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Trends Stage

13/08 · 13h25–14h0540 min de sessãoresumo em 6 min

Day After da Regulação: Parcerias, Aquisições, Extinção, Fim de ciclos, Oportunidades e Desafios

Logcomex, Bass Pago, Mirae Asset e BlockRiver foram cobradas do que mudou no negócio depois da regra: nada terminou de se adaptar.

Evandro CacianoDiego MartinsManuel AlmeidaMateus PrestesPaulo de Matos Júnior

O essencial

Contexto

Painel do Trends Stage sobre o dia seguinte da regulação de criptoativos, com moderação de Diego Martins, da BLOXtrade. Em vez de discutir a norma em tese, a mesa foi atrás do efeito prático: o que mudou no modelo de negócio de uma plataforma de dados, de uma instituição de pagamento, de uma corretora e de uma mesa de OTC — e que arranjos vão sobrar quando todo mundo estiver regulado.

A sessão em detalhe

Abertura

Uma IP, uma CCTVM, uma mesa de OTC e um agregador

O painel abriu como uma conversa entre amigos, com o pedido de que cada casa explicasse o que faz antes da primeira pergunta. As quatro ocupam pontos diferentes da mesma cadeia: dados e pagamento internacional, instituição de pagamento, corretora de câmbio e títulos, e mesa de balcão para clientes institucionais.

Logcomex: inteligência de dados e agora pagamento

A casa vende inteligência de dados de comércio exterior e, agora, pagamentos internacionais — com inteligência artificial como novo posicionamento. A base ativa chegou a 4 mil clientes.

Mirae Asset: a corretora que foi atrás da licença

Uma CCTVM — corretora de câmbio, títulos e valores mobiliários. Quando as regras saíram, a casa decidiu entrar em criptoativos e contratou para cumprir a 701 e pedir a licença.

Bass Pago e BlockRiver: a IP e a mesa de OTC

A Bass Pago é instituição de pagamento, estreou no mercado este ano e opera no Brasil e na Argentina. A BlockRiver nasceu no câmbio tradicional e hoje provê liquidez a exchanges e institucionais.

A tese

A adaptação não acabou: toda sexta chega norma nova

A pergunta de abertura foi direta: o que a leva de regulamentação acrescentou, o que piorou e o que mudou no modelo de negócio de cada um. A leitura que organizou as respostas foi a de que a lei chamada de marco dos criptoativos deu a sensação de assunto encerrado, e o susto veio depois — nas adaptações que foram acontecendo no meio do caminho, com as resoluções de novembro e as que vieram atrás.

A lei parecia o ponto final; era o começo

Com a lei, muita gente falou em marco dos criptoativos e parecia que o negócio estava pronto. Depois vieram as resoluções, a parte infralegal, e o conforto que parecia geral durou pouco.

O desafio virou saber o que é certo hoje

A adaptação não terminou: está em andamento. Ficou dito que a mesa acorda de um jeito e dorme de outro, e que a última norma, a retenção de 24 horas, foi tratada como bombástica.

O custo da governança dentro do escuro

As adequações e a governança têm custo alto num ambiente em que ninguém sabe como o mercado vai se comportar. Ficou dito que a mesa está tateando todos os dias, totalmente no escuro.

A ruptura

O cliente cripto ficou mais diligente que o convencional

Como instituição de pagamento, a Bass Pago olhava o mercado cripto de longe: era um segmento que não se olhava com todos os olhos. A regulamentação inverteu o sinal — virou oportunidade, e obrigou a preparar equipe, porque o compliance apertou e os bancos vão apertar mais.

Quem responde ao Banco Central é a IP

Quando o cliente faz o compliance com a instituição de pagamento, é ela que responde por ele ao Banco Central. Daí o rigor maior — e daí, disse a mesa, a oportunidade.

A entrega é para o parceiro que distribui

O desenho descrito é de modelo de negócio com parceiros: conhecer players que não estavam no radar, trazer a parte de câmbio e entregar a melhor solução a quem distribui.

O padeiro tem que receber, tem que ter dinheiro para fazer o pão. Isso em qualquer parte do mundo, seja no Brasil ou na China.

O que trava

O correspondente do câmbio não tem versão em cripto

A figura que dá capilaridade não existe em cripto

No câmbio, quem chega ao cliente é o correspondente; o grande banco não tem cliente. Sobre a existência dessa figura em cripto, a resposta inicial ouvida nos painéis foi que não há presunção dela.

Sem a figura, captar cliente vira obra

Sem correspondente e sem padrão de indicação previsto, quem quiser chegar ao cliente monta estrutura e gasta. A mesa resumiu: hoje não existe, e daqui a uma sexta-feira pode existir.

O regulador não quer VASP sem cliente próprio

Há empresas cujo foco é só vender infraestrutura a terceiros. Segundo a leitura trazida ao painel, esse desenho não é o interesse do Banco Central para cripto.

Prova de campo

O maior problema do cliente não era o pagamento

A provocação veio de um livro citado na mesa: apaixone-se pelo problema. O ponto foi que se vê negócio muito bem montado, com dinheiro gasto, resolvendo algo que ninguém pediu — e que a checagem da dor real vem antes de construir.

130 clientes ouvidos, uma resposta só

Numa pesquisa de fins acadêmicos pela Unicamp, com 130 clientes de comércio exterior, o maior problema apontado foi o cadastro: para abrir uma conta é preciso mandar tudo de novo.

