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LATAM Stage

12/08 · 14h35–15h20Criptorama in Rio45 min de sessãoresumo em 7 min

RAIO X da Criptoeconomia no Brasil: Padrão de uso, perfil usuário e comunidade.

A mesa trocou a pauta da regulação pelo retrato de quem usa: seis vezes mais jovem, mais ao centro e já com 25 milhões de brasileiros.

Marina FagaliFelipe Sant Ana PereiraFabio PleinJulia RosinSamir Kerbage

O essencial

Contexto

Painel do LATAM Stage conduzido por Julia Rosin, presidente da ABcripto. Em vez de repetir a pauta de regras para prestadores e tokenização, a mesa foi atrás de quem está do outro lado do aplicativo: a Paradigma trouxe a pesquisa nacional com o Datafolha, a Hashdex abriu o livro de investidores, a Coinbase descreveu a jornada de uso e o Juntos Por Cripto, a organização política dessa comunidade em ano eleitoral.

A sessão em detalhe

Abertura

A pergunta que a regulação deixou de fora

A tarde do LATAM Stage abriu com um lembrete do palco: é ano de eleição. E, logo de saída, com o recorte assumido pela mesa — o setor já debateu à exaustão regras para prestadores de serviço, ativos virtuais e tokenização, mas quase nunca fala de quem está do outro lado do aplicativo. A pergunta da sessão passou a ser essa: quem é o usuário brasileiro de cripto e o que ele faz com a tecnologia.

O recorte: usuário, demanda e comunidade

A proposta anunciada foi uma visão de 360 graus — quem é o usuário, o que ele busca nas corretoras e nas tokenizadoras, e como essa gente se organiza como comunidade, e não só politicamente.

Quatro casas para a mesma pergunta

Paradigma, Hashdex, Coinbase e Juntos Por Cripto sentaram com bases diferentes: pesquisa nacional, carteira de investidores de fundos, base de usuários de corretora e trabalho de comunidade.

Os números

Datafolha: seis vezes mais jovem, e mais ao centro

Quando a Paradigma entrou no mercado, não havia no Brasil dado primário sobre quem tinha cripto — havia estereótipo. No ano passado, com apoio de Coinbase, Hashdex e ABcripto, a casa foi às ruas com o Instituto Datafolha e fez a primeira pesquisa nacional sobre o tema. A segunda edição sai na terça-feira da semana seguinte, em evento em São Paulo com transmissão no YouTube.

Seis vezes: o estereótipo que se confirmou

Entre brasileiros de 16 a 36 anos, a chance de já ter posto dinheiro em cripto é seis vezes maior do que entre os de 60 anos ou mais. O dado foi lido como otimismo: há muito a ganhar nos mais velhos.

A criptopopulação está mais ao centro

O Datafolha aplicou a mesma régua que usa em outras pesquisas, de extrema esquerda a extrema direita. Quem já investiu em cripto ficou bem mais ao centro do que o brasileiro médio.

E vai mais à urna do que a média

Nesse grupo há menos gente que diz não votar ou que não sabe responder. O retrato é de um eleitor pragmático, que muda de ideia e decide por pauta — e que, por isso, pesa na escolha.

O eleitor cripto é uma pessoa pragmática, mais de centro.

Prova de campo

Na Hashdex, o jovem é maioria; o dinheiro não é

Ao lado da pesquisa nacional entrou o dado de casa de uma gestora. A Hashdex é gestora de ativos digitais especializada em cripto desde 2018 e chega ao investidor por fundos e ETFs regulados — gente que quer exposição sem montar carteira própria nem lidar com a tecnologia.

De 60% a 70% têm menos de 35 anos

Essa é a fatia contada por número de investidores nos fundos da casa: um público jovem, alinhado com o retrato que a pesquisa nacional traçou do usuário brasileiro.

Mas o patrimônio é de quem passou dos 50

Contado em reais, e não em cabeças, mais de 60% do patrimônio é de investidores acima de 50 anos; o segmento com mais de R$ 5 milhões responde por cerca de 60% do total investido na gestora.

