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GOV Stage

12/08 · 11h25–12h10Regulation Rocks - FENASBAC45 min de sessãoresumo em 7 min

A agenda de modernização do SFN e o próximo salto tecnológico

Da experiência dentro do Banco Central à cadeira de investidor: o Brasil ganhou chegando em segundo — e o próximo salto trava em identidade.

Rodrigo HenriquesBruno Batavia

O essencial

Contexto

Entrevista de palco na trilha Regulation Rocks, da Fenasbac, no GOV Stage. Rodrigo Henriques conversou com Bruno Batavia, que passou pelo Banco Central no tempo de Pix, Open Finance, Drex e Lift e hoje cuida de tecnologias emergentes no Valor Capital Group. Em vez de futurologia, a conversa foi atrás do que o regulador aprendeu, do que a economia agêntica ainda não resolveu e do tamanho da nova superfície de ataque.

A sessão em detalhe

Abertura

De dentro do regulador para o outro lado da mesa

A conversa abriu pela trajetória: anos dentro do Banco Central e participação em boa parte da agenda de inovação — Pix, Open Finance, Drex, o laboratório Lift, as agendas BC+ e BC# — e, do outro lado da mesa, o quarto ano em curso no Valor Capital Group, fundo americano baseado em Nova York que investe em Brasil, México, Argentina e Chile.

A eficiência do regulador veio pela inovação

Ao longo daqueles anos o Banco Central perseguiu eficiência, mas por dentro da inovação: abrir o mercado a novos entrantes de fintech e criar marcos regulatórios para que entrassem com segurança.

Pix, Open Finance e Drex como infraestrutura

Os três foram apresentados como projetos de infraestrutura pública digital, combinados com tecnologias emergentes como blockchain e com laboratórios de inovação como o Lift, da Fenasbac.

A tese

O Brasil ganhou mais chegando em segundo

A leitura proposta na mesa: em blockchain e em pagamentos, o Brasil não quis ser o primeiro a se mexer, e sim ficar no grupo da frente, olhando Índia, China e Reino Unido. A tese foi acolhida — quem sai primeiro leva a flechada — e o histórico confirma: o Open Finance nasceu de benchmark com o PSD europeu e o modelo inglês, e o desenho do Pix veio de um benchmark internacional, com visita a uma série de países e modelos.

Um mandato amplo contra a colcha de retalhos

Nos Estados Unidos convivem SEC, CFTC, OCC e cinquenta reguladores estaduais. No Brasil, a concentração de um mandato amplo no Banco Central reduz a fragmentação regulatória.

Privacidade on-chain: o desenho veio antes

Ficou dito na conversa que há cerca de dois anos as features testadas ainda não estavam prontas, e que só agora as foundations globais tratam privacidade como capacidade importante.

O Pix virou a referência que o mundo copia

Na leitura da mesa, o país saiu do banco do benchmark para o outro lado: hoje o mundo tenta adotar o Pix como padrão e referência de pagamento instantâneo.

Melhor do que você sair correndo e ser o primeiro. De vez em quando vale a pena ser o segundo ou o terceiro, mas fazer bem feito.

A ruptura

A economia agêntica esbarra em identidade

A pergunta da vez foi sobre a transferência de agência: bandeiras como a Visa e big techs como o Google patrocinando protocolos abertos de pagamento, e a perspectiva de entregar a execução para inteligências artificiais. Do palco, a pergunta voltou para a plateia: todo mundo usa ChatGPT e Claude, da Anthropic — alguém já conectou por MCP uma conta bancária, ou já fez transação autônoma em stablecoin?

Micropagamento no lugar da licença anual

Em vez de assinar licença mensal ou anual, o agente que busca um dado numa base privada pagaria por acesso. Empresas que processam bilhões de transações por dia poderiam monetizar assim.

Governança do agente antes de qualquer escala

Do lado do investimento, a busca é por infraestrutura que garanta o comportamento do agente: que não alucine, que execute no trilho certo e dentro dos parâmetros combinados.

Porque no final do dia é um desafio de gerenciamento de identidade. Então você tem a identidade do agente.