A VASP reproduziu o balcão do banco

Dentro da empresa, o onboarding é praticamente um comercial. E a prestadora de serviços cripto, ao montar o seu, repetiu igualzinho o do banco: o problema não foi resolvido.

Compliance por medo custa a inovação

Regra de compliance alta por medo cobra caro, e o risco apontado é contratar o funcionário de banco que pensa como banco: aí a casa vira um banco e perde o espaço da inovação.

A gente tá resolvendo um problema que não é problema de ninguém.

Onde concordaram

Comprar corretora pronta encurta o caminho da licença

A pergunta central do painel foi como o mercado vai se reorganizar. De um lado, poucos vão reunir licença, know-how e cliente ao mesmo tempo. Do outro, sobra quem perdeu ou não conseguiu a licença — sem time qualificado e, às vezes, sem cliente. É nesse vão que a mesa colocou os arranjos: aquisição, parceria e indicação.

Quem já provou não precisa provar de novo

Comprar uma corretora de câmbio existente aparece como caminho: ela já tinha tecnologia e já conhecia o mercado, e o capital regulatório exigido é menor do que montar do zero.

A escassez de mão de obra é parte da conta

Há vacância grande por gente qualificada, e as casas formam os próprios profissionais. Montar do zero significa contratar, investir e aprender um negócio que não é o seu.

Os produtos de API acima do white label

A leitura é que o mercado caminha para produtos de API, mais do que para o white label de hoje. A norma ainda não veio, mas já há quem opere assim, acumulando as obrigações do lado cripto.

Achei bastante estratégico poder ter um pezinho em cada uma das frentes que vão formatar esse novo modelo de negócio.

O recado

Quando todos estiverem regulados, sobra o cliente

Regulado, todo mundo opera parecido

Relacionado ao tema do dia seguinte: quando o mercado virar a chave, a forma de operar fica muito parecida entre as casas, e a gestão do cliente é o que faz a diferença.

Duas datas e uma migração no meio

Foram citadas 30 de outubro e 30 de novembro, quando todo mundo tem que sair. A questão interna, ficou dito, é estar pronto, porque vai ter muita migração de cliente.

A ação tokenizada no book local

Hoje o estrangeiro abre conta de não residente e CNPJ para investir. Com ação tokenizada, compraria Itaúsa a partir do book da exchange dele — e o mercado ficaria mais líquido.

E cripto é a próxima fronteira. Especialmente, não só cripto, mas olhando pra tokenização como um todo.

O que ficou

Assentado

  • A regulação foi tratada como necessária e esperada; a queixa da mesa foi com o ritmo e o custo, não com a regra.
  • Logcomex e Mirae Asset trabalham com o mesmo desenho: não operam direto com o cliente final, entregam infraestrutura a parceiros.
  • A resposta inicial ouvida nos painéis depois da norma foi que não há presunção do correspondente em cripto, como não há para a IP.
  • O mercado de trabalho aqueceu: uma das casas saiu de sete ou oito para praticamente vinte pessoas, puxada por compliance.

Em aberto

  • Se virá norma para correspondente ou indicação em cripto: hoje não existe, e a mesa disse que pode aparecer numa sexta.
  • Como a instituição de pagamento poderá oferecer serviço plugado em cripto: a pergunta foi feita e ninguém tinha resposta.
  • Quanto de espaço os grandes bancos vão tomar quando entrarem com força — citado como preocupação, sem resposta na mesa.
  • Se a complexidade das regras empurra parte do mercado para o paralelo e para o DeFi, como já aconteceu no câmbio.

Termos citados

VASP
Prestadora de serviços de ativos virtuais: a licença exigida para operar com criptoativos.
A mesa discutiu o que sobra para quem não conseguir a licença.
BaaS
Banking as a Service: instituição licenciada que empresta a infraestrutura para terceiros operarem.
A corretora precisou de um, porque conta de corretora não é conta de pagamento.
CaaS
Crypto as a Service: prestar a infraestrutura de criptoativos para outra instituição distribuir.
Nomeado na mesa como o arranjo que a norma ainda não prevê.
Correspondente
Figura do mercado de câmbio que faz a capilaridade e leva a instituição até o cliente final.
O grande banco, disse a mesa, não tem cliente: quem tem é essa ponta.
CCTVM
Corretora de câmbio, títulos e valores mobiliários.
A categoria da Mirae Asset, que foi atrás da licença para entrar em cripto.
Resolução 701
Norma citada como a que trata dos parâmetros do que é instituição e de quem precisa se adaptar.
O conjunto de requisitos que a corretora teve de cumprir para pedir a licença.
Mesa de OTC
Balcão que provê liquidez fora do livro de ofertas das exchanges.
O desenho da BlockRiver para exchanges e clientes institucionais.
Tokenização
Representar um ativo em rede para negociá-lo fora do trilho tradicional.
Apontada como a fronteira seguinte: comprar ação tokenizada no book da exchange local.
Conta de não residente
Conta que o investidor estrangeiro precisa abrir hoje para aplicar no Brasil.
Citada como o passo que a ação tokenizada dispensaria.
DeFi
Finanças descentralizadas, fora de instituição regulada.
Citado como o destino do mercado caso a regra aperte demais.

Citados na sessãoBanco Central·Logcomex·Bass Pago·Mirae Asset·BlockRiver·BLOXtrade·Unicamp·Uber·Itaúsa·MiCA·WhatsApp

TemasRegulação·Criptoativos·VASP·Câmbio·Parcerias

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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