Varejo persegue o que sobe; patrimônio rebalanceia

O varejo é pró-cíclico: compra o ativo que sobe e troca quando cai. O de alta renda fixa 2% ou 3% de alocação e rebalanceia — e é ele que sustenta a captação positiva dos últimos seis a oito meses.

Em produção

Bitcoin, stablecoin e a onda que vem depois

Pelo lado do produto, o mesmo usuário aparece na base de uma corretora global. Antes disso, ficou marcado o precedente americano: a Coinbase participou do Stand with Crypto e, na eleição dos Estados Unidos, foi eleita uma maioria de deputados favorável ao setor, entre democratas e republicanos — prova de um usuário politicamente engajado.

A jornada começa no Bitcoin e se abre depois

A primeira compra costuma ser Bitcoin; o passo seguinte é ampliar o portfólio para Ethereum, Solana e algumas outras moedas, dentro da mesma plataforma.

A stablecoin é a onda que ainda acontece

Forte em outros mercados e crescendo aqui, ela aparece pela velocidade de movimentação global e como proteção cambial contra a inflação. A Coinbase trabalha muito próxima do USDC.

Depois dela, tudo em um único aplicativo

Se o primeiro caso de uso matador foi investir em Bitcoin e o segundo é a stablecoin, o terceiro é mais ativo disponível e mais acesso numa só plataforma — o que a casa chama de MyEverythingExchange.

A tese

25 milhões de usuários contra 2 milhões de votos

O Juntos Por Cripto chegou à mesa pela via da comunidade — e com uma porta de entrada nada óbvia: o esporte, por um fan token, criptoativo de utilidade e não de investimento. A conta levada ao palco é política: a pesquisa do ano passado achou mais de 25 milhões de brasileiros que já transacionaram cripto, e a diferença entre primeiro e segundo colocado na última eleição presidencial foi de cerca de 2 milhões de votos.

Cripto deixou de ser nicho porque a porta baixou

Tem gente usando cripto para jogar Roblox, torcedor com token de clube, fundo de investimento, ETF e a stablecoin no meio de tudo. A barreira de entrada caiu, e com ela a ideia de nicho.

Quem escreve a norma quase nunca é especialista

O trabalho do movimento é criar linhas de afinidade entre a comunidade e a política, para que o representante que redige a regra leve em conta o uso real que se faz da tecnologia.

Uma urna no estande para levar ao parlamento

O movimento montou um processo eleitoral próprio no estande, com diretrizes de política pública, e convidou o público a votar; as propostas seguem depois para os parlamentares.

Eu não quero induzir o voto de ninguém a determinado parlamentar. O que eu quero é que tenham mais parlamentares discutindo este tema, mais visões políticas diversas.

O recado

Cuidado com o que deseja: o retrato da Venezuela

Perguntada sobre o gargalo para sair dos 25 milhões, a mesa começou pelo tamanho já alcançado: é mais de 10% da população brasileira, e o país é um dos líderes mundiais de adoção. Houve acordo de que a integração ao mercado financeiro e a tokenização de ativos vão dar exposição a mais gente, mas o passo seguinte foi apontar de onde vem a adoção de hoje — e aí veio o alerta.

A adoção de hoje vem das stablecoins

A tokenização deve levar exposição indireta a quem já tem ativos, mas o que traz gente nova agora, na leitura da gestora, é a stablecoin.

O país com 100% de acesso já existe

Na Venezuela, quase toda a população tem stablecoin em corretora de cripto e usa no dia a dia para preservar valor. O acesso total chegou pela via que ninguém deseja.

Inclusão financeira sem passar pelo banco

É uma tecnologia democrática: dá à população exposição ao dólar e a ativos financeiros sem intermediário — e para a baixa renda o banco costuma ter só empréstimo caro a oferecer.

Cuidado com o que deseja. Há um país onde 100% da população tem acesso a stablecoins, que é a Venezuela.

