização·Sandbox regulatório

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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