O que trava

O que destrava o regulador é troca contínua

O tema seguinte foi o tempo de resposta regulatória que o mercado exige. Voltou à mesa o painel do dia anterior com o presidente da autoridade de El Salvador e a metáfora do carro mecânico contra o carro elétrico. A receita apresentada é tirar o red tape entre mercado e regulador — e entraram na conversa os instrumentos que o Brasil já tem, do Lift ao Nexos, da CVM.

O problema do sandbox é o escopo

Quem entra recebe um mandato e um perímetro desenhados para casos de uso específicos. Qualquer coisa nova fora dali obriga a ir pedir a bênção de novo, e o resto vira zona cinzenta.

Nos Emirados, a aplicação fica aberta sempre

ADGM e FSRA, além da VARA em Dubai, recebem aplicação o tempo todo, e o programa de transformação da infraestrutura financeira repete as trilhas do Brasil, que serviu de benchmark.

O BIS botou gente de mercado no regulador

Os Innovation Hubs trazem quem trabalhou em foundations, em cripto e em tecnologia de fronteira, quase reguladores por dentro, para interagir com o mercado privado e padronizar globalmente.

No Lift, o servidor entrava por inscrição

Quem quisesse participar se inscrevia, de forma voluntária, inclusive chefes adjuntos, com reunião a cada duas semanas em grupos de trabalho. Bancos grandes entraram para testar caso de uso.

Eu gosto da ideia de que conhecimento ele tem um efeito muito parecido com os juros compostos.

O relógio

Outubro, a licença de VASP e os 120 dias pedidos

A abertura brasileira criou mais de mil fintechs, com instituições de pagamento que podiam operar sem pedir licença ao Banco Central até um certo limite transacional e de volume, e só depois ir buscar a autorização. Agora o momento é de mais fricção, e o caso concreto foi posto na mesa: uma fintech que em outubro tem de virar VASP, com a ABcripto pedindo 120 dias e ninguém sabendo o que vai acontecer.

Fricção de um lado, conforto do outro

Regular uma atividade que não era regulada cria fricção, mas também profissionaliza e dá conforto para o capital institucional destinar recursos e abrir uma área de negócio.

A cauda longa se pendura em quem tem licença

Quem não conseguir a autorização deve se ligar a intermediários e orquestradores com capital para obtê-la, agregando ali a cauda longa do mercado. Onde a régua apertar demais, deve afrouxar depois.

Supervisão embarcada e enforcement automático

Do lado do regulador, o blockchain daria mais transparência e permitiria automatizar o enforcement no nível do contrato inteligente. RegTech e SupTech ficaram marcadas como frente a acompanhar.

Os números

O ar foi para a IA e a tokenização cresce quieta

Depois do prazo, a conversa virou para a visão de investidor. O mercado descrito é um em que o ar está sendo sugado pela inteligência artificial: para software company e fintech, os valuations ficaram mais razoáveis, a não ser que o investidor tenha mandato e foco em inovação financeira. E até empresa de pagamento on-chain que não é exchange carrega beta: o mercado olha o preço do Bitcoin e captura o tema blockchain junto.

Tokenização crescendo de 3 a 5 vezes ao ano

Quem acompanha vê ativos tokenizados multiplicando ano após ano, com product-market fit visível. As classes de ativos que podem ser tokenizadas superam em várias vezes o volume das stablecoins.

Menos ruído é o melhor momento para construir

Para quem interage com o ecossistema cripto desde 2013, mercado quieto dá mais tempo ao fundador. Com o Clarity Act e a discussão de estrutura de mercado, a leitura é que não tem tempo ruim.

Em aberto

A superfície de ataque cresceu junto com o salto

O fecho ficou com a cibersegurança: o salto tecnológico aumentou a superfície de ataque de todo o sistema, a fraude cresce e uma das teses possíveis é um sistema financeiro de duas camadas — instituições capazes de lidar com cibersegurança e instituições que não são. Entrou na conversa a Global Anti-Scam Alliance, aliança global de big techs, reguladores e empresas do mercado financeiro.