O que trava

O gargalo é educação, e o parlamento entra na conta

A mesma pergunta — o que trava a passagem de 25 milhões para 100, 150, 200 milhões de brasileiros — correu a mesa inteira, e cada resposta veio de um lugar: o dado, o produto e a comunidade. Nenhuma delas apontou a tecnologia como o problema.

O tempo, e a integração que já começou

Cripto não vai substituir o sistema financeiro nem ser eliminado por ele; ações e outros ativos estão sendo tokenizados. O pedido ao público foi estudar e não sair da jornada.

Produto, mercado e arcabouço regulatório

Três frentes: produto que entre no dia a dia, um mercado retraído e a regra em construção — o país já esteve na fronteira com Pix e Open Finance, e medidas bem-intencionadas podem inibir a adoção.

Educação, inclusive a do parlamento

Educação financeira e de tecnologia no currículo escolar, e formação de quem legisla: não dá para pegar uma regra pronta e encaixar, porque a bola não cabe no quadrado.

O que ficou

Assentado

  • A pesquisa do ano passado achou um usuário de cripto mais jovem, mais ao centro e mais engajado que a média.
  • Na Hashdex, jovens são maioria em número de investidores e o patrimônio está com quem passou dos 50 anos.
  • As respostas sobre o gargalo citaram educação, produto e regulação — nenhuma citou a tecnologia.
  • A segunda edição da pesquisa será apresentada na terça-feira seguinte, em evento em São Paulo, com transmissão no YouTube.

Em aberto

  • Os números da segunda edição não foram abertos: tudo o que se citou no palco vem da primeira.
  • Como sair de 25 milhões para 100 ou 200 milhões de usuários ficou sem número e sem prazo na mesa.
  • Quais diretrizes de política pública a urna do estande levará aos parlamentares não foi detalhado.

Termos citados

Autocustódia
Guardar os próprios criptoativos em uma carteira sob controle do usuário, sem intermediário.
2 milhões de brasileiros dizem já ter tido carteira própria.
Stablecoin
Criptoativo com preço atrelado a uma moeda, usado para pagamento e proteção cambial.
Apontada na mesa como o caso de uso que mais traz gente nova.
Fan token
Criptoativo de utilidade emitido por clubes, apresentado como acesso e não como investimento.
Citado na mesa como porta de entrada no mercado pelo esporte.
ETF de cripto
Fundo negociado em bolsa que dá exposição a criptoativos sem que o investidor guarde as chaves.
Formato pelo qual a Hashdex chega ao investidor tradicional.
Comportamento pró-cíclico
Comprar o ativo que está subindo e vender quando cai, trocando pelo próximo que sobe.
Padrão atribuído ao investidor de varejo nos fundos da gestora.
Alocação-alvo
Percentual fixo do patrimônio reservado a uma classe de ativo e mantido por rebalanceamento.
2% ou 3% do patrimônio, no caso do investidor de alta renda.
Juntos Por Cripto
Movimento que organiza a comunidade cripto brasileira para conversar com o parlamento.
Com operação própria no Brasil há mais de quatro meses.
Stand with Crypto
Movimento equivalente nos Estados Unidos, citado como precedente de engajamento eleitoral.
Lembrado na sessão ao lado do exemplo da eleição americana.
Marcos citados
  1. Desde 2018A Hashdex opera como gestora de ativos digitais especializada em cripto na América Latina.
  2. Ano passadoParadigma, Coinbase, Hashdex e ABcripto fazem a primeira pesquisa nacional sobre cripto com o Datafolha.
  3. Há mais de 4 mesesO Juntos Por Cripto ganha liderança dedicada no Brasil e passa a articular a comunidade.
  4. Semana que vemSegunda edição da pesquisa é apresentada na terça-feira, em evento em São Paulo, com transmissão no YouTube.

Citados na sessãoABcripto·Paradigma·Coinbase·Hashdex·Juntos Por Cripto·Datafolha·Stand with Crypto·Bitcoin·Ethereum·Solana·USDC·B3·Roblox·Venezuela·Pix·Open Finance

TemasAdoção·Perfil do usuário·Pesquisa Datafolha·Stablecoins·Eleições·Comunidade

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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