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Trends Stage

13/08 · 15h20–16h0040 min de sessãoresumo em 5 min

O momento Blockbuster do mercado financeiro (Painel Exclusivo Galton)

Com a IA escrevendo o código, a mesa da Galton apontou o gargalo que sobrou: o onboarding, que ainda se mede em meses.

O essencial

Contexto

Painel exclusivo da Galton no Trends Stage, anunciado como palestra e convertido em painel no próprio palco. Sob mediação de Patrick Silveira, consultor de estratégia de mercado, a mesa discutiu o chamado momento Blockbuster do mercado financeiro: com IA, regulação e blockchain convergindo, falou-se menos de tecnologia e mais de por que contratar um serviço financeiro ainda leva meses.

A sessão em detalhe

Abertura

Era palestra, virou painel: o momento Blockbuster

A sessão abriu com um aviso de mudança de formato — era palestra, virou painel — e a condução passou a Patrick Silveira. O tema anunciado foi o momento Blockbuster do mercado financeiro. A Galton se apresentou como um ecossistema aberto entre instituições e provedoras de serviços financeiros, agora com a regulação de cripto no horizonte.

Um marketplace de serviços financeiros

A proposta descrita foi a de um marketplace mais aberto, onde qualquer um acessa, contrata e executa serviço financeiro — e não apenas a etapa pós-execução, que é onde o mercado costuma atuar.

A provocação inicial veio da IA

A provocação de abertura partiu de um lembrete: a IA já escreve código e já integra sistema testado. A pergunta seguinte foi o que acontece quando esse mesmo agente resolve lançar um produto financeiro sozinho.

A Galton, a gente tá construindo um ecossistema... entre as instituições, as provedoras de serviços financeiros.

A tese

O código virou commodity; o cadastro, não

O diagnóstico da mesa: o gargalo era técnico e deixou de ser. Antes, um time passava seis meses ou um ano inteiro construindo uma solução que não era plug and play; hoje a integração entra em produção em uma fração desse tempo. O agente que criaria a fintech sozinho, porém, trava no passo seguinte — escolher provedor, entender o produto, abrir conta, passar no processo.

Cada provedor pede uma coisa diferente

Não existe padrão de cadastro: cada empresa pede algo diferente, o vaivém se repete a cada provedor e a parte que trava continua sendo manual e humana.

O exemplo veio de uma corretora em regulação

O exemplo trazido ao palco foi o de uma corretora em processo de regulação no Banco Central; o cadastro em exchange internacional, com milhões de etapas e vaivém, apareceu como o mesmo problema.

Seis meses e um monte de gente

Para dar conta do processo é preciso colocar profissionais dedicados, e ainda assim leva seis meses. Foi descrito no palco como um suplício que se repete a cada provedor.

Cada um pede algo diferente. Não existe um padrão de onboarding que seja facilitado.

Definição

Permissionless: se existe regra, ela pode ser código

A mesa puxou para o resto do mercado o conceito que já vale no smart contract: construir e pôr para rodar sem pedir autorização a ninguém. Não como fim do KYC, e sim como mudança de forma — a exigência que hoje mora em reunião e comitê passa a morar em contrato e protocolo.

O KYC não some, ele vira código

Ficou dito que acesso sem permissão não significa ausência de verificação: significa que as regras podem ser codificadas em contratos e protocolos, sem interferência no meio do caminho.

O protocolo precisa nascer aberto

A casa disse estar construindo algo que ninguém está fazendo e que a decisão é deixá-lo open source, para que os próprios desenvolvedores façam upgrade e o protocolo escale.

Preço no site, sem reunião para saber quanto custa

A provocação mais direta do painel foi contra o próprio mercado: publicar o preço, padronizar o básico e parar de exigir reunião comercial para liberar uma informação.

Essa que é a questão que o blockchain traz. Se existe uma regra, ela pode ser codificada.

A ruptura

A locadora com site nunca vira Netflix

A analogia que dá nome ao painel foi desenvolvida no palco: quando a internet chegou, as locadoras criaram sites; a Netflix nasceu dependente do meio novo e não existiria sem ele. O filme podia ser o mesmo — o que mudou por completo foi a experiência. A pergunta devolvida ao mercado é se o serviço que se constrói hoje sobreviveria sem blockchain.

Dez anos de laboratório aberto

Blockchain e cripto foram descritos como um laboratório que rodou aberto na última década e produziu coisas que o mercado tradicional não pôs em prática porque não era regulado.

O flash loan como prova do que só existe aqui

Empréstimo gigantesco tomado em menos de cinco segundos: você pega, faz a sua operação, devolve o empréstimo e paga a taxa. Foi o exemplo do que a blockchain já faz e o modelo tradicional não.