Bilhões parados em contratos e em bridges

Aí se abre um cluster inteiro de cibersegurança: custódia, gestão de chaves e recuperação de desastre viraram problema da casa dos bilhões de dólares depositados em protocolos.

Quase um antivírus para a carteira

Dá para monitorar intenções de transação, sinalizar a ameaça e, com autorização, mover o saldo depositado na carteira de um lado para outro antes que ele seja drenado.

Auditoria de contrato deixou de ser evento

A VASP virou player regulado, com política de segurança e auditoria, e o contrato inteligente é superfície nova: já há sistema que olha o repositório a cada commit e sinaliza risco em tempo real.

O deepfake não para mais na foto

Gerar conteúdo para aplicar golpe já não se resume à imagem: áudio e tempo real entraram na conta, e a resposta proposta foi usar a própria IA de forma mais ampla para mitigar.

Na parte de blockchain você tem uma superfície de ataque nova, que são contratos inteligentes, então você tem que auditar os seus contratos.

O que ficou

Assentado

  • O Brasil chegou depois em Open Finance e em pagamentos instantâneos, e o benchmark virou vantagem, não atraso.
  • Concentrar um mandato amplo no Banco Central evitou a fragmentação regulatória que os Estados Unidos carregam.
  • A troca contínua entre mercado e regulador, como no Lift, foi apontada como o mecanismo que mais funcionou.
  • Regular a atividade de VASP cria fricção de entrada e, ao mesmo tempo, conforto para o capital institucional.

Em aberto

  • O prazo de outubro para virar VASP segue indefinido: a ABcripto pediu 120 dias e ninguém sabe o que vai acontecer.
  • Qual padrão de pagamento agêntico o mercado vai adotar — bandeira, big tech ou trilho público — não está decidido.
  • A tese de um sistema financeiro de duas camadas, separada pela capacidade de cibersegurança, foi levantada no fecho e não teve resposta direta.
  • Como resolver a interoperabilidade entre redes, com as bridges no meio, foi dado como aberto na despedida.

Termos citados

MCP
Padrão de integração que conecta um modelo de inteligência artificial a ferramentas e bases externas.
Citado como o caminho pelo qual um agente acessaria conta bancária ou dado pago.
Economia agêntica
Arranjo em que agentes de IA decidem e executam pagamentos e transações no lugar do usuário.
Tema central da parte de inteligência artificial da conversa.
VASP
Prestador de serviços de ativos virtuais, atividade que passou a exigir licença no Brasil.
O prazo de outubro e o pedido de 120 dias da ABcripto giram em torno dela.
Sandbox regulatório
Ambiente em que o regulador libera testes dentro de um perímetro e de um mandato definidos.
Apontado como útil, mas estreito para quem sai do caso de uso previsto.
Lift
Laboratório de inovação financeira da Fenasbac com o Banco Central.
Descrito por dentro: inscrição voluntária de servidores e reunião a cada duas semanas.
BIS Innovation Hubs
Polos de inovação do BIS, o banco que reúne mais de 60 bancos centrais do mundo.
Formato citado para trazer o mercado privado e padronizar globalmente.
Supervisão embarcada
Monitoramento do regulador feito dentro da própria infraestrutura, com enforcement automatizado.
Possibilidade que o blockchain abre no nível do contrato inteligente.
Custo de observância
O quanto uma instituição gasta apenas para cumprir a regulação que a alcança.
Citado como o custo que RegTech e SupTech poderiam baixar.
Bridge
Ponte que liga redes blockchain diferentes para mover ativos entre elas.
Citada como questão de interoperabilidade e como ponto de ataque.
Open weight
Modelo de IA com pesos abertos, que a instituição roda e mantém sob controle próprio.
Tendência citada para não transferir inteligência a terceiros.

Citados na sessãoBanco Central·Fenasbac·Lift·Valor Capital Group·Pix·Open Finance·Drex·BIS·ADGM·FSRA·VARA·CVM·ABcripto·Visa·Google·Cloudflare·Coinbase·ChatGPT·Anthropic·Clarity Act·Global Anti-Scam Alliance·El Salvador·Bitcoin

TemasRegulação·Banco Central·Economia agêntica·Tokenização·Cibersegurança

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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