Duas culturas convergindo ao mesmo tempo

De um lado o permissionless, onde se criam serviços via protocolo; do outro, o mercado tradicional, que só agora começa a explorar esse modelo, com a regulação chegando.

Meu site sobreviveria sem internet? Não, mas a minha locadora sim.

Onde concordaram

Onde a mesa apostou o primeiro machine to machine

Perguntados por qual parte da infraestrutura financeira vira máquina a máquina primeiro, os panelistas responderam na mesma direção: o dinheiro se movendo. Transferência e movimentação de recursos foram apontadas como a camada mais fácil — e a que já começou.

Stripe e Coinbase já publicaram protocolo

As duas foram citadas como players que já criaram protocolo de pagamento entre máquinas, prova de que o movimento não é hipótese de palco.

A IA aprendeu blockchain no pré-treino

O argumento foi que o modelo entende mais de criar e transacionar em blockchain, que é aberta, do que de operar uma API privada à qual ele não tem acesso.

Protocolo padrão no lugar de mais uma API

Em vez de cada empresa manter o seu smart contract e a sua integração, a proposta é bater em um protocolo padrão, com prestadores de um lado e tomadores do outro.

Terra e commodity entraram na lista

Entrou na lista o mercado físico — terra, gado, transferência de valores — apontado como o mais engessado e, por isso, um dos mais impactados.

O recado

Em 2030, esperar a proposta por e-mail será absurdo

O fechamento pediu respostas rápidas. A primeira: o que ainda se faz manualmente em 2026 que em 2030 vai parecer absurdo. As respostas foram todas na direção da espera — o retorno do e-mail, o PDF do comercial que chega na segunda-feira, o board pelo qual a resposta ainda precisa passar.

Um range de preço e um agente que executa

O desejo declarado foi simples: dizer quanto quero pagar por aquilo, mandar procurar e executar. Foi apresentado como problema que nem deveria precisar de tecnologia.

Quem está mais preparado: o voto foi na fintech

O banco apareceu como dinossauro e o cripto como o jovem que ainda não sabe o que quer da vida. A fintech levou o voto por maturidade e posicionamento.

O player que ninguém enxerga ainda

Ficou aberta a hipótese de que quem desbrave o movimento seja alguém que já existe e ninguém vê, com produtos que a mesa ainda não consegue imaginar.

O que ficou

Assentado

  • A mesa convergiu: o gargalo hoje não é escrever o código, é o acesso — o onboarding em cada provedor.
  • Permissionless não elimina o KYC; a regra continua e passa a ser codificada em contrato e protocolo.
  • Transferência e movimentação de recursos foram a aposta unânime para a primeira camada machine to machine.
  • Cadastro de corretora medido em meses foi relatado como rotina, inclusive em exchange internacional.

Em aberto

  • O protocolo aberto de onboarding foi apresentado como obra em andamento, sem nome, prazo ou data no palco.
  • Quem lidera a virada ficou em disputa: banco como dinossauro, fintech por maturidade, cripto jovem demais.
  • Que serviços nascem desse meio ninguém arriscou dizer: nem a Netflix era imaginável em 2007, lembrou a mesa.

Termos citados

Momento Blockbuster
Metáfora do painel: digitalizar o serviço antigo em vez de criar o que só existe no meio novo.
Deu tema ao painel, na comparação entre a locadora com site e a Netflix.
Onboarding
Processo de cadastro e habilitação de um cliente ou empresa dentro de um provedor de serviço.
Nomeado como o gargalo que a IA não resolve, medido em meses.
Permissionless
Acesso sem permissão: subir e usar um serviço sem precisar pedir autorização a ninguém.
Conceito que a mesa quer levar do smart contract para o onboarding.
Flash loan
Empréstimo tomado, usado e devolvido dentro da mesma operação, em segundos.
Citado como algo que o mercado tradicional nunca pôs em prática.
Smart contract
Contrato em código que executa a regra sozinho quando as condições são atendidas.
Proposto no lugar de mais uma API para contratar serviço.
KYC
Conjunto de verificações de identidade exigido para abrir e usar uma conta.
A mesa disse que ele não some: passa a ser codificado.
Machine to machine
Transação em que dois sistemas contratam e pagam um ao outro, sem humano no meio.
Onde a mesa apostou o primeiro impacto, nas transferências.
Dinheiro programável
Dinheiro que carrega a regra de uso na própria rede em que circula.
Chamado de diferencial do meio novo, com tokens em real e stablecoins.

Citados na sessãoGalton·Netflix·Blockbuster·HBO Max·Binance·Stripe·Coinbase·Banco Central·WhatsApp·Google·Pix·SWIFT·Bitcoin

TemasMercado Financeiro·Onboarding·Inteligência Artificial·Protocolos Abertos·Pagamentos

Quem falou

A seguir neste palco

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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